FINANÇAS
Nº edição: 736 | Finanças | 11.NOV.11 - 21:00 | Atualizado em 23.05 - 10:51
Olympus queima o filme
Empresa japonesa ocultou fraudes contábeis que podem ter começado nos anos 90.
Por Cláudio GRADILONE
Fundada em 1919 como fabricante de microscópios, a japonesa Olympus expandiu, ao longo dos anos, suas atividades para fotografia e equipamentos médicos, tornando-se a maior e mais respeitada produtora mundial de aparelhos para endoscopia. Ironicamente, a empresa falhou grotescamente ao analisar as próprias entranhas. Na terça-feira 8, o presidente Shuichi Takayama, que havia assumido o cargo no fim de outubro (veja quadro), desculpou-se diante de mais de 200 jornalistas. “Forneci informações incorretas aos senhores”, disse ele, contrito. O erro não é trivial: Takayama admitiu perdas de US$ 687 milhões, mas a fraude pode superar US$ 1,5 bilhão.

Shuichi Takayama, presidente da Olympus, pede desculpas: "Forneci informações erradas aos senhores"
O imbróglio começou em meados de outubro, quando o Conselho de Administração da Olympus demitiu o antecessor de Takayama, o britânico Michael Woodford, que estava no cargo havia sete meses. Sem papas na língua e de olho na melhoria da rentabilidade, ele havia incomodado a cúpula ao questionar pagamentos de honorários muito elevados em aquisições e investimentos nas ilhas Cayman. A Olympus aplicava milhões em fundos que, poucos meses depois, eram fechados. “Era um esquema para encobrir perdas que pode ter começado nos anos 1990”, disse Woodford em entrevistas após sua saída. Nos dias que se seguiram, investidores e autoridades pressionaram a Olympus para abrir suas contas. Como resultado, três executivos pediram demissão. Na terça-feira, a empresa admitiu a malfeitoria.
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