NEGÓCIOS

Nº edição: 457 | 21.JUN.06 - 10:00 | Atualizado em 23.05 - 11:57

O poderoso mercado gay

Empresas descobrem a força desse milionário segmento, formado por um consumidor que gasta mais que o heterossexual e é fiel às suas marcas

Por Lílian Cunha

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Parada em São Paulo: Evento supera a F-1 e rende R$ 200 milhões à cidade
 

Neste sábado, 17 de junho, acontece em São Paulo a maior Parada do Orgulho Gay do mundo. A previsão é que mais de dois milhões de pessoas participem do evento, que no ano passado reuniu na avenida Paulista, segundo a Polícia Militar, 1,9 milhão de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e simpatizantes. Com dez anos de existência, a Parada tornou-se o principal evento da cidade, deixando para trás até o milionário circo da Fórmula 1, segundo a São Paulo Turismo (SPTuris), órgão oficial de turismo da capital paulista. A Parada atrai cerca de 600 mil turistas, que vêm para participar da manifestação, fazer compras e se divertir nos bares, restaurantes e casas noturnas paulistanas. "São pessoas que chegam com uma semana de antecedência e permanecem na cidade até o final do evento. Fora transporte e hospedagem, gastam no comércio local de R$ 180 a R$ 200 milhões", diz Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris. "Os gays são o cliente que todo mundo quer: gastam muito e ficam bastante tempo." Com tanta gente e dinheiro, é de se concluir que o evento tenha muitos patrocinadores, dispostos a mostrar seus produtos para esse público poderoso, como acontece com outras Paradas, no mundo todo. A de São Francisco, nos Estados Unidos, por exemplo, reúne pouco mais de 1 milhão de pessoas e tem o apoio de gigantes como Bank of America, MasterCard, Pepsi, Delta Airlines, entre outros. Aqui, a história é outra. As empresas ainda não apoiam o evento, mas já estão de olho no potencial desse mercado. Segundo IBGE, 10% da população do Brasil é homossexual. Pela visão corporativa, são 18 milhões de consumidores.

 

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Franco Reinaudo, diretor da operadora de turismo Álibi e fundador do Bureau de Negócios GLS: "Para o público gay, a postura da empresa conta tanto quanto a qualidade do produto"

 

“As empresas estão se preparando agora. É uma fase de transição entre um mercado que era tabu para uma grande oportunidade de negócio”, diz Franco Reinaudo, sócio da operadora Álibi Turismo, e fundador do Bureau de Negócios GLS, um grupo de empresários gays e simpatizantes, empenhados em promover negócios e dar consultorias para empresas que querem dar mais atenção a esse consumidor. O Bureau, segundo ele, tem sido requisitado por várias companhias - a maioria multinacionais - para dar treinamento a executivos e funcionários sobre como lidar com os gays. "Para o público GLS, não é só a qualidade do produto que interessa, mas também a postura da empresa", diz Reinaudo. Veja o exemplo da IBM. A multinacional da informática está estudando a possibilidade de abrir uma gerência de vendas exclusiva para lidar com consumidores gays. "Já existem quatro gerências dessas nos Estados Unidos", diz Eleonora Campi, gerente de vendas para América Latina e presidente do Comitê de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) da IBM. O comitê é formado por funcionários e sua função é promover a diversidade dentro da empresa. "O lema da IBM é a inovação. É importante ter diversidade dentro da companhia pois assim temos diferentes visões sobre um mesmo tema", diz Eleonora. É isso, segundo ela, que favorece a inovação.

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André Victória da Silva, gerente-geral do Grand Mercure Hotel Ibirapuera, em São Paulo: "Nossa expectativa é atingir lotação máxima no final de semana da Parada Gay"

 

 

A seguradora American Life é outra que resolveu apostar no chamado “pink money” (dinheiro cor-de-rosa). Ela lançou no mês passado o Vida Freedon, o primeiro seguro de vida para casais gays do País. Segundo o diretor da empresa, Francisco de Assis Fernandes, não há estimativas de quanto a população gay do Brasil movimenta financeiramente. Sabe-se apenas que esse consumidor gasta 30% a mais em bens de consumo em comparação com um heterossexual de mesma condição social. E justamente nesse mercado promissor e carente que a American Life está de olho. "Claro que quando surgiu a idéia do Vida Freedon, tivemos medo de ficar conhecidos como a seguradora dos gays. Mas isso é bobagem. Vimos que, ao comunicar nosso produto dentro da comunidade, quem é de fora nem fica sabendo", diz o executivo. A aceitação do seguro, segundo ele, foi tão boa que acabou chamando a atenção da Tecnisa Construtora e Incorporadora, uma das maiores do País, que se propôs a dar um ano de seguro para cada casal gay que comprar um de seus apartamentos.

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Francisco Fernandes, diretor da American Life, que lançou o primeiro seguro para casais gays: " A aceitação do seguro foi tão boa que a construtora Tecnisa nos ofereceu uma parceria"

 

"O que para uns é preconceito, para nos é negócio", diz Romeo Deon Busarello, diretor de marketing da construtora. Há três anos, ele convenceu a construtora a investir em peças publicitárias voltadas para o público gay, em sites da comunidade homossexual. Hoje, 12% das vendas da Tecnisa (que não divulga faturamento) vêm do público GLS (Gays Lésbicas e Simpatizantes). Na hora de escolher o acabamento, por exemplo, o casal homossexual gasta 25% do valor do apartamento, enquanto que os heterossexuais não aplicam mais de 12%. Os gays, segundo Busarello, gostam de banheiras com hidromassagem e mármore carrara italiano. "Não construímos prédios cor-de-rosa. Apenas divulgamos que somos uma empresa que aceita a diversidade".

Diversidade, aliás, é o mote do treinamento promovido por dois dos maiores hotéis de luxo de São Paulo: o Mercure Grand Hotel e o Sofitel. “Nesses cursos mostramos aos funcionários como lidar de forma adequada a situações que fogem da rotina. Atender a um casal de namorados gays, por exemplo”, diz André Victória da Silva, gerente-geral do Mercure. O hotel, pela primeira vez, está anunciando pacotes de hospedagem em sites GLS. A expectativa é atingir lotação máxima no fim de semana da Parada. No Sofitel, que também promoveu o mesmo treinamento, a meta é um aumento de 7% na ocupação. Detalhe: a diária da suíte mais barata é de R$ 400. E não há mais vaga. Deu para perceber como é poderoso esse mercado?

O perfil do público gay

18 milhões de brasileiros são gays, 10% da população

30% é o que eles gastam a mais do que os héteros

40% estão em SP, 14% no RJ, 8% em MG e 8% no RS

36% são da classe A, 47% são da B e 16%, da C

57% têm nível superior, 40% médio e 3% ensino fundamental


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        • em 07/02/2012 11:27:38

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          • em 07/02/2012 07:30:38

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            • em 07/02/2012 03:33:47

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              • em 06/02/2012 23:39:20

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                • VIVIAN ZENI

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                  • Jurandir

                    em 03/08/2011 19:40:08

                    Será a futura mina de ouro para nos do comercio. Eu falo por mim mesmo. Sou gerente, gay e sempre defendi que temos que romper barreiras e aceitar o novo.

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