NEGÓCIOS
Nº edição: 530 | 21.NOV.07 - 10:00 | Atualizado em 14.12 - 16:58
A vendetta que virou noticia
O italiano Vittorio Medioli chegou em Minas Gerais para trabalhar para a Fiat. Depois de uma disputa com a imprensa local, criou um jornal que já é o maior do País
Por Por Lana Pinheiro
Filho de uma abastada família italiana, Vittorio Medioli desembarcou no Brasil na década de 70. Não veio à toa. Antigo fornecedor da matriz da Fiat, veio na esteira da construção da primeira fábrica da montadora no País, em Betim (MG), para replicar aqui o fornecimento do serviço de transporte com cegonheiras que já oferecia por lá. Não foi bem recebido. O contrato com a fabricante de automóveis demorou mais tempo do que previa e a imprensa regional iniciou uma série de ataques contra ele e suas empresas. Diz a lenda que o italiano resolveu se vingar e, como dinheiro não era problema, ele o fez em grande estilo: lançou um jornal para contra-atacar. O periódico O Tempo, no entanto, não atingiu os objetivos previstos. Sua circulação era restrita às classes altas. Em 2002, Vittorio tive o estalo que faltava. Resolveram entrar no mercado de notícias populares. Surgia o Super Notícia, um tablóide de R$ 0,25 que coroou a vingança de Vittorio ao se tornar, em agosto, o jornal mais vendido não só de Minas Gerais, mas de todo o País, com pico de 300 mil exemplares diários, o suficiente para deixar para trás o Estado de Minas e também a Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo.
Vittorio é um homem tímido e de poucas palavras. Oficialmente, atribui o lançamento de O Tempo e do Super Notícia ao antigo desejo de ser jornalista. “Sempre gostei de escrever e mantenho uma coluna nos jornais”, disse à DINHEIRO. Vingança? “Jamais”, diz ele. “Lançamos o Super Notícia de maneira muito humilde com perspectivas de vender de 20 mil a 30 mil exemplares”. Os supostos planos de uma circulação restrita ficaram na teoria. Em quatro anos a circulação média do Super Notícia cresceu 2.987%, passando de 6,7 mil para 207,1 mil unidades em 2007. A virada começou a ser arquitetada em 2005. O preço do tablóide foi revisto e promoções foram feitas para atrair o público. “Começaram a nos copiar”, disse Medioli à DINHEIRO, referindo-se ao jornal Aqui, publicado pelos Associados. “Eles usaram as cores, o formato e o conteúdo do Super Notícia. Só que nós vendemos 300 mil unidades e eles, 60 mil”, diz o executivo, com orgulho. Pelas suas estimativas, o Super Notícia tem cerca de 25 mil leitores e representa cerca de 40% no faturamento de R$ 120 milhões da Editora Sempre, que, além do tablóide e de O Tempo, ainda publica livros.
Apesar do sucesso, Medioli ainda não está satisfeito. Seu plano agora é ampliar a cobertura do tablóide, de 400 municípios mineiros para 650 no início do ano que vem, aumentando a tiragem para 400 mil exemplares em curto prazo. “O Brasil está nos estendendo o tapete vermelho”, diz ele sobre a possibilidade de tornar o seu tablóide nacional, mantendo o suspense no ar. Como diz o ditado mineiro, vingança é um prato que se come frio.
Multimídia
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GASTÃO CELSO BRITO PEREIRA
em 14/12/2011 16:58:09
Eu fico feliz por termos um jornal a altura do globo, estadão e outros mais, mas o que me deixa mais feliz é saber que o tempo é mineiro e falar de minas. Parabéns Medioli voce enxerga alem.
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