ECONOMIA
Nº edição: 616 | 24.JUL.09 - 10:00 | Atualizado em 07.02 - 13:15
O olhar severo do Cade
O órgão de defesa da concorrência, que já foi visto como decorativo, aplica na Ambev a maior multa da história do País e deixa muitas empresas em alerta
Por GUSTAVO GANTOIS



Sessão do cade, na quarta-feira 22: além da penalidade imposta à Ambev, o órgão regulador também multou a Telefonica em R$ 1,9 milhão
Há muitos anos não se viam tantos advogados nos corredores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Na quarta-feira 22, por unanimidade, seis conselheiros do órgão antitruste decidiram aplicar a maior multa da história a uma empresa acusada de concorrência desleal. A Ambev, maior cervejaria do País, com quase 70% do mercado nacional, foi condenada a pagar R$ 352,6 milhões por conta de um programa de fidelização de pontos de venda no varejo, denunciado pela concorrente Schincariol. A multa equivale a 22% do lucro registrado pela multinacional no primeiro trimestre deste ano. "Práticas comerciais que podem ser lícitas em uma pequena empresa podem ser anticoncorrenciais quando feitas por grandes marcas", disse o conselheiro Paulo Furkin. A decisão, ainda que venha a ser questionada na Justiça, revela uma quebra de paradigmas nos órgãos reguladores. Não faz muito tempo, grandes empresários tratavam com desdém as decisões do xerife da concorrêcia. "Cansei de ouvir empresários dizerem que o que o Cade faz, a Justiça desfaz", afirma o advogado Ruy Coutinho, ele próprio ex-presidente do órgão.
Aos 15 anos de vida, o Cade possui, hoje, a mais jovem composição de sua história. É justamente essa gestão a que vem sendo considerada como a mais rígida na aplicação da lei anti-truste. Se no passado o órgão podia ser visto como meramente figurativo, os novos integrantes não têm medo de comprar briga com os pesos-pesados da economia brasileira. E a decisão mais severa da história foi aplicada justamente à empresa que, no passado, era apontada como símbolo da leniência dos órgãos reguladores. Há dez anos, quando a Ambev foi formada, fruto da fusão entre Brahma e Antarctica, o argumento da criação da "multinacional brasileira" permitiu a operação sem maiores restrições.
Nessa nova fase do Case, o presidente Arthur Badin conseguiu impor um ritmo de trabalho frenético. Na mesma reunião em que multou a Ambev, outros 30 processos foram analisados, entre eles o que também aplicou uma multa, de R$ 1,9 milhão, à Telefonica por descumprimento parcial de medidas impostas pelo Cade sobre a oferta de provedores de internet. Esse processo que começou em 2005, quando o próprio Badin era procurador-geral do Cade. Naquele ano, apenas R$ 2 milhões relativos a multas foram inscritos na dívida ativa. Nos dois anos seguintes o volume saltou para R$ 1 bilhão. "Isso ocorreu não porque o Cade condenou mais nesse período", disse Badin à DINHEIRO. "Passamos a focar o contencioso para que as decisões saíssem do papel".

Nem sempre é o que ocorre. Muitos casos arrastam-se durante anos nos tribunais. "o grande problema do Judiciário, que prejudica todas as agências reguladoras, é a prodigalidade na concessão de liminares", ataca Badin. Num caso envolvendo a mineradora Vale e a CSN, a pendenga encerrou-se quase dois anos após a decisão do Cade, favorável à siderúrgica. Mas o mesmo não pode ser dito sobre a aquisição da Garoto pela Nestlé. Ela foi vetada pelo Cade em 2004, mas a multinacional suíça continua controlando a empresa de chocolates graças a decisões judiciais.
Entre as empresas, é comum ouvir críticas à maneira como o órgão atua. um dos advogados da Ambev, ouvido sob a condição do anonimato pela DINHEIRO à saída do julgamento, não economizou nas farpas. "a SDE, que tem mais cabeça no lugar, não recomendou nenhuma multa. Por que o Cade tem de mudar um parecer que foi feito de forma razoável?", questionou. Oficialmente, a Ambev diz que ficou surpresa com o resultado e vai esperar a íntegra da sentença para decidir se recorre à Justiça.
Em média, um processo leva 120 dias para chegar ao plenário do Cade. Muitas grandes operações, como as fusões entre oi e Brasil Telecom, Sadia e Perdigão e Itaú-Unibanco estão na fila (leia quadro abaixo). Em 2008, o órgão julgou 809 fusões e aquisições em 2008 e, até junho deste ano, foram 287. Para dar conta da demanda, 200 funcionários serão contratados. "A importância do Cade aumenta a cada ano, pois é ele que tem de responder a um movimento crescente de concentração das empresas, um imperativo da globalização, e ao mesmo tempo manter a concorrência em bases legítimas", diz o empresário Horácio Lafer Piva, da Klabin.
Desde o início do mês, seguindo determinação do advogado-geral da união, Antonio Dias Toffoli, os procuradores do órgão estão impedidos de atuar nos tribunais superiores, o que facilita os recursos das empresas. No mercado, a decisão mais recente também foi vista como um acerto de contas com o passado. Perguntado se o órgão havia errado ao autorizar a criação da Ambev, em 1999, o conselheiro Fernando Furlan preferiu silenciar. "O importante é que, depois da fusão, nós monitoramos e fiscalizamos a atividade econômica", afirmou.

