FINANÇAS

Nº edição: 749 | Finanças | 10.FEV.12 - 21:00 | Atualizado em 14.02 - 12:56

O Itaú contra-ataca

Fechamento de capital da Redecard é a estratégia do banco para crescer rapidamente no segmento de pequena e média empresa.

Por Cláudio GRADILONE

Numa rara incursão pelo Sudeste, o compositor baiano Elomar Figueira de Mello, 73 anos, apresentou-se no domingo 5 em São Paulo. Um dos ícones da música nordestina, uma espécie de João Gilberto do sertão, por seu estilo arredio, avesso aos holofotes e sem meias palavras, Elomar fez alguns agradecimentos especiais ao final do espetáculo. Um deles foi dirigido ao instituto Itaú Cultural, que gerencia os apoios do Itaú Unibanco às artes. Depois de elogiar o mecenato, Elomar, que em várias canções havia criticado o sistema financeiro, disparou: “É bom que o banco patrocine esse tipo de coisa. Afinal, ele ganha muito dinheiro.” 

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Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco: "Esperamos ganhar mais agilidade
com a aquisição da Redecard".

Dois dias depois, na terça-feira 7, Roberto Setubal, presidente e CEO do Itaú Unibanco, confirmaria com todos os números as palavras de Elomar. O banco anunciaria um lucro de R$ 14,6 bilhões, o melhor resultado registrado até agora por uma instituição financeira no Brasil em todos os tempos. “Os resultados melhoraram devido à melhoria operacional, fruto da conclusão da integração entre Itaú e Unibanco, e também por causa do aumento da carteira de crédito”, disse Setubal ao comentar o balanço, no QG do banco, no bairro do Jabaquara, na capital paulista. O número mais significativo do demonstrativo financeiro foi o crescimento da carteira de crédito, que avançou 19,1% em relação ao fim de 2010, chegando a R$ 393 bilhões. 

O banco informou na quarta-feira 8 que espera um crescimento de até 17% nos créditos em 2012, e, segundo Setubal, as carteiras mais promissoras são de empréstimos para pequenas e médias empresas e financiamentos imobiliários. A melhora na qualidade dos empréstimos ajudou a turbinar o resultado. Segundo Mario Pierry, analista do Deutsche Bank no Brasil, a redução dos juros ao longo do ano passado diminuiu o ganho financeiro do Itaú, mas a queda foi mais do que compensada pela diminuição das provisões e por um forte controle de gastos, que melhorou a eficiência do banco. Segundo Roberto Attuch, diretor de análise do Barclays Capital, esses números indicam um crescimento de 15% nos resultados para este ano. 
 
No entanto, a notícia do resultado perdeu um pouco de sua relevância devido a outra decisão do grupo, anunciada também na terça-feira 7. Naquela manhã, o Itaú divulgou um fato relevante, informando que fará uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para adquirir todas as ações da processadora de transações Redecard em circulação no mercado. O negócio, que está orçado em R$ 11,8 bilhões, será a maior transação financeira desde a fusão entre Itaú e Unibanco, divulgada no início de novembro de 2008. Imediatamente, as ações da Redecard subiram cerca de 9%, aproximando-se do preço anunciado de compra de R$ 35 por ação. Por que o Itaú gastaria quase R$ 12 bilhões para comprar 49% de uma empresa que já controla? 
 
Insistentemente questionado, Setubal foi econômico nas informações. “Nossa principal intenção é ganhar eficiência e agilidade”, disse ele. O executivo ilustrou com um exemplo envolvendo a Hypercard, empresa  nordestina responsável por cadastrar estabelecimentos para aceitar cartões, a chamada adquirência,  controlada pelo Unibanco antes da fusão. “Quando decidimos transferir algumas das operações da Hypercard para a Redecard, tivemos de esperar seis meses para que isso fosse aprovado no conselho”, disse Setubal. “Com a oferta e com o fechamento de capital, vamos ganhar mais agilidade para tomar esse tipo de decisão.” A explicação do comandante do maior banco privado brasileiro é insuficiente. 
 
Além de ganhar agilidade, a incorporação vai aumentar e muito os resultados para o banco, permitindo ao Itaú incorporar de uma só vez à base de clientes cerca de 300 mil pequenas e médias empresas de varejo. Cada um dos POS – as famosas maquininhas – da Redecard será transformado quase em uma agência virtual sobre os balcões de centenas de milhares de pequenos comerciantes. “Essa é uma maneira rápida de ganhar escala”, diz David Kaddoum, sócio da gestora de fundos carioca Atmos Capital,  que tem nas ações da Redecard seu  investimento mais importante. Ao transformar a administradora em uma subsidiária integral, o Itaú vai embolsar toda a receita das transações, que hoje tem de ser rateada com os bancos parceiros. 
 
A concorrência percebeu as vantagens de manter uma empresa de cartões nos livros do banco. A empresa de transações GetNet, controlada pelo espanhol  Santander, começou a operar em 2010 e já credenciou 147 mil estabelecimentos, tendo movimentado R$ 11 bilhões no ano passado. “Todas essas empresas são clientes preferenciais para a venda de produtos bancários”, diz Kaddoum. Ao fazer o mesmo com a Redecard, o Itaú deverá ganhar musculatura para operar em um mercado de massa no qual ficou em desvantagem após o Banco do Brasil ter assumido o Banco Postal e o arquirrival Bradesco ter inaugurado cerca de mil agências no ano passado. 
 
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  • Manoel Martins Cardoso

    em 12/02/2012 14:48:08

    Parabéns aos administradores do Itaunibanco pelos longos anos de bons resultados, na frente de todos os bancos brasileiros. Essa EQUIPE tem mostrado que não está dormindo no ponto! Quando as cisas caminham a nosso favor por muitos anos seguidos, não pode ser apenas sorte, e sim preparo e evidência.

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    • THALISSON TENÓRIO DE CARVALHO

      em 11/02/2012 14:19:57

      O iTAÚ TEM ÓTIMAS ESTRATÉGIAS E LUCROS COMO MOSTRA NOS GRÁFICOS. PORÉM TODO O CONHECIMENTO DE MERCADO DEVE CONTER O CRESCIMENTO DE DOIS CONCORRENTES FORTÍSSIMOS: BB e Bradesco.

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