NEGÓCIOS
Nº edição: 623 | 16.SET.09 - 10:00 | Atualizado em 14.01 - 16:07
Staub vê uma saída
O grupo Jabil negocia acordo com a Gradiente e prepara emissão de US$ 200 milhões. Parte do dinheiro pode vir para a empresa brasileira
Por Adriana Mattos

Contra o relógio Eugênio Staub, fundador da Gradiente, quer voltar com a marca em 2010
Neste mês, a Gradiente completa dois anos da mais profunda crise de sua história. Decisões estratégicas erradas, tomadas num ambiente conturbado para o setor eletrônico, a colocaram numa situação delicadíssima. Fábricas continuam paradas, há funcionários que ainda reclamam salários atrasados e alguns credores pedem a sua falência vez ou outra. O que chama a atenção é que, poucas semanas antes deste fatídico "aniversário", a empresa tenha recuperado parte de seu valor de mercado. O montante atingiu R$ 43,2 milhões, o maior desde junho de 2008. Não durou muito, o número caiu para R$ 36 milhões em setembro.
Essa montanha russa foi alimentada pela perspectiva de que Eugênio Staub, fundador do grupo, vê novas possibilidades de retomar a operação da companhia. Há um fato novo que alimentou as esperanças de Staub: as negociações com a Jabil Circuit, fabricante americana do setor com US$ 13 bilhões em vendas, antecipadas por DINHEIRO em março, ganharam um novo alento. A empresa acaba de informar à SEC (a CVM americana) a intenção de emitir papéis no valor de US$ 200 milhões para investimentos, inclusive em países emergentes. A Gradiente receberia investimentos de até R$ 50 milhões dos americanos.

Árduo Retorno: apoio da bilionária americana Jabil Circuit é fundamental no processo de recuperação do grupo, que ainda negocia com credores e com o Fisco
Independentemente da conclusão do acordo com a Jabil, a Gradiente luta para reativar sua linha de produção -- é essa possibilidade que tem feito os acionistas sacudirem o pó das ações da empresa ultimamente. Segundo um forte rumor entre grandes redes varejistas, a companhia voltaria a entregar novos lotes de produtos até o primeiro bimestre de 2010. Setenta pessoas ainda trabalham na fabricante no país. "Representantes da Gradiente ligaram para nós, sondando sobre uma parceria para anúncios em encartes e propagandas. Mas eles disseram que produção mesmo, só no início do ano que vem", conta a gerente de compras de uma varejista. Com isso, a eventual volta da marca Gradiente às lojas neste mês foi enterrada. "Para este ano, ainda não dá", diz Pedro Falabella, presidente da Agência de Fomento do Estado do Amazonas, envolvida diretamente no processo de recuperação da empresa. O retorno da Gradiente ao varejo depende de três pontos: um acerto financeiro com os últimos credores, renegociação de dívidas com o Fisco e o aporte de capital de investidores. É nisso que Staub está trabalhando agora e a DINHEIRO apurou que há alguns poucos nós a desatar.
O novo aporte deverá vir mesmo da Jabil. Pouca gente sabe que o grupo americano comprou matéria-prima e equipamentos da Gradiente em 2005. Com os novos milhões em mãos, gerados pela emissão de ações, a Jabil ganhou fôlego suficiente para investir na companhia brasileira. Outro enrosco diz respeito aos débitos com a Receita Federal. Há um fato novo na negociação. A Gradiente aderiu ao Refis IV, o chamado "Refis da crise", em agosto. Se for aceita pelo Fisco (o que ainda não ocorreu), a empresa terá acesso a um dos mais benevolentes programas de recuperação de crédito para pessoas jurídicas em má situação fiscal. A Gradiente poderá liquidar os débitos em até 120 parcelas mensais iguais, com redução de 65% nas multas e 50% de desconto nos juros e encargos. A adesão ao Refis IV evitou que sua marca fosse leiloada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A suspensão aconteceu para dar chance à empresa de parcelar suas dívidas fiscais no novo Refis. A Procuradoria foi aos tribunais e insistiu na realização do leilão, mas dez dias atrás a Justiça negou o pedido.
Com a garantia da manutenção da marca, falta resolver um terceiro ponto: a negociação com os credores. Segundo Falabella, oito deles, de um total de 23, ainda não aceitaram o prazo de pagamento pedido por Staub. Esse grupo, formado por pequenos fornecedores e prestadores de serviço, não aceita o plano de cinco etapas apresentado pela Gradiente, que prevê descontos de até 80%. É isso que precisa avançar, e rápido. "Se a empresa não tiver um plano consistente, com débitos negociados e com todos os credores de acordo, não haverá saída", diz Falabella.
"Vamos tentar o possível e quase o impossível para que a Gradiente retome sua atividade." No plano de Staub, já apresentado ao BNDES e a parceiros, uma nova empresa seria criada e não herdaria o passivo da antiga Gradiente, mas arrendaria a marca e as instalações industriais. A Agência de Fomento do Estado do Amazonas entraria com até 10% dos R$ 150 milhões a serem injetados na nova Gradiente. A família Staub colocaria metade dos R$ 150 milhões. O restante seria aportado pela Jabil e por dois fundos de pensão, o Petros e o Funcef. O último passo seria o início da operação fabril no começo de 2010. Difícil lembrar hoje de qualquer empresa brasileira que tenha ficado tanto tempo agonizando nesse mercado. Mais difícil ainda é lembrar exemplos de quem quase quebrou e tenha voltado a operar sem dificuldades. Se der a volta por cima, a Gradiente será uma exceção à regra que virará história. Procurado, Staub não se manifestou.

Multimídia
-
Antonio Marcos de Freitas
em 14/01/2011 16:07:22
É verdade amigo, eu também chorei ao saber que a nossa querida Gradiente estava com dificuldades. Nasci e cresci vendo e usando os produtos da empresa e sou seu fâ numero 1. Espero que ela reviva igual a Fênix, que ressurge das cinzas. Torço muito e espero a sua volta.
-
manoel cicero straioto
em 25/05/2010 09:10:07
trabalhei 10 anos na gradiente tive todos modelos de son, atari. meu primeiro gradiente telefone de tecla para min era amelhor fabrica de eletronica do brasil eu chorei quando soube que a gradiente estava quebarda agora estou feliz com seu retorno,obrigado sr stalb por nao deixar morrer a gradiente
Isto é compartilhar
Últimas Notícias
Ronaldo abre o jogo
10/09 - 21:00Ele não se abate
20/08 - 21:00Os novos magnatas do petróleo
11/02 - 21:00Blogs e Colunas
ver todosO fim das sacolinhas plásticas




















