Economia

Turquia elogia “melhor enfoque” da UE sobre condução da crise de refugiados

O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu elogiou neste o novo enfoque adotado pela UE na tentativa de resolver a crise de refugiados após reunir-se com a chanceler alemã Angela Merkel em Istambul.

“Infelizmente, a comunidade internacional deixou a Turquia sozinha em termos de distribuição (dos refugiados). Estamos muitos satisfeitos que de que haja um melhor enfoque agora”, declarou Davutoglu em uma coletiva de imprensa conjunta com Merkel.

A dirigente alemã, que chegou a Istambul neste domingo e partirá de volta a seu país à noite, reuniu-se depois com o presidente islâmico-conservador, Recep Tayyip Erdogan.

O principal tema na agenda é o “plano de ação” anunciado na quinta-feira pela União Europeia para conter os imigrantes na Turquia, sobretudo os sírios que fogem da guerra.

No entanto, a Turquia, que já acolhe mais de dois milhões de refugiados, classificou o plano de simples “projeto” com um orçamento “inaceitável”, e prevê que seu país precisa de pelo menos 3 bilhões de euros para o primeiro ano.

Merkel lamentou “a pouca ajuda internacional recebida pela Turquia por sua imensa contribuição” na crise de refugiados.

Ambos os dirigentes disseram temer uma “nova onda” de refugiados sírios procedentes da região de Alepo, na fronteira com a Turquia, onde as tropas do regime sírio estão avançando.

A UE quer que a Turquia acolha mais refugiados e fortaleça a vigilância de suas fronteiras em troca de uma ajuda financeira, a retomada das discussões sobre sua candidatura ao ingresso na União Europeia e um acesso mais fácil ao vistos.

“Se Alemanha e Turquia não conseguirem chegar a um acordo, não há nenhuma outra solução em vista e a migração em massa de sírios e de outras pessoas para a UE continuará”, estima o centro de análise European Stability Initiative, em artigo sobre a visita de Merkel.

Desde o início de 2015, milhares de imigrantes chegaram à Europa na esperança de viver na Alemanha ou nos países do norte do continente.

Entretanto, as capitais europeias têm sido incapazes de encontrar soluções conjuntas para administrar esse fluxo maciço de pessoas.

Desde sábado, os migrantes tiveram que usar uma nova rota, passando pela Eslovênia e depois pela Áustria, já que a Hungria decidiu fechar sua fronteira com a Croácia.

Cerca de mil migrantes, principalmente sírios, iraquianos e afegãos, passaram da Eslovênia para a Áustria no sábado. A maioria seguiu em direção à Alemanha.

Um trem especial com mais de 1.000 migrantes aguardava neste domingo no norte da Croácia para seguir para a Eslovênia. Cerca de 3.000 pessoas já entraram neste país no sábado.

“Até agora, a situação está sob controle”, afirmou neste domingo um porta-voz do ministério esloveno do Interior, Bostjan Sefic, embora tenha admitido que o país não pode receber mais de 1.500 pessoas por dia.

Na Alemanha, a política de abertura aos migrantes de Merkel é cada vez mais objeto de críticas.

Mas o debate ganhou contornos dramáticos neste sábado com a agressão de uma candidata à prefeitura de Colônia, Henriette Reker, uma independente apoiada pela CDU de Merkel, que foi esfaqueada no pescoço.

Segundo a polícia, esse ataque “político” foi cometido por um indivíduo que admitiu a motivação “racista” contra essa mulher encarregada do recebimento dos refugiados na prefeitura.

Um exame psiquiátrico determinou que “não há indicações que permitam excluir a responsabilidade penal do agressor”, informou a polícia e o Ministério Público de Colônia em comunicado.

O fato de o suspeito ser, segundo a polícia, próximo dos círculos de extrema direita nos anos 1990, confirma os temores das autoridades alemãs sobre o risco de que se desenvolva um “terrorismo de extrema direita” devido à chegada de refugiados.

Estima-se que de 800.000 a 1 milhão de solicitantes de asilo chegarão à Alemanha em 2015.

Na segunda-feira, por ocasião de seu primeiro aniversário, o movimento islamofóbico Pegida, prevê uma marcha em Dresde.

A classe política alemã tem feito da luta contra a extrema direita, responsável por dezenas de ataques contra centros de acolhimento a refugiados, uma prioridade.

Outras vozes, contudo, são a favor do fechamento das fronteiras, medida que Merkel rejeita, por considerá-la uma “falsa solução”.