ESTILO

Nº edição: 355 | 22.JUN.04 - 10:00 | Atualizado em 19.03 - 12:20

Revolução masculina

É definitivo: os homens já fazem tratamentos de beleza, freqüentam spas e compram produtos antes destinados às mulheres

Por Por CAROL CARLONI

As mudanças de comportamento correm mais rápido que as estatísticas. Sempre que uma pesquisa aponta um novo resultado, surpreendentemente parecido com o que se vê nas ruas, é indício que um novo estilo de vida tornou-se inescapável. O mais recente movimento a ser flagrado pelas enquetes é a vaidade masculina. O Ibope ouviu 5.312 homens e verificou que, em 2004, 68% deles usam perfumes – em 2001, eram 66%. Outros 35% dizem utilizar com freqüência cremes para as mãos e o corpo – há três anos, eram 30%. São dados que confirmam uma pequena revolução masculina.

 


O ambiente mudou, embora ainda não seja tão liberal e saudável como nos Estados Unidos ou na Europa. Mas há algo de novo no País. “Hoje 25% dos meus pacientes são homens”, diz o dermatologista e cosmiatra Otávio Macedo, de São Paulo. É um movimento que provoca saltos na economia. A oferta de produtos de beleza feito sob encomenda para o público masculino é grande. Marcas como L’Oreal, Nívea, Lancôme, Clinique e Anna Pegova, tradicionalmente femininas, já aparecem nas prateleiras dos homens. Não há, ainda, cifras que dividam a venda de produtos por gênero de sexo, mas as cifras indicam o fenômeno. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, de 1998 a 2003 os cremes pós-barba tiveram um salto no consumo de 200%. Faturavam R$ 26,4 milhões há seis anos e hoje respondem por R$ 79,3 milhões.

Deu-se uma outra explosão também em clínicas e spas. O paulista Rodrigo Ustulin, de 31 anos, gerente de contas da Vivo, é cliente fiel da S/A Barbearia, inaugurada em novembro de 2003 em São Paulo. “Foi ótimo deixar de ir ao cabeleireiro, onde só se escuta fofocas de mulheres”, diz Ustulin, com o atávico e leve tom machista. “Agora faço minhas unhas e corto meu cabelo em um ambiente em que me sinto bem”. Ustulin, apontam os dados de uma pesquisa feita pelo médico Macedo, foi um dos 30% de homens a procurar clínicas de estética por conta própria – os 70% restantes são estimulados pelas mulheres. O empresário Leo Benatti é deste segundo grupo. Sua mulher freqüentava o Essential Spa, em São Paulo, e gostou tanto que lhe deu de presente 10 sessões de tratamento estético. “Vou religiosamente todas as segundas-feiras”, diz Benatti. Além de fazer tratamentos com argila-hidratante e massagens, ele também tira um tempo para relaxar. “É um espaço para você se tornar mais feliz consigo mesmo”, resume Benatti.


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