Entrevistas

Nº edição: 455 | 07.JUN.06 - 10:00 | Atualizado em 07.07 - 15:01

Sérgio Rosa

"Vamos investir com mais segurança"

Reeleito, presidente do maior fundo de pensão do País anuncia uma nova política de investimentos, com menor exposição a riscos de mercado e a conflitos societários

Por IVAN MARTINS


Presidente da Previ, o maior fundo de pensão do Brasil, o sindicalista Sérgio Rosa contabilizava, na semana passada, um punhado de razões para estar satisfeito. A primeira delas é que, na terça-feira 30, ele foi reconduzido ao cargo por mais quatro anos. Salvo tempestades, esse jornalista paulistano de 46 anos continuará até 2010 como principal administrador de um patrimônio de R$ 90 bilhões, considerado o maior caixa de investimentos da República. A segunda razão de contentamento é que, dias antes, seu grupo havia vencido a eleição interna da Previ pela qual são indicados os dois representantes do associados na diretoria do fundo. Essa votação consolidou o apoio interno a Rosa e depois de um período de grande turbulência, durante a qual a Previ, e os demais fundos de pensão, se viram atacados e investigados. Aí reside um outro motivo de alegria. Depois da investigação, Rosa acredita que se estampou um “nada consta” na Previ, embora no auge da crise ela fosse freqüentemente citada como “caixa do PT”. “Não há irregularidades”, sublinha. Finalmente, Rosa parece contente com o fato de que a babilônica disputa judicial com o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, esteja caminhando a seu favor. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que Rosa concedeu à DINHEIRO.


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"É duro imaginar que Deus e o mundo conspiram contra o Opportunity"

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"Uma CPI focada em irregularidades nos deu um atestado de integridade"

 

 

DINHEIRO – O sr. acaba de ser reconduzido ao cargo de presidente da Previ. O que muda?
SERGIO ROSA
– O espírito da gestão continua. Ou seja, o compromisso de defender o patrimônio dos participantes, orientação técnica em todos os negócios e preocupação ética muito forte. É o mesmo espírito que tentamos imprimir na gestão desde 2003.

DINHEIRO – Como o sr. interpreta o resultado?
ROSA
– A eleição referiu-se à parcela de dirigentes representantes dos associados. Não foi exatamente um julgamento da gestão como um todo, embora ela tenha sido colocada em debate. Foi uma eleição tranqüila. Pela primeira vez, não ocorreram acusações à Previ de malversação de seus recursos. Foi talvez a primeira eleição em que esse tema não polarizou a discussão entre as chapas. Isso diz alguma coisa.

DINHEIRO – Em termos de direcionamento de investimento, os senhores pretendem mudar de rumo?
ROSA
– Não vai mudar muita coisa. Temos um patrimônio R$ 90 bilhões e precisamos até 2012 reduzir a nossa participação em renda variável, o que a gente vem fazendo com grande cautela. A margem para novos investimentos é pequena. Nesse ano, por exemplo, essa pequena margem vai ser direcionada para fundos de private equity. Nós fizemos um processo de seleção para escolher cinco fundos. Este mês os nomes serão anunciados. Nosso programa continua o mesmo: recuperação de empresas em situação delicada, redução dos investimentos em renda variável e reinvestimento em segmentos específicos, como os fundos de private equity este ano.

DINHEIRO – Sair de renda variável significa aplicar em títulos públicos?
ROSA
– A maior parte do redirecionamento irá para renda fixa. É uma questão de segurança. Hoje temos 60% dos recursos em renda variável, uma posição de maior risco. É uma questão que tem a ver com a maturidade dos nossos planos de aposentadoria, mas é também uma questão legal. A legislação define que o máximo que podemos ter em renda variável é 50%.

DINHEIRO – A Previ segue decisões de governo?
ROSA
– Não. A autonomia da Previ é total. É óbvio que analisamos todos os cenários, inclusive as políticas de governo. Elas podem indicar um setor mais rentável ou privilegiado. Mas a gente não segue qualquer orientação governamental. Não temos que defender interesses que não sejam os dos associados.
DINHEIRO – Mas a Previ é sempre citada como fonte de recursos para investimentos de longo prazo.
ROSA
– A Previ é citada muitas vezes apenas como um elemento de expectativa. Imagina-se que tal ou qual programa possa atrair o interesse de investidores como a Previ. Mas acho que esses anos mostraram que não houve decisão de investimento nossa que tenha sido tomada em função de interesse governamental. Nós nos preocupamos com o interesse público, mas dentro de uma visão de autonomia e de procura da rentabilidade.

DINHEIRO – Costumava-se ver o nome da Previ associado às parcerias público-privadas. A idéia morreu?
ROSA
– As PPPs continuam sendo um programa relevante, mas depende do governo. Temos disponibilidade de analisar os projetos e entendemos que a infra-estrutura é um setor com muitas oportunidades de investimento e bom retorno. É um segmento no qual também o setor privado tem mostrado interesse.

DINHEIRO – Os conflitos com o Opportunity levaram os senhores a rever procedimentos? Essa briga na Justiça já custou um dinheirão...
ROSA
– Ainda está custando, mas com retorno. A gente acabou de vender a nossa participação na Santos-Brasil, que administra o terminal de contêineres no porto de Santos. Era um investimento que estava com valor próximo de zero, sem nenhuma liquidez. Conseguimos recuperar o poder de gestão e atribuir à nossa participação um valor de controle. Vendemos e a Previ vai receber R$ 140 milhões. Isso paga, com bastante folga, os custos de advogados que incorremos nesse período por causa do Opportunity.

