INVESTIDORES

Nº edição: 749 | Investimentos | 10.FEV.12 - 21:00 | Atualizado em 23.05 - 14:44

Calor no pregão

Bolsa surpreende e sobe 15% desde o fim de 2011, e ainda há muito espaço para ganhar dinheiro. Saiba o que os analistas recomendam.

Por Fernando TEIXEIRA

Depois de passar 2011 dando um banho de água fria nos investidores, o mercado acionário iniciou 2012 a todo vapor. Até a terça-feira 7, o Índice Bovespa acumulou uma valorização de 15%, revertendo quase todas as perdas do ano passado (18,1%). Boa parte dessa alta veio da injeção de dinheiro dos investidores internacionais, que trouxeram R$ 7,2 bilhões líquidos ao mercado em janeiro, o maior saldo líquido mensal desde janeiro de 1994. “O fluxo de recursos internacionais está muito forte, e nós esperamos que continue assim em razão das boas condições do mercado doméstico e das boas perspectivas para as empresas brasileiras”, diz Eduardo Jurcevic, principal executivo da corretora Santander. 

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Ainda é hora de comprar? Quais são as ações recomendadas? Para responder a essas perguntas, DINHEIRO ouviu analistas dos principais bancos e corretoras. Para Mário Saldanha, analista gráfico da Cedro Finances, a melhor estratégia são os movimentos de curto prazo. “Os gráficos mostram que o Ibovespa pode chegar perto dos 70.000 pontos em poucos meses”, diz. “Claro que em algum momento, os investidores devem vender ações e o índice pode recuar para perto de 64.000 pontos, mas seria um movimento temporário.” Em 2011, o indicador registrava 67.403 pontos em janeiro e fechou o ano com 56.754 pontos.
 
Já para os analistas fundamentalistas, que se baseiam no desempenho das empresas e dos setores, ainda é cedo para saber se o Ibovespa acima dos 65.000 pontos é uma correção de mercado ou um retorno dos investidores estrangeiros para o Brasil. “Os juros dos títulos europeus foram menores que o esperado e os EUA devem manter os juros baixos. Onde os investidores vão ganhar dinheiro?”, questiona William Castro Alves, analista da XP. Leonardo Milane, estrategista da Santander Corretora, também não sabe a duração dessa melhora na bolsa, mas acha que “agora é um momento propício para entrar na bolsa”. Marcelo Varejão, analista da Socopa, diz que o desempenho da bolsa deve continuar bom nos próximos meses. 
 
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Só haverá alteração no cenário se os grandes investidores tiverem de cobrir rombos financeiros na Europa. “Eliminaríamos essa dependência dos estrangeiros se tivéssemos mais empresas listadas na bolsa e se aumentássemos a participação de pessoas físicas e investidores institucionais brasileiros.” No que depender de Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, as preocupações de Varejão serão sanadas este ano. Pinto acredita que entre 40 e 45 empresas vão fazer oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no Brasil assim que as condições internacionais melhorarem. Confira as recomendações a seguir.
 
 
 
 
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1. Gerdau PN (GGBR4)
 
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A ação foi a mais recomendada pelos analistas e corretoras. Os papéis da Gerdau vão subir porque houve uma melhora de preços do aço longo. Na primeira semana de fevereiro as ações da companhia valorizaram 6,5%. 
 
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A maior demanda de aço em barra, um dos principais produtos da Gerdau, acontece na China e nos EUA. A economia americana pode voltar a encolher e a demanda por aço cair, assim como a cotação da empresa na bolsa. 
 
 
2. Vale PNA (VALE5)
 
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A demanda por minério de ferro, principalmente na China, ainda é muito alta, o que deve melhorar e manter o preço das ações ao longo do ano. Além disso, a Vale vai pagar US$ 6 bilhões em remuneração aos acionistas. O montante é 50% superior ao anunciado em 2011.
 
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O preço do minério de ferro pode sofrer uma queda, pois depende de negociações diretas com a China. No ano passado, a Vale sofreu com o clima e com a quebra de navios para enviar o minério.
 
 
3. Telefônica Brasil PN (VIVT4)
 
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Os analistas acreditam que as ações vão subir ao longo do ano porque a empresa deve apresentar melhor geração de caixa após fusão com a Vivo. A distribuição de dividendos vai ser generosa. 
 
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A Telefônica é uma das líderes das reclamações no Procon de São Paulo e o número de telefones fixos tende a diminuir nas capitais. 
 
 
4. PDG Realty ON (PDGR3)
 
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O mercado imobiliário brasileiro continua aquecido e a PDG apresenta boas margens de lucro nos empreendimentos. O setor de construção deve se beneficiar da queda de inflação e vender mais imóveis. Para melhorar os preços dos papéis, a companhia deve recomprar 5% das ações em circulação. 
 
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Pesquisas apontam que o preço dos imóveis deve se estabilizar em todo o País e o ramo da construção pode se arrefecer.
 
 
5. Petrobras PN (PETR4)
 
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A empresa fez uma captação de US$ 7 bilhões no Exterior, o que mostra sua força. Os papéis estiveram entre os que mais receberam recursos externos nos últimos dias. O petróleo, principal produto da estatal, está em alta por conta das indefinições no cenário político do Oriente Médio. Na terça-feira 7, o barril estava cotado a US$ 116,12. 
 
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Alguns analistas temem mudanças bruscas com a nova presidente, Graça Foster. A recessão mundial também pode afetar a companhia.
 
 
6. Banco do Brasil ON (BBAS3)
 
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O banco captou US$ 1 bilhão em bônus perpétuos, praticamente o dobro do previsto. O dinheiro melhorou o balanço da companhia, que se prepara para as novas regras de Basileia 3. Os analistas avaliam que o papel estava barato e por isso deve subir mais que o dos outros bancos.  
 
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O banco estatal fez diversas trocas em seu comando e não se sabe quais serão os resultados. Além disso, o setor bancário prevê maior inadimplência. 
 
 
7. BR Foods ON (BRFS3)
 
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A BR Foods vendeu vários de seus ativos e agora colhe os frutos da sinergia da fusão entre Sadia e Perdigão. Em alguns setores, a concorrência é muito pequena ou inexistente, o que torna a marca uma líder de vendas.
 
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A volatilidade dos preços de grãos, principal componente da ração animal, pode comprometer as margens de lucro da empresa.
 
 
8. Itaú Unibanco PN (ITUB4)
 
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O banco acaba de apresentar o maior lucro anual da história do setor no Brasil. O Itaú já começa a colher as sinergias da fusão com o Unibanco.
 
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Assim como o Banco do Brasil, o Itaú pode sofrer com a maior inadimplência na carteira de empréstimo.
 
 
9. Cetip ON (CTIP3)
 
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A instituição é o maior balcão organizado na negociação de títulos de dívida. No segundo semestre, a Cetip implantará um novo sistema de negociação de títulos, o que deve aumentar as transações e agregar valor à sua marca.   
 
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O mercado secundário de títulos no Brasil ainda é muito pequeno, assim como as emissões de debêntures e outros títulos de dívida.
 
 

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