FINANÇAS

Nº edição: 750 | Finanças | 16.FEV.12 - 20:00

O aperto dos bancos médios

Queda dos juros e da venda de carteiras de empréstimos comprimiu os resultados, mas uma alteração nas regras do depósito compulsório vai aliviar o arrocho.

Por Cláudio GRADILONE

Norberto Zaiet Junior, vice-presidente de finanças do Banco Pine, é um dos poucos executivos de bancos de médio porte que podem comemorar não só os resultados de 2011, mas também as perspectivas para 2012. Ao anunciar um lucro de R$ 161 milhões no ano passado, crescimento de 36% em relação ao exercício anterior, Zaiet disse estar otimista. “Nossa carteira de crédito avançou 20,5% e deve continuar crescendo neste ano”, afirmou ele, sem revelar números. A diferença do Pine para alguns dos seus concorrentes é atuar preferencialmente com empresas de grande porte, que faturam mais de R$ 500 milhões por ano. Atividades de varejo, nem pensar. “Operamos segmentos com os empréstimos consignados e o financiamento de veículos entre 2005 e 2008, mas saímos desses negócios e não pretendemos voltar”, diz Zaiet Junior. 

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O Pine é uma exceção entre os bancos médios. Premidos pela queda dos juros, pela desaceleração da concessão de empréstimos e, principalmente, pela resistência dos gigantes de mercado em comprar suas carteiras de crédito, essas instituições financeiras vêm atravessando uma fase de aperto comparável à do segundo semestre de 2008 e à do fim de 2010. Com um agravante. Naqueles momentos, as dificuldades foram provocadas por eventos específicos, como a crise do subprime nos Estados Unidos e a descoberta do rombo no PanAmericano. Atualmente, o que vem apertando os números dos bancos são condições normais de mercado. Pior, esse cenário só tende a se agravar ao longo dos próximos meses, e fez até o Banco Central (BC) intervir, alterando as regras do jogo para tirar essa turma do sufoco.
 
Embora poucas instituições já tenham divulgado os números completos para 2011, uma avaliação dos resultados até setembro mostra um drástico encolhimento das margens. Uma pesquisa da consultoria Austin Ratings, especializada na avaliação de instituições financeiras, realizada com exclusividade para a DINHEIRO mostra que a margem bruta de uma amostra de 21 bancos médios caiu de 44% em setembro de 2010 para 32,4% em setembro de 2011. “Os números mostram que os bancos estão ganhando menos ao conceder empréstimos”, diz Luís Miguel Santacreu, analista da Austin Ratings. Segundo ele, o principal fator para a piora dos resultados foi a interrupção do processo de venda de carteiras de crédito. 
 
Essa atividade vinha funcionando como uma relação simbiótica entre pequenos e grandes bancos. Os pequenos emprestavam mais do que poderiam, e vendiam esses créditos excedentes para bancos maiores, ganhando dinheiro na intermediação e obtendo capital para repetir o processo. Após a crise do PanAmericano, o BC mudou as regras. Em vez de embolsar todo o ganho de uma vez, o banco vendedor terá de esperar que o comprador receba o dinheiro dos clientes antes de contabilizar o lucro. Isso travou o mercado, e reduziu as receitas. Outro problema, também provocado pelo PanAmericano, foi a desconfiança dos grandes bancos. A fraude bilionária no banco controlado pelo empresário Sílvio Santos lançou uma sombra sobre esses negócios. 
 
“Isso reduziu drasticamente a capacidade de esses bancos gerarem novos empréstimos”, diz Mário Pierry, analista do Deutsche Bank especializado no setor financeiro. Outro problema é que as pequenas e médias empresas, clientes tradicionais dessa turma, entraram na alça de mira dos bancões. Embora descarte a hipótese de que essas instituições venham a ter problemas, Pierry avalia que é elevada a possibilidade de uma onda de consolidação no setor, com bancos médios comprando uns aos outros. O movimento só não será tão drástico devido a uma resolução do BC do dia 10 de fevereiro, reduzindo a remuneração dos depósitos compulsórios. “A ideia é estimular os bancos grandes a comprar carteiras dos menores para voltar a movimentar esse mercado”, diz Pierry. 
 
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