NEGÓCIOS
Nº edição: 636 | 16.DEZ.09 - 10:00 | Atualizado em 16.01 - 11:38
O funcionário virou rival
Ex-empregado da Goodyear, Daniel Nicolini deixou a empresa para abrir a Flexyon, que será concorrente da gigante alemã
Por Tatiana Vaz

Não é raro encontrar histórias de funcionários que deixaram seus empregos para se tornar concorrentes dos ex-patrões. Jeffrey Katzenberg trabalhou por décadas na Disney antes de fundar a DreamWorks. A Lamborghini surgiu de um empregado descontente da Ferrari. No Brasil, o paulista Daniel Nicolini sonha em fazer algo parecido. Depois de dar expediente durante 25 anos em multinacionais fabricantes de peças automotivas, ele decidiu enfrentar os gigantes que pagavam seu salário.
No início de 2009, Nicolini largou o emprego de executivo de vendas da Goodyear para montar uma fábrica de molas pneumáticas, um dos braços de negócios da corporação alemã. Com o dinheiro da indenização de sua saída da empresa e mais economias guardadas durante anos, ele conseguiu reunir os US$ 2 milhões para levar o projeto adiante. Chamada de Flexyon, a companhia foi oficialmente inaugurada na semana passada, mas seus produtos começarão a ser vendidos a partir de janeiro do ano que vem.
Nicolini é ambicioso. Sua meta é fazer da Flexyon uma das três maiores produtoras do setor no Brasil até 2012. "Parece impossível, mas não é", diz. "Conheço bem a concorrência e acertarei onde ela sempre pecou: agilidade no desenvolvimento de produtos." Segundo o empresário, o mercado de molas pneumáticas é pequeno no Brasil. Em 2009, deve movimentar US$ 25 milhões, uma fração do mercado total de peças automotivas. Desse total, 90% está dividido entre Goodyear e Firestone.
O restante fica com pequenas empresas nacionais. "Quero deter 30% de participação de mercado e, para isso, pretendo investir mais US$ 3 milhões em três anos", afirma Nicolini. Dessa vez, porém, ele vai precisar recorrer ao mercado para angariar os recursos. Engenheiro mecânico formado pelo Mackenzie, Nicolini reservou o ano inteiro de 2009 para planejar a criação da Flexyon. A fábrica da empresa, em Santo André, no ABC paulista, terá capacidade para produzir 45 mil peças por ano. As molas serão vendidas em três distribuidoras nas capitais Curitiba, Porto Alegre e São Paulo.
"Até o final de 2010 teremos 45 pontos de venda", diz. "Também já estamos fechando contratos de fornecimento para grandes montadoras, como a Mercedes no Brasil." Nicolini terá de enfrentar alguns obstáculos. "O setor de autopeças é essencialmente tradicional", diz Celina Ramalho, professora de economia da Fundação Getulio Vargas. "A marca deve demorar pelo menos dois anos para ser reconhecida no mercado."
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