FINANÇAS

Nº edição: 353 | 08.JUN.04 - 10:00 | Atualizado em 16.04 - 14:18

Agiota: uma ameaça ao sistema

Empréstimos criminosos a juros extorsivos crescem 25% ao ano, fazem 2 milhões de vítimas e preocupam o Banco Central

Por Por Paula Pavon

A bancária Kátia, 57, descobriu um novo jeito de ganhar dinheiro: transformou-se numa agiota há nove anos. “Essa profissão me dá lucro”, diz, sem revelar o sobrenome. Agiotas como ela chegam a cobrar 20% de juros ao mês, o dobro da taxa de crédito cobrada pelos bancos. Não se sabe ao certo quantos são, mas eles estão na mira do Banco Central. “Estamos preocupados com a quantidade de denúncias”, diz João Evangelista de Sousa, chefe do Departamento de Atendimento ao Consumidor do Banco Central. As estatísticas sobre o assunto são escassas e desatualizadas. A mais recente que se conhece – uma pesquisa feita pela Secretaria de Direito Econômico no ano 2000 – revelou que a agiotagem atinge 2 milhões de brasileiros e movimenta R$ 10 bilhões ao ano. Como as reclamações das vítimas crescem à proporção de até 25% ao ano, este número hoje já pode ter mais do que dobrado. Em 2003, os casos relatados ao Banco Central somaram 287. Só nos primeiros quatro meses deste ano, eles já chegaram a 120. Seguindo este ritmo, até dezembro serão 360. Parece pouco, mas esses são apenas os casos que chegam ao BC.

Numa ação conjunta, Ministério Público, Polícia Federal e Banco Central tentam fechar o cerco contra os agiotas. Em São Paulo, discute-se até a criação de uma delegacia específica para este tipo de crime. No mês passado, dois esquemas que envolviam quadrilhas organizadas foram descobertos, resultando até em uma rara prisão de agiota. Um dos casos é de um empresário de São José dos Campos, que foi preso depois de atuar por seis anos na região. “Ele usava uma empresa de fachada para atrair a clientela e movimentou milhões com a agiotagem”, diz o procurador José Guilherme da Costa, do Ministério Público Federal. O acusado exigia da vítima, a título de garantia, a assinatura de contratos passando imóveis e outros bens para o nome dele. Como os juros chegavam a 20% ao mês, a vítima dificilmente conseguia pagar a dívida e acabava perdendo os bens. Outras denúncias, vindas do BC, levaram à descoberta de um agiota na região de Jacareí, interior de São Paulo. Na semana passada, ele foi acusado pelo Ministério Público de cometer crime contra o sistema financeiro e contra a economia popular. “Seu alvo principal eram pessoas que tinham o nome sujo e não conseguiam crédito nos bancos”, diz o procurador Angelo Augusto Costa, do Ministério Público Federal. O agiota mantinha uma empresa de intermediação financeira e cobrava juros de até 500% ao ano. Um dos maiores esquemas de agiotagem do País foi descoberto no final de 2003, em Brasília. Uma empresa de fachada, a BSB Habitação, lesou 6 mil pessoas. Além de cobrar juros elevados, a firma vendia consórcios e não entregava o produto.

Um dos principais motivos para as pessoas procurarem um agiota é a dificuldade de acesso ao sistema financeiro. “Os bancos são extremamente rigorosos para conceder crédito até para quem tem conta”, diz Aluísio de Araújo, professor de economia da FGV. A expectativa no momento é que o programa de microcrédito lançado pelo governo federal tire as pessoas do crédito marginal. Neste ano, a Caixa Econômica Federal já ofertou R$ 164,2 milhões de empréstimos. “Com essa iniciativa começamos a tirar as pessoas da agiotagem”, diz Jorge Mattoso, presidente da Caixa.

Ao pegar o empréstimo com um agiota, as vítimas acreditam que conseguirão pagar os juros, mas a dívida cresce muito rápido. “Pedi R$ 4 mil emprestados, paguei R$ 10 mil e o agiota ainda dizia que eu devia R$ 20 mil”, diz o funcionário público M.O., de 34 anos, que ganha R$ 2 mil por mês. Pelos dados da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo), a vítima geralmente é um pai de família da classe média. “Recebemos várias denúncias de pessoas que caíram nas mãos do agiota pela aparente facilidade de obter crédito desse jeito”, diz Ademar Gomes, presidente da Acremesp. As vítimas procuram a entidade sob sigilo, pois têm vergonha de ser identificadas por amigos. Quando chegam a fazer a denúncia é porque já estão tendo até a família ameaçada de morte.

 



NÚMERO DE GOLPES



287
em 2003




120
até abril 2004
Fonte: Banco Central



 

 



COMO ATUA O AGIOTA

• Cobra juros de até 20% ao mês
• Faz o empréstimo sem exigência de fiador
• O dinheiro é liberado na hora
• Exige cheques, carro ou imóvel como garantia
• Está instalado em sobrelojas sem placas, geralmente no centro da cidade
• Faz ameaças de morte caso o tomador do crédito deixe de pagar




 

 



ONDE DENUNCIAR



Banco Central
0800-992345
www.bcb.gov.br




Associação dos Advogados Criminalistas
do Estado de São Paulo Acrimesp
acrimesp@aol.com

 


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    em 06/04/2014 20:43:50

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      em 05/03/2014 12:12:18

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      • Mateus Castilho

        em 17/06/2013 14:37:32

        Sr. Charles Santana, Me passe o numero de seu amigo, estou precisando de um valor. Segue meu e-mail: mateus_2807@hotmail.com

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        • carlos

          em 08/10/2012 23:59:34

          Alguem poderia me passar o contato de um agita meu cel 016 93497005

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          • Charles Soares Santana

            em 30/07/2012 15:29:44

            Vc acha q o agiota é o patinho feio e só quer defender o sistema financeiro pq paga impostos aos políticos corruptos p/ comprar joias p/ suas amantes. Já tomei dinheiro emprestado de um amigo q é agiota, ele cobrou 10% e paguei tranquilamente. Foi muito bom. Pior é o cartão de crédito q chega a 22%.

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            • jose aparecido da silva

              em 15/04/2012 16:25:42

              O MAIOR AGIOTA DOS AGIOTAS SÃO OS BANCOS,FIZ UM CONSTRUCARD NA CAIXA,LOGO DE CARA ME OBRIGARAM A COMPRAR UM TITULO DE CAPITALIZAÇÃO,JÁ PAGUEI 2 ANOS E NÃO AMORTIZOU QUASE NADA ELES SÃO OS VERDADEIROS AGIOTAS PIOR AINDA FOI QUANDO EU FINANCIEI A MINHA 1° CASA NA CAIXA ME OBRIGARAM A COMPRAR 5 SEGUROS

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              • wagner monteiro

                em 09/03/2012 16:03:41

                de vez enquando pego dinheiro com agiota, ele cobra 10% se a gente vai ao banco com todas as tarifaz que cobraam passa tranquilamente dos 15% fora a burocracia, tratam a gente com desrepeito pensando que estamos pedindo esmolas, nao sou contra os agiota eles ajudam e muito

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                • eunão posso dizer

                  em 08/05/2011 22:21:37

                  Estou sendo ameaçado por agiotas.Eles agem por toda baixada fluminense.RJ estou com medo de represária por isso não posso falar muito .Eles estão me ameaçando . Gostaria de saber se vcs podem divulgar alguma matéria .Pq a policia não vai me defender. O ministério publico tbm não confio.

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