ESTILO

Nº edição: 729 | Estilo | 23.SET.11 - 21:00

Luxo direto da fonte

Nunca o ato de beber água foi tratado com tanta pompa e circunstância como agora, com o contínuo lançamento das águas minerais superpremium, como a norueguesa Voss

Por Ale OUGATA

As largas fronteiras do mundo globalizado têm estreitado cada vez mais a troca de experiências entre os consumidores de luxo ao redor do mundo. E esse movimento modificou até mesmo o prosaico ato de se refrescar com um copo de água. O mercado de águas minerais sofisticou-se de tal maneira que é possível categorizá-las em premium e superpremium, transformando o produto num importante feudo do universo da alta gastronomia. As vendas estimadas  desse tipo de bebida já estão batendo os dez bilhões de litros por ano, cerca de 4% do consumo mundial total de águas engarrafadas, segundo a consultoria inglesa Zenith International. Não por acaso, cada lançamento é aguardado com a mesma expectativa dos raros destilados. Como é o caso da última novidade a aportar por aqui, a norueguesa Voss, apreciada pelo ator Will Smith e o cantor Bono Vox, líder da banda U2.

Segundo o CEO da empresa, o norueguês Jack Belsinto, o produto inaugura no País o consumo da categoria superpremium, um patamar acima das já conhecidas San Pellegrino, Panna e Perrier, representantes da ala premium de águas. A Voss equipara-se à americana Bling H2O e à galesa TY Nant, vendidas a até 2.500 de euros a garrafa. A boa notícia para os consumidores brasileiros mais exigentes é que a garrafa de 375 ml da Voss, apesar de toda a aura glamorosa que a acompanha, será vendida no País  por cerca de R$ 20. A embalagem da água, extraída diretamente de uma fonte localizada em um deserto de gelo, na cidade que lhe dá o nome, no sul da Noruega, foi criada pelo ex-diretor criativo da Calvin Klein Neil Kraft. Não à toa, seu elegante recipiente mais parece um frasco de perfume.
 
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O prazer da Pureza: "A ideia é que as águas superpremium adquiram o mesmo status dos grandes vinhos", diz Jack Belsinto, CEO da VOSS
 
As pessoas podem se perguntar como é possível classificar uma insípida e límpida água em comum, premium ou superpremium. De acordo com os especialistas, muitas vezes o que as qualifica é o valor que cada uma agrega. Por exemplo, o fato de ser lançadas em parceria com estilistas cultuados, como o japonês Issey Miyake, ou decoradas com cristais, as credenciam como um produto superpremium. Além, claro, de suas propriedades. “Kraft criou uma garrafa ao mesmo tempo sexy e simples, características que cativam o consumidor”, afirmou Belsinto, com exclusividade à DINHEIRO, durante sua passagem pelo Brasil, no início do mês, para promover o novo produto. “Também precisávamos transmitir a ideia de pureza, já que a Voss é protegida por uma camada de pedra e gelo e livre de qualquer tipo de poluição”, disse o CEO da Voss. 
 
Outro quesito importante na determinação dessas águas estreladas é o caráter de exclusividade. Além do preço, bem mais elevado que o das águas comuns, todas elas são vendidas em poucos e estratégicos pontos de venda. “Procuramos como parceiros comerciais hotéis de luxo, restaurantes conceituados, spas e empórios sofisticados”, diz Belsinto. Ele afirma que, por enquanto, a Voss só será vendida nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, em locais como os hotéis Emiliano e Fasano. “Nossa expectativa é de faturar US$ 40 milhões nos dois primeiros anos aqui”, diz Belsinto. Apesar de no Brasil o consumo das águas premium e superpremium estar ganhando força só agora, em 2009 o País importou 762 mil litros de água da França, Itália e do Uruguai, entre outros. No mesmo ano, o consumo mundial total de águas engarrafadas foi de 150 bilhões de litros, movimentando US$ 100 bilhões. Em 2010, a procura pelo produto aumentou cerca de 67% no mundo. 
 
Esse crescimento deveu-se principalmente ao incremento da oferta de tipos da bebida, como os que preparam a boca para a apreciação de vinhos e cafés. Com a diversidade de tipos, abriu-se espaço para o surgimento de um novo especialista: o sommelier de água. No Brasil, ainda são poucos os estabelecimentos que adotam a carta de águas. O restaurante Pobre Juan, com unidades em São Paulo e Brasília, é um deles. “É um trabalho lento”, diz o CEO Belsinto. “Mas a ideia é que as águas premium e superpremium adquiram o mesmo status do vinho aqui no Brasil.” 
 
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