NEGÓCIOS
Nº edição: 417 | 07.SET.05 - 10:00 | Atualizado em 22.02 - 15:20
Os canadenses pousaram
CHC, maior operadora de helicópteros do mundo, compra parte da paulista BHS para controlar o transporte de plataformas de petróleo no Brasil
Por Por Darcio Oliveira e Flávia Tavares
Está aterrissando no Brasil a maior operadora mundial de helicópteros que fazem o transporte para plataformas de petróleo (off-shore). A Canadian Helicopter Company, CHC, dona de um faturamento anual de US$ 900 milhões de dólares, comprou parte da paulistana BHS e chega causando arrepios na concorrência num momento em que o mercado de transporte entre plataformas de petróleo vive um período de ouro.
A Petrobras, por exemplo, está em pleno processo de renovação de toda a sua frota, composta por 45 aeronaves – a estatal responde por quase 90% desse segmento. Cada helicóptero representa um contrato de serviço, avaliado em média em US$ 300 mil mensais. Os contratos da Petrobras vão de três a cinco anos e garantem aos vencedores das licitações um grande período de lucratividade. “Na sexta-feira passada (26) a Petrobras fez nova licitação e entramos com quatro modelos de última geração, em parceria com a BHS”, disse a DINHEIRO Chris Flanagan, diretor de comunicação corporativa da CHC. “Temos uma frota de 215 helicópteros, sem contar os da BHS, e, juntos, poderemos oferecer qualquer aeronave que atenda as necessidades da estatal”. Além do mercado off-shore, a CHC também opera com modelos de resgate e helicópteros ambulância. “Mas ainda não decidimos se esses segmentos serão trabalhados no Brasil”, afirma Flanagan.
O que se sabe é que os canadenses, até aqui parceiros tecnológicos da BHS – que também atua na áreas off-shore e aeromédica –, decidiram estreitar a aliança. Na semana passada, após negociações que duraram três meses, a CHC comprou 20% da empresa brasileira, respeitando os limites exigidos pela lei para estrangeiros no setor de aviação. Os valores da transação não foram revelados. “Acreditamos que podemos oferecer à BHS nossa alta capacidade tecnológica e que a BHS pode, em contrapartida, nos dar experiência no mercado brasileiro, abrindo importantes portas de negócios no País”, comemora Flanagan. A CHC não costuma pensar duas vezes quando julga que a melhor estratégia de negócios é a aquisição de companhias no mercado-alvo. Fez isso na Espanha, ao adquirir a Helicsa e repetiu a dose na África ao abocanhar uma das maiores representantes do continente: a Schreiner Aviation Group. É um caminho mais curto e, na maioria das vezes, a parceria local ajuda e muito em processos de licitação, caso do Brasil.
As ações da CHC por aqui deverão ser concentradas neste momento na Bacia de Campos. Os primeiros investimentos da empresa terão como destino a construção de um hangar no aeroporto de Macaé, que concentra a maior parte das operações na região. Outro projeto é trazer para o País a divisão HeliOne, que faz leasing de aeronaves e manutenção de frotas. “Trata-se de um duríssimo rival. Mas, de qualquer forma, é muito importante a presença da CHC no mercado brasileiro”, diz o diretor de um concorrente nacional. “Ela agregará ao setor a tecnologia e as boas práticas de segurança e treinamento que utiliza em suas operações mundiais, como no Mar do Norte e no Golfo do México”, explica.
Hoje, dois terços da receita de US$ 900 milhões da CHC vêm das operações off-shore. Presente em 30 países, a empresa presta serviços para as maiores petroleiras do mundo, como Exxon-Mobil e Shell. Agora está incluindo a Petrobras em sua carteira de clientes. A aliança com a estatal brasileira, segundo Flanagan, será de longo prazo. Isso porque em dois anos, a Petrobras deverá abrir 55 novos contratos por conta da construção de plataformas. Estima-se que vá transportar, nesse período, cerca de 60 mil profissionais/mês. Atualmente 45 mil funcionários da estatal movem-se, mensalmente, via helicóptero, entre mais de 90 plataformas. A CHC nunca torceu tanto para que o Brasil continue sua busca pela auto-suficiência de petróleo. Atividades de exploração cada vez mais intensas, investimentos e novas plataformas em construção significam mais helicópteros transportando engenheiros e técnicos. Essa é a equação que atraiu os canadenses da CHC. ![]()
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US$ 900 milhões é quanto a companhia fatura anualmente |
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