MERCADO DIGITAL

Nº edição: 503 | 16.MAI.07 - 10:00 | Atualizado em 03.04 - 05:17

Este garoto recusou US$ 1 bilhão

Ele criou o Facebook, novo fenômeno da internet, há apenas três anos. E agora esnoba propostas bilionárias

Na mais recente edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, um garotão de 22 anos debutou entre as estrelas do capitalismo global, convidado como conferencista. Perguntado sobre o que achou da experiência, Mark Zuckerberg foi sucinto: “Foi legal. Eu até usei sapatos.” Zuckerberg é o rapaz de chinelos na foto aí ao lado. Desdenhar sua passagem por Davos não representa um grande feito em seu currículo. Há três anos, ele esnobou e abandonou um curso na universidade de Harvard, depois de ter invadido os computadores da instituição, para apostar em uma recém-criada empresa de internet. E, heresia suprema, disse não, recentemente, a uma proposta de US$ 1 bilhão, feita pelo gigante Yahoo, para vender seu emergente negócio. É isso aí. Ele recusou US$ 1 bilhão – e antes já havia rejeitado outra oferta, de US$ 750 milhões do grupo de mídia Viacom – pelo Facebook, uma das novas estrelas da rede. Pouco conhecido no Brasil, o Facebook é uma ferramenta para a formação de comunidades na internet. Possui apenas três anos, mas já tem 19 milhões de usuários registrados, atua em 28 países e sua receita estimada para 2007 é de US$ 100 milhões. Trata-se de um fenômeno. Mas recusar todo esse dinheiro por um negócio de futuro incerto, ainda assim, não parece insanidade?

Façam suas apostas. De Wall Street, em Nova York, ao Vale do Silício, a meca da tecnologia na Califórnia, a desconfiança geral é a de que o garoto e sua turma – incluindo veteranos investidores que já destinaram, em capitais de risco, cerca de US$ 50 milhões à empresa – podem ter deixado passar um bonde que não volta mais. Zuckerberg, mais uma vez, desdenha. “Estamos aqui para fazer algo de longa duração”, afirma. “Todo o resto é distração.” Para ele, sua empresa tem pouco a ver com os grupos de mídia que rondam sua porta. “Somos uma companhia de tecnologia”, diz. Uma firma que nasceu nos dormitórios de Harvard, fruto de uma idéia de Zuckerberg, em abril de 2004. Ele queria criar uma rede interna, em que os estudantes da universidade pudessem estudar em grupo, trocar experiências e se conhecer melhor. Pediu à instituição que lhe desse acesso aos arquivos dos alunos. Requisição negada, agiu como um hacker. Entrou nos computadores da universidade, tomou os dados e foi em frente. Descoberto, fez um pedido público de desculpas aos colegas, mas manteve o site no ar. Em quatro horas, teve 450 visitantes. Abandonou Harvard, mudou-se para a Califórnia e decolou.

De Harvard, o site expandiu-se para outras universidades, escolas de nível médio, empresas, e foi ganhando recursos financeiros e tecnológicos. Em pouco mais de seis meses, batia a casa de um milhão de usuários. Concorrente de sites de relacionamento como Orkut e MySpace (comprado por US$ 580 milhões pelo magnata Rupert Murdoch), o Facebook adotou como diferencial o modelo de só permitir a formação de redes de pessoas que tenham, de fato, algo em comum – a escola, a empresa, uma associação, etc. Hoje, funcionários de empresas como CNN, IBM, McDonald’s e Toyota possuem redes próprias entre as 47 mil registradas no site, que gera um tráfego de 30 bilhões de páginas vistas por mês e já é o sexto mais acessado nos EUA. Zuckerberg não se abala com o sucesso explosivo. Ainda mora em um apartamento alugado, mobiliado com um colchão, uma mesa e duas cadeiras e ainda vai de bicicleta ao trabalho. Nos pés, calça apenas chinelos.


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