FINANÇAS

Nº edição: 744 | Onde Investir em 2012 | 06.JAN.12 - 20:41 | Atualizado em 06.01 - 21:50

Além do feijão com arroz

Mesmo com juros em queda, aplicações de renda fixa continuam sendo uma boa pedida em 2012.

Por Fernanda PRESSINOTT

Pratos sofisticados alegram qualquer paladar, porém, comidas pesadas, apimentadas ou com ingredientes raros às vezes causam danos ao estômago. No cardápio dos investimentos vale a mesma premissa. As aplicações que rendem mais oferecem maior risco. Por isso mesmo, para quem quer evitar sobressaltos mais adiante, nada melhor que o brasileiríssimo arroz com feijão, que mata a fome e não tem contra-indicações. Os investimentos em renda fixa são assim: raramente dão resultados espetaculares, mas, de gota em gota, garantem a rentabilidade mínima para o aplicador.Em 2012, os ganhos em renda fixa não virão tão facilmente quanto no ano passado, já que os juros devem continuar em queda. Os prognósticos do Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, são de que a taxa Selic feche em 9,5% ao ano em dezembro. 

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Isso não significa que as aplicações em  Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), fundos DI e de renda fixa não sejam atrativos. “É bom ter garantida a rentabilidade mínima, pelo menos para parte do patrimônio, com aplicações sem tanto risco”, diz André Luiz Oda, professor de economia e finanças da Fundação Instituto de Administração, da Uni­ver­­sidade de São Paulo. Para tanto, ele indica investir em títulos públicos com taxas prefixadas, como as Letras do Tesouro Nacional (LTN) e as Notas do Tesouro Nacional (NTN-F). A diferença entre elas é que, na primeira, o investidor recebe o rendimento com juros na data de vencimento ou no resgate e, nas NTN-F, ganha juros semestralmente e o principal investido é resgatado apenas no final.
 
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Além dos títulos públicos, as debêntures são uma alternativa interessante para o investidor que quer condimentar o arroz com feijão. Os títulos de dívida de empresas privadas dão prêmios que podem chegar a 140% do CDI para quem acreditar em seus papéis. Entretanto, a escolha das melhores empresas é tarefa complicada e é aqui que entram os fundos de renda fixa. De acordo com Oda, para quem não souber ou não quiser ter o trabalho de analisar as debêntures de empresas ou até os papéis do governo e dos bancos, o melhor é contratar um fundo de renda fixa, no qual um gestor fará as escolhas. “Existem, inclusive, fundos de renda fixa com exposição maior ao crédito”, diz Oda. Mas é preciso levar em conta, na decisão, a taxa de administração. 
 
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“É melhor que seja inferior a 2% para que os ganhos não sejam comidos pela taxa.” Os fundos de renda fixa tiveram resultados particularmente interessantes no ano passado. O primeiro semestre de 2011 foi marcado pela alta da inflação (8,36% em 12 meses pelo IGP-M e 6,87% pelo IPCA) e os gestores que haviam aplicado em títulos públicos indexados aos índices de inflação viram suas carteiras ferver no fogão financeiro. O fundo FI Caixa Brasil ImaB 5 TP, por exemplo, apostou em títulos indexados ao IPCA (NTN-B), com prazo médio de cinco anos. “A alta da inflação, no primeiro semestre, nos deu bons ganhos. No segundo semestre, sofremos um pouco mais”, afirma Marcelo de Jesus, superintendente de gestão de ativos da Caixa. 
 
[ Uma boa estratégia é garantir a rentabilidade mínima de parte do patrimônio com aplicações de renda fixa ] 
 
Em função desse cenário, o fundo da Caixa foi o de melhor desempenho em sua categoria. “Acreditamos retomar a rentabilidade em 2012 com gestão ativa e aquisição de títulos prefixados”, diz Jesus. Além da alta da inflação, outros destaques no ano passado foram as debêntures e as letras financeiras (títulos de renda fixa emitidos por bancos). O fundo Itaú RF Crédito Privado Master Active Fix FI, por exemplo, apostou nesses papéis e apresentou rentabilidade anual de 12,48%, até 30 de novembro. “Letras financeiras de grandes instituições são nosso principal instrumento nesse fundo”, afirma Ronaldo Patah, superintendente de renda fixa do Itaú Unibanco. “Entretanto, ficamos de olho também em todas as emissões de debêntures, para separar o que valia a pena ou não, diz Patah. 
 
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“O mercado de debêntures está aquecido, foram muitas ofertas de emissão, mas nem todas seriam justificáveis na composição do nosso fundo.” Em 2012, acredita Patah,  não existirão emissões tão interessantes de empresas privadas. “Como o mercado de renda variável não está tão positivo no mundo todo, há muita procura por debêntures,  fazendo com que os valores de prêmio oferecidos pelas empresas tendam a cair”, diz. Isso é bom para quem já tem títulos de dívida no portfólio, pois é possível vendê-los por um bom preço no mercado secundário. Esse fundo de crédito do Itaú Unibanco é acessível apenas a investidores do segmento private do banco, com mais de R$ 300 mil disponíveis para aplicações.
 
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