FINANÇAS

Nº edição: 744 | Onde Investir em 2012 | 06.JAN.12 - 20:42 | Atualizado em 11.05 - 05:39

Sabores em equilíbrio

Fundos de arbitragem mais rentáveis apostaram na alta das ações de telefonia e na queda dos papéis de consumo.

Por Fernanda PRESSINOTT

Sal, pimenta e alecrim temperam bem uma carne, mas qualquer um dos ingredientes na medida errada, mesmo que seja mínima, pode acabar com o prato. É com esse tipo de cuidado, milimétrico, que os gestores dos fundos long & short (L&S) trabalham. Eles avaliam criteriosamente as ações que estão supervalorizadas e apostam em sua baixa, ficando vendidos (short, no jargão em inglês). Da mesma forma examinam as que estão baratas e apostam em sua alta, ficando comprados (long). É uma tarefa exaustiva e qualquer imprevisto pode mudar os rumos das projeções e refletir em perdas. Também chamados de fundos de arbitragem, tentam superar os ganhos dos Certificados de Depósito Inter­financeiro (CDI), independentemente do comportamento das ações. 

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Em 2011, os fundos long & short com maior rentabilidade foram aqueles que investiram na subida das ações de empresas ligadas ao consumo interno e na baixa de companhias ligadas a commodities e às exportações. O fundo Explora Long & Short 30 FIM, por exemplo, foi o mais rentável, de acordo com levantamento da Economática, obtendo um ganho de 15,18% em 12 meses. O gestor manteve posições compradas nos setores de telecomunicações, construção, shopping centers e bancos durante todo o ano e posições vendidas em empresas de energia e consumo. Assim como um chefe de cozinha, Karl Boog, diretor de desenvolvimento de negócios da gestora de recursos independente Explora Investi­ment, ensina que não basta saber a hora certa de empregar os ingredientes, é preciso ter escolhido os melhores previamente. 

“Investimos em empresas listadas de todos os setores da economia, com ênfase naquelas de grande e médio valor de mercado, com uma abordagem de baixo para cima, ou bottom-up”, diz ele. “Em 2011,  nossas posições em empresas de geração de energia, telecomunicações e operadoras de shopping centers foram excepcionalmente bem”, afirma Boog. Outra estratégia do fundo vencedor, explica Boog, é manter os papéis das empresas escolhidas durante longos períodos na carteira. “O fundo da Explora é para quem busca rentabilidade acima do CDI, mas que aceita volatilidade e tenha um horizonte de investimentos de médio prazo.” 

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O fundo Explora Long & Short 30 FIM é do tipo neutro, isto é, tem a pretensão de garantir a rentabilidade, sem se preocupar com a direção geral do mercado. Outra opção são os fundos long & short direcionais, em que os gestores compram e vendem ações também pensando em como o mercado se comportará. Nesse segmento, o fundo CSHG Equity Hedge Levante FICFI Mult, do Credit Suisse Hedging Griffo, teve o melhor desempenho, com uma rentabilidade de 17,95% em 12 meses. O conceito de long & short foi criado pelo americano Alfred Winslow Jones e utilizado no mercado acionário dos EUA desde os anos 1950. 

A captação dessa modalidade, posicionada na classificação de fundos multimercados, vem crescendo fortemente. Os primeiros long & short classificados pela Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima) surgiram em agosto de 2006, com oferta de 30 fundos e R$ 5 bilhões em ativos. Hoje, acumulam patrimônio líquido de R$ 9,7 bilhões, distribuídos entre 178 fundos e representam 0,51% da indústria. Na média da Anbima, os fundos long & short neutro renderam 11,66% em 12 meses até novembro e os direcionais, 11,32%.

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