ECONOMIA
Nº edição: 728 | Economia | 16.SET.11 - 21:00 | Atualizado em 23.05 - 11:10
A volta à era das carroças
Governo promove aumento brutal de impostos para carros importados e ameaça o País com retrocesso sem precedentes na história da indústria automobilística brasileira
Por Guilherme QUEIROZ
Um pacote inicialmente pensado para tornar a indústria automotiva brasileira mais competitiva tornou-se uma peça de protecionismo. Prevista no bojo do Plano Brasil Maior e anunciada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), na quinta-feira 15, a medida de estímulo à produção nacional veio na forma de uma bomba tributária montada para estancar a enxurrada de veículos importados que, embalados pelo dólar barato, aumentaram a competição no País. Em 60 dias, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será elevado em 30 pontos percentuais. Com isso, as alíquotas que hoje variam de 7% a 25% subirão para 37% a 55%, elevando o preço final dos veículos em até 28% e praticamente inviabilizando a concorrência por preço que existe hoje no mercado. Embora seja direcionada às importadoras de veículos chineses, a medida terá impactos negativos em toda a cadeia produtiva e representa um retrocesso brutal no mercado brasileiro de automóveis, uma volta à era das carroças, que vigorou até a abertura às importações pelo governo Collor, no início dos anos 1990.

Trânsito nos anos 1990: Carros "pelados" e de baixa tecnologia circulam em rodovia em São Paulo. Quem quer isso de volta?
Com efeitos imediatos – quem não se enquadrar nas exigências do governo em 60 dias terá de recolher o IPI maior retroativamente –, a medida protege as montadoras com produção local, como Volkswagen, Fiat, GM e Ford. Faz isso à custa dos consumidores, que já pagam muito mais caro do que nos países desenvolvidos e ainda levam para a garagem produtos inferiores aos comprados lá fora. Os grandes campeões de venda no Brasil são carros populares “pelados” (sem acessórios), como Gol, Uno e Celta. “É uma medida que atinge demais o consumidor, que perde a possibilidade de comprar automóveis melhores a preços mais adequados. Os carros brasileiros têm qualidade sofrível, são tecnologicamente atrasadíssimos, e com preço muitíssimo alto, porque a margem de lucro é alta”, afirmou Ruy Coutinho, ex-presidente do Cade. “Estamos voltando às carroças do tempo do Collor.” Em princípio, o aumento vigora até dezembro de 2012.
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- comentários (36)
- Sua opinião
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Ari J
em 12/11/2011 02:59:15
É difícil exigir uma mudança de comportamento do consumidor brasileiro enquanto não houver uma universalização da educação de qualidade, infelizmente até nesse ponto a ineficiência de nosso sistema educacional nos prejudica.
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Ari B. N. Junior
em 12/11/2011 02:48:42
Essa medida é uma afronta ao consumidor brasileiro, estamos cansados de pagar caro por produtos inferiores, além de proteger a indústria nacional estabeleçam normas asseguradoras de um padrão mínimo de qualidade! Um gol vendido na alemanha é 5x melhor e mais seguro que um vendido aqui no Brasil!
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Diego
em 12/10/2011 11:14:43
O governo até pode esta querendo proteger o mercado interno evitando que os importados cresçam, mas acaba sendo uma faca de dois gumes, onde as montadoras nacionais acabam ficando livres para produzir produtos de qualidade baixa e vender a preços altos. Visitem: http://www.zerorodas.com.br
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Marcelo Nascimento
em 20/09/2011 19:47:39
Prezado Fábio Medeiros, o Brasil já protegia seu mercado com a maior tarifa de importação mundial permitida, de 35%. Acha mesmo que precisava mais que isso? Quando você viajar ao exterior pode perceber que os carros lá custam metade e são mais modernos. Proteger isso a nossas custas? Palhaçada.
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Fábio Medeiros
em 20/09/2011 16:31:55
TODOS os países desenvolvidos e em desenvolvimento protegem a sua economia (via subsídios, via tributos etc) porque nós não? Para uma montadora colocar seus carros na China é necessário que ela se instale lá, os EUA subsidiam a sua agricultura...é só acompanhar o histórico das nações desenvolvidas.
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Fabio Fernandes
em 19/09/2011 19:47:38
QUEM GANHA COM ISSO?? SOMENTE OS POLITICOS. PROPINA DAS MONTADORAS LOCAIS E MAIS $$$ DE IMPOSTOS PARA ROUBAR!!! QUEM ESTIVER INSATISFEITO COBRE DOS POLITICOS, ROUBEM ELES.....
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Usui
em 19/09/2011 19:39:50
Vamos boicotar as 4 grandes, vw, gm, fiat,Ford . Principalmente a fiat tem muita reclamação no facebook da fiat.
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Juka DE Menezes
em 19/09/2011 19:28:11
kkkkk, eu concordo, este governo foi legitimado nas urnas, não entendo como o povo reclama tanto. Eu não votei neles, porém concordo CHEGA de carros importados QUEM QUIZER TER IMPORTADOS DEVE PAGAR MAIS CARO, quem acha que está ruim, que mude seu voto nas próximas eleições.
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Victor Magos
em 19/09/2011 17:11:09
Comunidade LUCRO BRASIL do Facebook com certeza!!!
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Gustavo
em 19/09/2011 16:08:53
Nao comprem carro zero!! boicote já! entre já na comunidade "lucrobrasil" do Facebook!
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David
em 19/09/2011 12:03:13
Mas uma vez o consumidor brasileiro vai ser prejudicado
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VINICIUS SEVERIANO
em 19/09/2011 10:50:24
Ora, se um veiculo importado, consegue ser produzido passar por toda burocracia de importação e chegar ao pais e pagar o cumulo do absurdo de 35% do imposto brasileiro de importação e mesmo assim ser vendido a preço justo como explicar esta medida pretenciosa?
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VINICIUS SEVERIANO
em 19/09/2011 10:49:32
Mas prefere alimentar um oligopólio criminoso e obrigar o brasileiro a comprar estas carroças que são construídas exclusivamente para o mercado Brasileiro.
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VINICIUS SEVERIANO
em 19/09/2011 10:46:26
Para proteger o emprego o governo deve incentivar investimento e obrigar as montadoras a melhorar os carros em segurança e conforto e assim poderem competir com produto importado a preço justo.
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VINICIUS SEVERIANO
em 19/09/2011 10:41:46
A ABEIVA tem mesmo que recorrer a OMC, pois uma organização internacional seria a ultima chance que temos de conseguir derrubar este ABUSO!
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