Corrida contra o tempo

01/02/2013

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Dez minutos é um espaço de tempo relativo. Em tese, é pouco para a execução de tarefas complexas. Porém, é suficiente para um pequeno descanso que revigore uma rotina acelerada. É o prazo, por exemplo, para a pausa do café em muitas empresas. Ou ainda, o atraso tolerado pelos brasileiros para um compromisso corporativo, o que vira uma eternidade para um suíço. Nesse tempo, é possível fazer 1. 500 metros trotando, ou quatro quilômetros, no caso de um atleta profissional. Na vida de muitos empreendedores, no entanto, a ampulheta de dez minutos pode ser a fronteira para encontrar um sócio que vai injetar milhões de reais em seu negócio, e garantir a expansão de sua empresa, ou continuar no sereno. 

 
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E serão dez minutos, cronometrados, que o mineiro Leonardo Florêncio terá, na segunda-feira 4, para convencer uma banca de investidores que participará do evento Sebraetec, em Minas Gerais, a injetar R$ 90 mil na sua empresa de sofwares de prevenção de saúde, a ePrimecare. Não será a primeira vez que Florêncio terá de controlar a ansiedade para provar, contra o relógio, que vale a pena investir na ePrimecare, baseada em Belo Horizonte, com faturamento previsto de R$ 5 milhões neste ano. No ano passado, passou pela experiência, junto a uma banca de investidores da Associação Brasileira de Venture Capital (Abvcap), e, anteriormente, em agosto de 2008, quando teve uma injeção de alguns milhões de reais, que lhe permitiu multiplicar seu faturamento. 
 
?Faturávamos R$ 300 mil em 2008, e no ano passado faturamos R$ 2 milhões?, diz o dono da ePrimecare. Se o seu poder de persuasão estiver afiado, Florêncio poderá garantir investimentos que vão dobrar a receita da companhia, já em 2014. O empresário está confiante. ?Já incorporei algumas técnicas de apresentação?, diz o mineiro, formado em Medicina, que fundou a ePrimecare em 2005, para auxiliar as empresas a gastarem menos com a saúde dos funcionários. O sistema de gestão criado por Florêncio permite reunir informações médicas dos empregados num banco de dados, e assim as companhias podem cobrar a realização dos exame preventivos. Criar ambientes propícios para que empreendedores apresentem projetos a investidores é muito comum nos Estados Unidos, que têm uma verdadeira indústria de fóruns de investimento.
 
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Manfredini, da Aquiris: conversa com investidores para captar R$ 2,5 milhões
 
A cultura americana para os negócios ? e a proposta de vender uma ideia em um curto espaço de tempo ? tem até variações de formatos, como o Elevator Speech, cujo desafio do interlocutor é convencer um executivo, durante o tempo de uma viagem de elevador, que vale a pena marcar uma hora em sua agenda para ouvir detalhes sobre uma ideia de negócio. Há, também, as reuniões de três minutos com os donos do capital. O empresário Ricardo Bellini, de São Paulo, por exemplo, tornou famosa a história de que convenceu, em apenas três minutos, o bilionário Donald Trump a apostar num complexo imobiliário, que seria construído em Itatiba, no interior paulista.
 
Bellini teria apresentado a ideia, como não se cansa de repetir, quando visitou o topetudo magnata em seu escritório, em Nova York, dez anos atrás. Depois de idas e vindas, o negócio não saiu do papel, mas o empresário brasileiro capitalizou o episódio, escrevendo o livro 3 Minutos para o Sucesso. Como Vender sua Ideia com o Verdadeiro Aprendiz. No Brasil, a estabilidade da moeda e a redução de juros gerou um terreno fértil para encontros entre compradores e vendedores de ideias inovadoras (leia a reportagem "Os aceleradores de empresas"). ?O investidor busca alternativas que garantam um ganho superior aos papéis de renda fixa?, diz Clovis Meurer, presidente da Abvcap. 
 
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Vieira, da Arvus: "Empreendedores precisam olhar a empresa
sem apego para que a sociedade funcione"
 
?Por isso fazemos esse papel de ?cupido? entre as duas pontas.? Só neste ano, a entidade terá seis encontros, o mais importante, em abril, para o qual as inscrições estão abertas até o próximo dia 22. E, assim como as conquistas amorosas demandam um tempo de namoro até chegar a subir ao altar, no mundo do venture capital é preciso paciência para fechar uma sociedade. O gaúcho Ricardo Felizzola, sócio da empresa Altus, participou de um fórum da Abvcap em julho do ano passado, e desde então vem conversando com investidores para garantir uma rodada de capitalização para a companhia, que fabrica equipamentos para automação industrial. A Altus nasceu numa incubadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1982.
 
