NEGÓCIOS
Nº edição: 749 | Negócios | 10.FEV.12 - 21:00
Apertem os cintos, o piloto assumiu
Conheça os planos do americano Thomas W. Horton para que a American Airlines volte a voar em velocidade de cruzeiro.
Por Marcio ORSOLINI
Um dia depois de a companhia aérea American Airlines (AA) pedir concordata, em novembro do ano passado, o executivo americano Thomas W. Horton, 50 anos, foi alçado ao cargo de CEO, no lugar de Gerard Arpey. “Fui pego de surpresa”, disse ele à DINHEIRO. Na cadeira mais importante daquela que já foi a maior aérea do mundo – e atualmente é a terceira –, Horton, cujo hobby é pilotar, inclusive Boeings 777, da própria AA, terá de arregaçar as mangas para que a gigante volte a voar. A escolha de um executivo da área de finanças, como Horton, diz muito sobre o que os acionistas esperam do novo comandante para diminuir a dívida de US$ 29,6 bilhões: cortar, cortar, cortar.

Thomas Horton, ceo da American Airlines: "Vamos renegociar as dívidas,
os contratos de leasing e trabalhistas para tornar a empresa mais eficiente"
Mas ele diz que fará isso sem prejudicar o crescimento da companhia. “Claro que é necessário fazer ajustes, mas queremos continuar crescendo”, afirma (leia entrevista ao final da reportagem). Para saber exatamente onde precisava passar a faca, ele decidiu ver de perto os problemas. Desde que assumiu o cargo, viajou 20 vezes para os principais destinos da empresa. “Quis ouvir as equipes locais para saber em que podia mexer”, diz. No ambicioso plano de recuperação, a empresa espera poupar anualmente US$ 3 bilhões até 2017, sendo que US$ 2 bilhões serão obtidos com redução de custos e US$ 1 bilhão mediante o aumento de receita. A primeira pisada no freio de Horton foi o corte de 13 mil funcionários do total de 80 mil.

Gerard Arpey, ex-ceo: o executivo deixou a American Airlines após o pedido de recuperação judicial.
Sob seu comando, uma dívida de US$ 29,6 bilhões.
Com isso, a empresa economizará US$ 1,25 bilhão em cinco anos. O plano consiste também em renegociar as dívidas e os contratos de leasing das aeronaves. Entre seus credores está o BNDES, a quem a AA ainda deve US$ 1,6 bilhão do total de US$ 3,5 bilhões obtidos para a compra de aproximadamente 200 aeronaves da Embraer entre 1998 e 2002. Uma das possibilidades é devolver algumas delas para quitar o valor. Parte da economia se deve justamente à renovação da frota. Em julho de 2011, a AA fez a maior encomenda da história do setor quando comprou 460 aeronaves da Boeing e da Airbus por US$ 13 bilhões. Os modelos Boeing 737 e Airbus 320 serão entregues entre 2013 e 2022 para substituir parte da frota de 900 aeronaves.

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