Dinheiro em Ação

O mercado não está uma Brastemp

O mercado não está uma Brastemp

Na segunda-feira 11, três empresas – Brasmotor, Whirlpool, fabricante da Brastemp, e a tradicional indústria de brinquedos Estrela – anunciaram Ofertas Públicas de Aquisição (OPA) para fechar seu capital em Bolsa. As justificativas são o custo elevado e a ineficácia do mercado acionário como fonte de recursos. A essa lista somam-se outras duas companhias, a empresa de energia elétrica Redentor e a fornecedora de serviços de saúde Tempo Participações. No ano passado, nomes como Bematech e a tradicional Souza Cruz também saíram do mercado. Não é uma tendência recente: segundo o advogado Ary Oswaldo Mattos Filho, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 60 empresas deixaram a Bolsa entre 2005 e 2015.

Destaque no pregão 

Carf nega benefício à Gerdau

Na quarta-feira 13, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) negou à Gerdau o abatimento de Imposto de Renda e Contribuição Social para Lucro Líquido (CSLL), o que pode custar R$ 4 bilhões para a siderúrgica. Em comunicado, a Gerdau informou que espera reverter a decisão e que, por isso, não fará provisões. Em 16 de maio, a Polícia Federal indiciou o presidente André Gerdau Johannpeter por corrupção ativa. Ele é acusado de supostamente ter pago propina para interferir nas decisões do Carf. As ações chegaram a cair 6%, mas encerraram com alta de 4,5%. No ano, as cotações sobem 46%.

Palavra do analista: 
Analistas do JP Morgan afirmaram que “boa parte do efeito da derrota da empresa no Carf já estava precificada pelo mercado. Para o banco, as ações da Gerdau estão acima da média do mercado. Há ações de empresas com perspectivas melhores dentre os nomes do aço no Brasil.”

Touro x Urso

O aumento da liquidez internacional fez a Bolsa fechar, na quinta-feira 14, no maior nível desde maio de 2015. No mês, a alta acumulada é de 7,7%, e em 2016 o avanço é de cerca de 28%. O mercado refez as contas em relação ao impacto do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, e parece estar convencido de que os danos para a economia mundial estarão circunscritos ao Reino Unido. Nesse cenário, as perspectivas de que os juros nos Estados Unidos permanecerão baixos por mais tempo animaram os investidores. A alta de 2,4% nos preços do petróleo Brent, que fechou a US$ 47,37, também influenciaram as ações da Petrobras. Os investidores têm se mostrado animados com a vinda de dinheiro de fora para os mercados emergentes, embora mais de um gestor advirta que um súbito aumento na percepção de risco poderá reverter esse movimento de maneira abrupta.

Papéis Avulsos 

A Embraer e o futuro

A Embraer divulgou na terça-feira 12 as projeções de demanda de aeronaves nos próximos 20 anos. O relatório mostra retração nas encomendas de aviões com 70 a 130 assentos, nicho em que a empresa é líder global, com 50% das vendas e 60% das entregas. Em 14 anos já foram entregues 1.238 jatos E-Jets. A Embraer estima que 6.400 novos aviões sejam vendidos em duas décadas, o equivalente a US$ 300 bilhões. São 50 a mais que a previsão de 2014. Em 2011, porém, a companhia estava mais otimista. Ela esperava entregar 7.225 aeronaves de 30 a 120 assentos. Recuperar esses números será uma tarefa para Paulo César de Souza e Silva, o CEO que substituiu Frederico Curado.

Siderurgia 

Usiminas ganha tempo

Os credores da Usiminas deram mais 60 dias de prazo para a reestruturação financeira da siderúrgica, informou o BNDES na quarta-feira 13. Além do banco estatal, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil completam a lista. A Usiminas estaria negociando um aumento de capital de R$ 1 bilhão para financiar sua reestruturação financeira. Isso deu um ânimo às ações da empresa, que subiram 10,1% em julho, até a quinta-feira 14, e 42,4% no ano.

Mercado em números

BM&FBOVESPA
R$ 826,74 milhões –
 Foi o quanto o exercício de opções de compra sobre o Índice Bovespa movimentou na quarta-feira 13, com 15.810 contratos negociados.

BR PHARMA
R$ 377,8 milhões –
 É o valor que a rede de farmácias planeja captar em sua quinta emissão de debêntures, que pagará CDI mais 4% ao ano

EVEN 
R$ 268 milhões –
 Foi a receita da construtora no segundo trimestre. O número representa uma queda de 15% em relação às vendas de janeiro a março

DÍVIDAS
22,2% - 
Foi o recuo na captação interna e externa de empresas brasileiras em mercados de capitais no primeiro semestre em relação a 2015. Ao todo, o montante foi de R$ 66,5 bilhões

GRUPO PÃO DE AÇÚCAR
5% - 
Foi a alta na receita líquida consolidada do grupo, de R$ 16,7 bilhões no segundo trimestre do ano, em comparação ao mesmo período de 2015