FINANÇAS

Nº edição: 427 | 16.NOV.05 - 10:00 | Atualizado em 13.06 - 15:17

O lucro de R$ 4 bilhões do Bradesco

Banco anuncia ganho recorde e disputa centavo a centavo com o Itaú a liderança em valor de mercado

Por Por ALEXANDRE TEIXEIRA

O número, por si só, é arrasador. Quatro bilhões de reais de lucro líquido, acumulados apenas entre janeiro e setembro deste ano. O ganho, divulgado pelo Bradesco na segunda-feira 7, é o maior da história para um banco brasileiro em um período de nove meses. Mas tem mais. O desempenho do maior banco privado do País supera, pelo quarto trimestre consecutivo, o de seu arqui-rival Itaú – que acumulou “apenas” R$ 3,82 bilhões de janeiro a setembro. Mais ainda. O status de banco com maior valor de mercado da América Latina, historicamente ostentado pela instituição da família Setubal, está ameaçado – talvez até superado. O “placar” na própria segunda-feira era de R$ 59,766 bilhões para o Itaú contra R$ 59,754 bilhões para o Bradesco. Praticamente um empate técnico. Já pelos cálculos da consultoria Economática – que desconsidera as ações preferenciais em poder das tesourarias dos próprios bancos – o Bradesco aparece à frente desde a virada do mês. No último dia 4, seu valor de mercado era de R$ 56,9 bilhões, contra R$ 54,6 bilhões do Itaú. Por este critério, o banco comandado pelo ex-contínuo, ex-gerente e atual presidente Márcio Cypriano já ultrapassou seu mais duro competidor em uma disputa obsessivamente travada, cabeça a cabeça, ao longo dos últimos anos.

Não por acaso, uma parcela considerável dos 75 mil funcionários do Bradesco passou o fim de semana anterior à divulgação do balancete do banco em uma ansiedade atípica à espera do relatório. A pergunta no ar era: “será que passamos o Itaú?” Nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, quando o resultado veio a público, a expectativa virou euforia. “Foi uma eclosão de telefonemas. Dezenas de e-mails de cumprimentos de toda a nossa rede de agências”, conta Cypriano. O valor de mercado do Bradesco cresceu uma vez e meia no período de 12 meses encerrado em setembro, o que é ótima notícia para os investidores. Suas ações ordinárias (com direito a voto) valorizaram-se 179,7%. As preferenciais ganharam 138,1%. Para os empregados da casa, porém, o que não tem preço é virar o jogo em cima do concorrente com fama de mais eficiente. “Estamos mostrando ao mercado uma outra face. A de um transatlântico com agilidade de lancha”, resume o presidente do Bradesco.

Cypriano atribui a arrancada do Bradesco nos últimos meses ao bom desempenho em financiamentos e empréstimos – atividade que, pelas suas contas, fechará este ano com crescimento de 25% em relação a 2004. “O banco se especializou em crédito”, diz. Fez isso por meio de acordos operacionais com as Casas Bahia e outros varejistas, com a compra das financeiras Finasa e Zogbi e de carteiras de crédito de bancos médios, como Panamericano, BMC e Cruzeiro do Sul. De 1997 para cá, o Bradesco comprou 16 bancos. “Inicialmente, este investimento significa custo. Aos poucos, prevalece a economia de escala”, nota o banqueiro.

“O Bradesco mudou seu patamar de rentabilidade há um ano”, afirma Bruno Pereira, analista de bancos do UBS. O fundamental, para ele, foi a mudança do foco do crescimento via aquisições para a redução de custos e a melhora dos níveis de eficiência. “De certa forma, é algo que o Itaú fez tempos atrás e já lhe rendeu ótimos resultados”, nota Pereira. Agora, é a vez do Bradesco.


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