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Nº edição: 727 | Estilo | 09.SET.11 - 21:00 | Atualizado em 09.09 - 21:23

O renascimento de um ícone

O Ca'd'Oro, o primeiro hotel cinco-estrelas de São Paulo, fechou, mas não morreu. Com investimento de R$ 100 milhões, volta agora com escritórios e apartamentos de alto padrão

Por Suzana BORIN

Clique e confira um resumo da reportagem

 

Conhecido por seu glamour europeu e por ter sido o primeiro cinco-estrelas da capital paulista, o hotel Ca’ d’Oro, localizado na rua Augusta, na região central de São Paulo, marcou época na vida da cidade, até ser fechado em dezembro de 2009. Temporariamente, porém:  o Ca’d’Oro (casa de ouro em italiano), que teve em sua lista de hóspedes personalidades como os presidentes brasileiros José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o sul-africano Nelson Mandela e o francês François Miterrand, além de artistas como o tenor italiano Luciano Pavarotti, logo estará de volta. Reformulado, será transformado num condomínio de múltiplo uso, com duas torres que vão abrigar, além do hotel renovado, áreas corporativas e residenciais de alto padrão, com inauguração prevista para o final de 2014. O Ca’d’Oro, com 147 apartamentos,  ocupará oito dos 27 andares da torre I.

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"A hotelaria no Brasil atravessa um bom momento. Esperamos uma taxa de ocupação de 80%" -
Fabrizio Guzzoni Neto, sócio do Hotel Ca'd'oro

Seu antigo prédio será demolido para que a área ocupada de 8 mil metros quadrados dê espaço a um empreendimento moderno, que terá investimento de R$ 100 milhões e irá fazer uma releitura do tradicional hotel.  “A parte mais glamorosa é poder revitalizar um espaço símbolo de uma época”, diz Ricardo Laham diretor da incorporadora Brookfield, responsável pelo projeto. A Brookfield terá como sócia a família Guzzoni, há mais de 100 anos no ramo hoteleiro, descendente do pioneiro Fabrízio Guzzoni, um suíço que fundou o Ca’ d’Oro em 1956. Segundo Aurélio Guzzoni, filho de Fabrizio, todo o conceito criado pelo Ca’d’Oro será mantido. “A administração do hotel e do restaurante ficará em nossas mãos”, diz Aurélio. “A qualidade da nossa cozinha e o atendimento refinado, cultivado por nós durante décadas, serão novamente encontrados.” Os Guzzoni ficarão com 20% do empreendimento e a Brookfield com os 80% restantes. 

 
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Passado e futuro: O antigo hotel Ca'd'Oro (à dir.) será demolido para dar espaço ao novo projeto que mescla luxo, sofisticação e modernidade 
 
Aurélio terá a companhia do sobrinho, Fabrizio Guzzoni Neto, na condução do novo hotel Ca’d’Oro. “Tudo o que aprendi em hotelaria foi passado pelo meu avô”, diz Fabrizio Neto. “Quero poder colocar tudo isso em prática novamente.” A depender do interesse dos investidores pelo projeto, o hotel logo voltará a receber sua clientela ilustre. Inaugurado no primeiro final de semana de setembro, o showroom recebeu 3,5 mil visitantes nos primeiros três dias de funcionamento. “Todas as 908 unidades do Ca’d’Oro São Paulo estão reservadas,” diz Laham, da Brookfield. A procura, aumenta a confiança da família Guzzoni no sucesso da relançamento do hotel, principalmente por conta dos eventos internacionais, como a Copa do Mundo e a Olímpiada.  “A hotelaria no Brasil atravessa um bom momento”, diz Frabrizio Neto.“Esperamos uma taxa de ocupação de 80%.”
 
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Multiuso: a segunda torre vai abrigar apartamentos de até 79 m2, vendidos a preços que variam entre R$ 360 mil e R$ 710 mil
 
Todo o conceito e o design de interiores do novo Ca’d’Oro foi entregue à arquiteta Patrícia Anastassiadis, que ostenta em seu portfólio projetos como todo o retrofit do hotel Tivoli-Mofarrej, em São Paulo, e trabalhos fora do País para redes internacionais como o Ritz Carlton, Golden Tulip, Txai e Club Med. Patrícia diz ter se preocupado em manter os detalhes, como o carpete e as luminárias dos quartos do hotel, inspirados no antigo Ca'd'Oro. “Criamos os ambientes pensando no luxo e sofisticação”, afirma Patrícia. “Para isso,  utilizamos materiais nobres, sem esquecer a questão da praticidade e modernidade.”  De acordo com ela, os admiradores do templo do  requinte hoteleiro de São Paulo do final do século passado, também poderão encontrar no Ca’d’Oro renascido, o piano de cauda detalhado em dourado e um quadro de Baco, o deus grego do vinho e das festas, pintado pelo artista italiano Vincenzo Irolli,  no final do século XIX.
 
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