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- comentários (19)
- Sua opinião
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Waldivino Ferreira Maia
em 02/01/2012 02:44:12
Gostaria de ressaltar a falta de compromisso de quem editou está , pois se considerar os erros de português e de concordância, veremos que precisa ser mudado algumas coisas, por gentileza verifiquem a matéria antes de ser posta.
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Beto Ferreira
em 15/11/2011 19:17:37
Até ser divulgado comprovante de pagamento da multa isto tudo é balela...fogos de artificio!!! Pode até ser multada, mas não paga e pronto!!!
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Joao da Silva
em 12/11/2011 08:53:40
Ta Faltando mostra o resultado da Investigação do cartel do CIMENTO ?
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Araci Iva de Araujo
em 16/09/2011 23:24:13
Concordo com o CADE e acho,salvo melhor juízo, que as suas decisões não deveriam ser questionadas na justiça.Mas, cadê o dinheiro das multas? Onde são aplicadas?
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jaderdavila the small shareholder
em 16/08/2011 08:21:27
eu voto pela extinçao desse cade. tem fusao que tem que ser campeao nacional pra poder competir no planeta, , ou vem o chines e compra todos eles.
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Gustavo C Cavalcanti
em 15/08/2011 11:05:16
No caso da ambev que na época tinha mais de 90% de share,aprovaram sem nem fazer um estudo se ia prejudicar outras empresas.Diziam que era para fortalecer as empresas nacionais, que haveria n ào demissões,ou seja,tudo ao contrário do que foi falado.Demitiu muita gente e em seguida foi vendida.
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luis antonio de lelis gomes barbosa
em 28/02/2011 17:35:43
A Ambev com a fusão exterminou distribuidores sem sujar as maos. Fermentou entre as empresas distribuidoras falências e direcionou o mercado para monopólio comercial. Olhe que no Rio grande do sul existiam mais de 100 distribuições, hoje nao passam de 17 distribuidoras.
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Anderson Santos
em 26/01/2011 08:01:23
É importante a atuação do CADE na regularização da concorrência no mercado brasileiro. Mas será que essas multas astronomicas dão certo ?? Não é mais facil que as empresas estejam ciente do que pode ou não pode ser feito, as empresas devem consultar o CADE antes. Pra onde vai o dinheiro das multas ?
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Antonia Cleidiane Rocha Lima
em 07/01/2011 11:25:21
Saudações leitores da Isto é! Sou estudante de Economia na UFC-Universidade Federal do Ceará. Sobre o caso da decisão do CADE para a Ambev, não a considero injusta. Creio que esse orgão tem procurado melhorar no sentido de cumprir o seu real dever, que é preservar a concorrência econômica.
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rildo gonçalves de sousa
em 17/12/2010 23:49:34
falta moralização da justiça que é morosa e corporativísta a instancia deve ser única não se arraste por anos afim. manobras júridicas se acabariãm .Mais poderes as agências reguladoras para acatar o resultado.
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JOSE BATISTA
em 17/12/2010 21:56:09
CREIO QUE O CADE DEVERIA VIR AQUI NO SUL DO PAIS E VER O QUE A COCA COLA, EL OBRIGA OS COMERCIANTES A TRABALHAR COM SEUS PRODUTOS, E NÃO PODEM COLOCAR OS PRODUTOS DA AMBEV, VISITEM OS SHOPPING DAQUI, PORQUE A COCA PODE FAZER ISSO, CADE O CADE AQUI, EU GOSTO DE GUARANA ANTARTICA E NÃO CONSIGO TOMAR.
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em 08/12/2010 14:54:55
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hans schneider
em 30/10/2010 08:34:42
e adianta imputar uma sentença dessas? o cade só seria um órgão regulador se suas decisões não pudessem ser quastionadas na justiça.e como a maioria dos ministros como o elitista e vendido gilmar mendes é a favor de qualquer coisa que prejudique a livre concorrencia e o povão, então ja sabe né...
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FHC
em 04/05/2010 14:39:09
como se a Inbev sofresse com isso, coitadinha da schil porcaria de cerveja, não sabem nem saber uma propaganda direito(paris hilton), a Schil merece ir a falencia porque é uma droga de empresa
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www.ligueimovel.com.br
em 24/04/2010 16:34:30
procurando imovel??? www.ligueimovel.com.br
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