Dez anos depois, ganhou um aporte do BNDESpar. Em 2007, uma nova capitalização foi feita pelo banco estatal, no valor de R$ 12 milhões, garantindo o crescimento anual de 25% de seu faturamento desde então. Em 2012, a Altus faturou R$ 112 milhões. ?Antigamente, a riqueza estava na descoberta de terras, de petróleo?, diz Felizzola. ?Hoje a inovação é o valor infinito do futuro.? Explicar, durante uma sabatina de dez minutos, o valor de uma inovação, e seu potencial de retorno, requer prática e habilidade. Não por acaso, entidades que promovem encontros, como a Abvcap ou a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que patrocina o Seed Forum, fazem uma pré-seleção de empreendedores que passarão pela banca dos investidores, e os submetem a um treinamento para afinar o discurso diante da plateia. 
 
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Florêncio, da ePrimecare: traquejo para convencer a banca
a investir R$ 6 milhões em sua empresa
 
Expor o plano de negócios, mostrar o potencial de mercado, mantendo um tom seguro diante da plateia, exige algumas horas de treino na frente do espelho, com um cronômetro ao lado (leia o quadro abaixo ?Dez dicas para atrair um sócio?). O empresário Bernardo Castro, de Florianópolis, dono da Arvus, que fabrica equipamentos de precisão para a agricultura e faturou R$ 10 milhões em 2012 ? 80 % a mais do que em 2011 ? , também passou por um fórum da Abvcap no ano passado. Castro explica que o grande desafio nesses encontros é escolher as palavras certas para dizer, sucintamente, o que seria possível contar ao longo de duas horas. 
 
?É preciso aprender a pensar diferente?, diz Castro. ?É importante, por exemplo, dar detalhes estratégicos do negócio, mas não contar tudo, deixando alguma dúvida no ar, para ser procurado depois pelos interessados.? Mais uma prova de que a atração de capital segue alguns rituais das conquistas afetivas. Depois de ser pedido em casamento, entretanto, o empreendedor deve estar disposto a cumprir outros requisitos importantes. É preciso abrir espaço para um sócio que vai interferir na gestão da companhia, e inserir procedimentos que, normalmente, não eram adotados. 
 
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Empresas de venture capital buscam negócios inovadores
 
Todos os passos serão auditados, as contas serão abertas, e a cobrança por resultados será muito maior. Até mesmo a contratação de novos funcionários terá o dedo do novo sócio. ?Selecionamos nosso diretor-financeiro em conjunto com nosso parceiro?, diz Gustavo Vieira, sócio de Bernardo Castro, na Arvus, que recebeu um aporte do fundo Criatec, do BNDES, há dois anos, em outro fórum. ?É olhar para a sua empresa sem apego.? Segundo João Marcelo Eboli, diretor do fundo de venture capital CRP, de Porto Alegre, há casos de empresários que tratam suas empresas mais como filhas do que como um negócio, e isso dificulta o entendimento. ?Precisamos estar alinhados com o empreendedor?, diz Eboli. 
 
O Sul do País tem sido um celeiro importante de negócios inovadores, como a Aquiris, empresa de games virtuais, fundada em 2006, que já chamou a atenção de um parceiro americano para a distribuição dos seus jogos mundo afora. Instalada no Parque Tecnológico da PUC do Rio Grande do Sul, a empresa, que emprega 31 funcionários, faturou cerca de R$ 3 milhões em 2012, 22% a mais do que em 2011.Os sócios já passaram pelo funil da banca de investidores e agora tentam captar R$ 2,5 milhões. ?É suficiente para garantirmos a estrutura de distribuição e suporte no Brasil, e ainda lançar novos jogos?, diz Sandro Manfredini, diretor comercial da Aquiris, que já está em conversas com alguns fundos. Agora, só falta casar de papel passado. 
 
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Roteiro de fóruns
 
Confira onde e quando serão realizados os próximos encontros entre empreendedores e investidores:
 
Congresso ABVCAP 2013 - São Paulo
Data: 15/4/2013 a 16/4/2013
Local: Hotel Grand Hyatt - Avenida das Nações Unidas, nº 13.301 - Itaim Bibi - São Paulo
 
Venture Forum 2013 - São Paulo
Data: 16/4/2013
Local: Hotel Grand Hyatt (Avenida das Nações Unidas, nº 13.301 - Itaim Bibi)
Realização: ABVCAP
 
Venture Forum Sul Brasileiro - Curitiba
Data: 25/6/2013
Local: Av. Comendador Franco, 1341 - Jardim Botânico ? Curitiba PR
Auditório II - Caio Amaral Gruber - Federação das Indústrias do Estado do Paraná ? FIEP
Realização: ABVCAP
 
Venture Forum Multisetorial BH - Belo Horizonte
Data: 28/8/2013
Local: Belo Horizonte
Realização: ABVCAP
 
Venture Forum Multisetorial Recife - Recife
Data: 15/10/2013
Local: Recife
Realização: ABVCAP
 
Venture & Seed Export Forum - São Paulo
Data: 26/11/2013
Local: São Paulo
Realização: ABVCAP e Apex-Brasil
Parceria Institucional: Fumin/BID
 
Informações sobre os seminários:
Leila Nobre
E-mail: lnobre@abvcap.com.br
Telefone: + 55 (21) 3970-2432
 
Christian de Castro
E-mail: ccastro@abvcap.com.br
Telefone: +55 (21) 3970-2432
 
Fontes:
 
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