DINHEIRO – E quanto aos procedimentos internos?
ROSA
– Houve um aprendizado. Melhoramos a análise técnica e as diligências sobre os empreendimentos nos quais consideramos entrar são mais profundas. Foram criadas novas cláusulas nos contratos que se firmam com os administradores de carteira ou de fundos que a gente contrata. Todo esse problema levou a Previ a ser muito mais cautelosa.

DINHEIRO – O sr. acha que a Previ está blindada?
ROSA
– Evidentemente não se tem um sistema perfeito. Toda organização está em aperfeiçoamento. Mas hoje temos uma metodologia de análise, um roteiro de procedimentos e uma estrutura que dificultam coisas mal contratadas.

DINHEIRO – Protege inclusive da pessoa capaz de nomear o presidente da Previ?
ROSA
– Sim. Hoje, uma decisão de investimento da Previ passa pela área técnica, que tem regras a seguir. A área técnica sabe que toda a proposição que ela fizer à diretoria vai estar sujeita amanhã a análise de auditoria e controle internos. Errar nós podemos errar. No mundo dos negócios não se acerta o tempo todo. Mas, se errarmos, não vai ser por dolo ou imperícia. Temos controles.

DINHEIRO – As investigações sobre decisões passadas já resultaram em alguma punição?
ROSA
– Nós já entramos na Justiça contra as pessoas que nós entendemos que incorreram em algum procedimento equivocado. Não podemos acusar ninguém de corrupção e nem temos como analisar esse aspecto. Não temos poder de polícia, mas podemos perceber o descumprimento de normas e orientações, ou imperícia na proposição de alguma matéria. É uma questão delicada que a gente trata com sigilo. Temos a nossa avaliação do caso, mas as pessoas têm de se defender. Nós não queremos dar divulgação ampla a esses casos para não precipitar um julgamento público.

DINHEIRO – Houve polêmica quando as ações da Brasil Telecom caíram, sob o novo gestor que tomou o lugar do Opportunity. O que o sr. acha disso?
ROSA
– O que aconteceu foi o normal. Quando se dá transparência a questões ruins de uma empresa é normal que a primeira reação do mercado seja negativa. A nova direção da BrT empreendeu um processo muito sério de auditoria e deu conhecimento público de coisas erradas. Isso foi feito com muito critério, na forma de uma representação à Comissão de Valores Mobiliários. Quando as perdas foram levadas a público, o mercado tomou conhecimento de uma realidade que estava sendo mascarada. De qualquer maneira, o valor das ações da BrT desde a troca de gestor subiu. Acreditamos que a nova direção da empresa está no caminho certo, no campo ético e no campo dos negócios.

DINHEIRO – Acabou a pendência com o Opportunity?
ROSA
– Infelizmente, não. O Opportunity ainda resiste com ações em relação a acordos que nós julgamos prejudiciais à Previ, resiste questionando as assembléias realizadas, tem uma ação contra o Citibank na corte de Nova York. Da nossa parte, temos várias representações contra o Opportunity e os ex-gestores das empresas em função de perdas e prejuízos. Estamos longe de um desfecho final.

DINHEIRO – O banqueiro Daniel Dantas diz que está apenas tentando receber o que é dele...
ROSA
– Nunca foi negado ao Opportunity o direito justo da parte minoritária de ações que ele possui nessas companhias. Todos os acordos que fechamos com o Citibank garantem ao Opportunity os direitos societários em linha com a legislação e as melhores práticas de equidade entre acionistas.

DINHEIRO – Dantas se diz vítima de perseguição.
ROSA
– Isso é totalmente absurdo. Todo mundo sabe que os litígios da Previ contra o Opportunity começaram em 2000. Já naquele ano a Previ contratou advogados para discutir os contratos. Em 2001 começamos a questionar a prestação de contas do Fundo. Em 2002 a Previ tomou providências mais duras, inclusive com representações na CVM. Há uma linha de coerência na atuação da Previ e dos fundos de pensão em relação ao Opportunity.

DINHEIRO – Isso não pode ser interpretado como ação petista contra um empresário que não quis colaborar?
ROSA
– Para quem quer tentar convencer a opinião pública de que é vitima e não culpado, vale qualquer argumento. Mas seria exagerado imaginar que a Polícia Federal, a Telecom Italia, a Previ e demais fundos de pensão, o Citibank, deus e todo mundo estão envolvidos numa grande conspiração contra o Opportunity.

DINHEIRO – Os fundos foram chamados à CPI e o relatório final é muito crítico. Como o sr. avalia isso?
ROSA
– Tivemos uma CPI que quebrou o sigilo de 14 fundos de pensão, que contratou uma consultoria especializada, que teve condições de investigar e analisar e identificar grandes problemas e, ao final, não encontrou nos maiores fundos nenhum problema passível de ser enquadrado como investimento irregular ou favorecimento de qualquer tipo. Quer dizer: mesmo nesse cenário viciado pela disputa política a CPI mostrou que o sistema está mais seguro do que no passado.

DINHEIRO – Como a Previ se saiu nesse relatório?
ROSA
– Praticamente isenta. Foram meses de investigação e nenhuma operação foi apontada como irregular, nenhuma perda foi identifica nos negócios realizados. Uma comissão focada em buscar irregularidades não as encontrou. É mais uma prova da integridade dos negócios que a gente vem realizando.

 


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  • Ajptseyi

    em 27/02/2011 00:37:50

    Churchhill

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    • ByLlAMocDkf

      em 16/02/2011 12:13:30

      sky.txt;5;5

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