FINANÇAS
Nº edição: 647 | Finanças | 25.FEV.10 - 16:39 | Atualizado em 26.02 - 16:49
O algoz dos banqueiros
José Berardo, um bilionário português, derrubou a cúpula de um banco, ao revelar fraudes em Cayman. Mas ficou mais pobre
Por Milton Gamez
Bilionários, em geral, têm relações muito próximas com banqueiros. São cortejados, mimados e tratados com a máxima distinção. Mas um deles, o português José Berardo, hoje é o terror dos financistas europeus. Em especial, do Banco Comercial Português (BCP), o maior de capital privado no país. “Quero de volta o dinheiro que eles roubaram”, afirmou o investidor, no início de fevereiro. O roubo, no caso, foi o pagamento irregular de E 24 milhões em bônus a cinco executivos da cúpula do BCP.
Dentre eles, estavam o presidente do conselho de administração, Jorge Jardim Gonçalves, e o diretor-presidente,Filipe Pinhal. Ambos caíram depois que Berardo denunciou à Justiça de Portugal, em dezembro de 2007, que o BCP emprestou E 590 milhões a 17 empresas controladas e sediadas no paraíso fiscal de Cayman, no Caribe, sem lançar as operações na contabilidade. O dinheiro, segundo o algoz dos banqueiros, foi usado para comprar ações do próprio banco durante quatro anos e inflar as cotações. Com essa estratégia, os bônus para o grupo foram mais gordos do que deveriam.

Berardo quer reaver o dinheiro para o banco, do qual detém uma participação de quase 7% no capital. Em junho do ano passado, os procuradores públicos acusaram os cinco executivos de manipulação de mercado, falsificação de documentos e fraude. O caso está sob análise da Justiça e pode render uma dezena de anos de prisão aos executivos, se forem condenados. O curioso nessa briga é que a denúncia custou ao bilionário uma fortuna muitas vezes maior que os pagamentos irregulares de bônus que ele delatou depois de receber documentos de funcionários não identificados do BCP.
Antes de entrar na sala do procurador-geral de Lisboa, Fernando Pinto Monteiro, e botar a boca no trombone, sua fatia no BCP valia US$ 1 bilhão. Após o escândalo se tornar público, a imagem do banco foi manchada e as ações do BCP despencaram mais de 70%, o que reduziu a fortuna de Berardo em US$ 730 milhões. “Não estou preocupado. Assim, não vão me pedir emprestado”, zomba o empresário desbocado.
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