FINANÇAS

Nº edição: 648 | Finanças | 05.MAR.10 - 16:00 | Atualizado em 14.05 - 15:29

Um banqueiro ao volante

André Esteves, do BTG Pactual, compra participação na Mitsubishi do Brasil, em seu primeiro investimento no mercado automobilístico

Por Hugo Cilo e Juliana Schincariol

No ano passado, o empresário Eduardo de Souza Ramos, representante da Mitsubishi Motors no Brasil, estava com os negócios em risco. Depois de registrar queda de 15% nas vendas de utilitários – enquanto concorrentes como a Hyundai cresciam na casa de 300% –, anunciou que iniciaria a produção de carros da concorrente Suzuki no Brasil.
 

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A notícia surpreendeu o mercado e logo ressoou na matriz da Mitsubishi no Japão, que ameaçava incorporar as operações brasileiras. Não demorou muito para que a direção da montadora nipônica voltasse atrás. Além de manter a marca sob seu comando, Souza Ramos virou o jogo. Nos próximos meses, deverá começar a produzir três modelos inéditos no País.

De contrato assinado e crise superada, nesta semana Souza Ramos deu o segundo passo. Para garantir a prometida reação da Mitsubishi no País, ele prepara um megaplano de expansão – que, desta vez, terá como peça-chave o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Na segunda-feira 1º, Esteves e seus sócios adquiriram uma participação minoritária na montadora brasileira.

Donos da maior rede de estacionamentos de São Paulo, a Estapar, e de uma rede de postos de combustíveis, os banqueiros agora terão assento no conselho e ajudarão a ditar os rumos da marca Mitsubishi no Brasil. A estratégia do BTG Pactual é acompanhar a nova onda de crescimento do PIB nos próximos anos.

“A Mitsubishi é a melhor plataforma de investimento em um segmento fortemente atrelado ao crescimento da economia brasileira”, justificou Carlos Fonseca, responsável pela área merchant banking do BTG Pactual. Apesar do ânimo dos parceiros, faltou transparência na divulgação da operação. Não foram revelados valores nem percentuais de participação. O sócio anterior de Souza Ramos, Paulo Arantes Ferraz, detinha 12% da companhia, mas desistiu do negócio.

Para Souza Ramos é importante ter o apoio de banqueiros que possam facilitar a atração de recursos e melhorar a gestão. “Somos amigos há mais de dez anos e temos negócios”, afirmou Souza Ramos à DINHEIRO. Sua montadora faturou R$ 4 bilhões em 2009, produzirá cerca de 40 mil unidades neste ano, possui 152 concessionárias e ainda emprega 3,2 mil pessoas.

 


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