NEGÓCIOS
Nº edição: 646 | Negócios | 22.FEV.10 - 11:19 | Atualizado em 22.02 - 11:19
Uma cidade em construção
Novo estádio de futebol para receber jogos da Copa, bairros construídos do zero e condomínios de luxo transformam Salvador num dos mais importantes polos de negócios do País
Por Nicholas Vital e Tatiana Vaz
Em novembro de 2007, o estádio da Fonte Nova, em Salvador, foi palco de uma das maiores tragédias da história do futebol brasileiro. No jogo entre Bahia e Vila Nova, parte da arquibancada caiu, matando sete torcedores. Pouco mais de dois anos depois, a Fonte Nova dá o pontapé inicial para reescrever sua história. O local começa a ser demolido na primeira semana de março.

Em seu lugar, será erguida a arena que receberá os jogos da Copa de 2014 – trata-se do primeiro estádio brasileiro aprovado pela Fifa a sair do papel. Prevista para ser entregue em dezembro de 2012, a arena está orçada em R$ 591 milhões. Desse total, R$ 400 milhões serão financiados pelo BNDES e o restante será bancado pelo consórcio formado pelas construtoras baianas Odebrecht e OAS.Em troca, Odebrecht e OAS terão os direitos de exploração da nova Fonte Nova por 35 anos.
Depois disso, deverão devolver o controle do estádio ao governo estadual. “Nossa proposta é que a nova arena receba inclusive uma das partidas da semifinal do Mundial”, afirma Alexandre Barradas, presidente da SPE Fonte Nova Negócios e Participações, companhia criada pelo consórcio para gerir o empreendimento. Segundo ele, a ideia é fazer não apenas um local para receber jogos de futebol, mas um centro de lazer multiuso, com shopping, academias de ginástica e restaurante para receber o público em todos os dias do ano.

Fonte nova: Depois da tragédia que matou sete pessoas em 2007, estádio começa a ser
demolido para dar lugar a arena multiuso. Projeto custa R$ 591 milhões
A escolha de Salvador como uma das sedes da Copa do Mundo intensificou o ritmo de investimentos que estão transformando a cidade num dos novos centros de negócios do País. Na área imobiliária, Salvador experimenta hoje uma maré alta de recursos jamais vistos na região.
Nascida da integração da Agra, Abyara e Klabin Segall, a construtora Agre vai construir um bairro inteiro na capital baiana, com investimentos previstos de R$ 1 bilhão. Chamado de Cidade Nova, o projeto abrange um complexo com três milhões de metros quadrados (o equivalente a 280 campos de futebol), localizado próximo à praia e em uma área de proteção ambiental da Mata Atlântica.

Novo bairro: construtora Agre vai investir R$ 1 bilhão em novo bairro,
que abrigará condomínios com apartamentos que custam R$ 700 mil (abaixo).
“O Cidade Nova terá 19 condomínios residenciais que vão abrigar cerca de 200 mil habitantes”, afirma João Nery, vice-presidente de operações da Agre. Para efeito de comparação, esse número equivale a uma cidade do tamanho de Marília, no interior de São Paulo.

Os apartamentos de três dormitórios custam em média R$ 700 mil – o mesmo valor cobrado em imóveis bem localizados em São Paulo, cidade mais cara do País. Dentro das residências, o morador controlará toda a iluminação e temperatura dos cômodos por meio de centrais de comando.
Até o abrir e fechar das persianas e a temperatura do banho serão gerenciados dessa forma. “Investimento imobiliário em Salvador é um grande negócio”, diz o empresário Luiz Fernando Queiroz, 31 anos, dono de quatro imóveis na cidade. “Eles se valorizam em média 30% por ano, o que nenhuma aplicação oferece.”
O Cidade Nova também contará com outros três condomínios comerciais, destinados à construção de um shopping center, supermercados, farmácias, bancos e filiais baianas de grandes empresas. “Com a Copa e a chegada de muitas empresas, os imóveis estão sendo vendidos rapidamente”, afirma Ricardo Telles, diretor da Agre Nordeste. “Já vendemos 70% dos apartamentos do complexo, boa parte disso para investidores que vão esperar os imóveis se valorizarem nos próximos anos.”
O aumento dos investimentos na região é proporcional ao ganho de renda dos moradores do Nordeste, região brasileira que apresenta os melhores índices de crescimento econômico do País. Segundo dados do IBGE, a participação dos integrantes das classes A, B e C na região saltou de 35% em 2005 para 42% em 2009. Com mais dinheiro no bolso, os consumidores se tornaram também mais exigentes.
Não muito distante do complexo da Agre, também na capital baiana, a Cyrella está construindo um condomínio gigante, voltado principalmente ao mercado de luxo. Formado por 18 torres, o Le Park abrigará 1.138 apartamentos, alguns deles com preços na casa de R$ 1 milhão “Nossa expectativa é faturar R$ 800 milhões com o Le Park Salvador”, afirma Antonio Andrade, diretor-geral da unidade Nordeste da Cyrella. Segundo o executivo, o futuro dos negócios está no Nordeste. “Há uma forte demanda do público de alto poder aquisitivo que certamente vai gerar muitos ganhos para as empresas.”
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