FINANÇAS

Nº edição: 699 | Finanças | 25.FEV.11 - 21:00 | Atualizado em 23.05 - 11:08

Banqueira de tirar o chapéu

Alessandra França, uma bela jovem de 25 anos, montou um banco dos pobres depois de ler a biografia de Muhammad Yunus, Nobel da Paz de 2006.

Por Caio Moretto


Ouça um resumo da reportagem

 

A paranaense Alessandra França nunca se encaixou no perfil da adolescente convencional. Aos 15 anos, a filha de um caminhoneiro e de uma costureira foi estudar informática na Organização Não Governamental (ONG) Projeto Pérola. A ONG dedica-se à capacitação de jovens carentes em Sorocaba, interior de São Paulo, onde Alessandra mora. Sua progressão foi rápida. 

Em quatro anos, ela avançou de aluna para colaboradora e, posteriormente, tornou-se coordenadora dos trabalhos. Alessandra obteve uma bolsa em um colégio particular, formou-se em marketing e concluiu um MBA em gestão de pessoas. Em princípio, tinha tudo para buscar uma carreira executiva. 
 
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No entanto, aos 16 anos ela leu O banqueiro dos pobres, um livro que mudaria sua vida. Nele, o bengali Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz de 2006, conta como construiu uma rede de crédito eficiente e barata para a população carente de Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo. “Foi uma revelação”, diz. Hoje, aos 25 anos, ela coordena o Banco Pérola, que concede empréstimos para jovens de Sorocaba.
 
À frente da ONG, Alessandra havia percebido que os jovens que estudavam tinham muita dificuldade para fazer seus projetos avançar. Eles não tinham crédito, mesmo que os valores requeridos fossem pequenos. 
 
Daí nasceu o Banco Pérola – na verdade, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), entidade que presta contas aos ministérios do Trabalho e da Justiça. Seus agentes procuram lideranças comunitárias e igrejas para divulgar os empréstimos e conquistar clientes. 
 
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Estilo despojado: Alessandra e a equipe do Banco Pérola, inspirado no Grameen Bank, do Prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus
 
O crédito só é concedido para jovens que tenham projetos de empreendimentos pessoais em qualquer área de interesse. “Não analisamos apenas o projeto, também olhamos para o caráter do cliente, como ele é conhecido entre seus vizinhos e amigos”, diz Alessandra.  “O mercado financeiro pode ser humanizado.” O modelo é o mesmo do Grameen Bank, de Yunus. Os clientes têm de vir em grupos de três a cinco pessoas. Todas são responsáveis. “Se um deles não conseguir pagar, o grupo se compromete a honrar o compromisso.” 
 
Vaidosa, a bela banqueira de Sorocaba adora vestidos floridos e esmaltes de cores fortes, modelito usado no dia a dia e nos contatos com a comunidade. Nas reuniões com financiadores, como a Caixa Econômica Federal, usa tailleur e óculos. 
 
“É para parecer mais velha.” Esse hábito vem desde o início do projeto. O capital inicial veio de uma organização internacional de estímulo a projetos sociais chamada Artemísia, fundada em 2002 e que começou suas atividades no Brasil em 2004. 
 
Há dois anos, Alessandra inscreveu seu projeto em um concurso da Artemísia e teve 15 minutos para defendê-lo diante de uma banca examinadora. Foi uma tarefa difícil. Um dos examinadores perguntou, sem rodeios: “Você acha que os jovens são confiáveis e vão pagar os empréstimos?” Mesmo nervosa, Alessandra não hesitou. 
 
“Eu sou jovem”, respondeu. “Se não acreditasse, não estaria aqui.” Projeto aprovado, a Artemísia forneceu R$ 40 mil para estruturar as atividades do banco.
 
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O Pérola possui um capital de R$ 240 mil. A maior parte vem de doações e R$ 100 mil são recursos oferecidos pela Caixa. Os juros cobrados são de 4% ao mês e os empréstimos ficam, em média, em R$ 1.500. 
 
Os números ainda são modestos. Em dois anos, Alessandra concedeu empréstimos para 45 clientes. A meta é emprestar para mais 300 pessoas este ano. Ela negocia a abertura de uma filial na cidade vizinha de Porto Feliz para ganhar volume. O ponto de equilíbrio do banco é de R$ 1 milhão emprestado, quando não dependeria mais de doações e parcerias, calcula.
 
Como toda banqueira que se preze, Alessandra capta dinheiro mais barato do que empresta. A inadimplência dos clientes com até 35 anos é zero. Mesmo assim, os balanços mostram um calote de 2%, abaixo da média do sistema bancário.
 
“Foi uma experiência que fizemos ao emprestar para clientes mais velhos”, diz. Os jovens não oferecem esse problema. “Eles são mais dinâmicos e são mais flexíveis, além de ouvir o que temos a dizer.” 
 

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  • Francisco Arnaldo

    em 19/04/2012 18:16:41

    Parabens, como vai os negócios. Sou consultor, trabalho com pequenos empresários. Podemos ser parceiros?

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    • Jose Luiz Amaral Carneiro

      em 04/04/2012 16:55:31

      Alessandra meus parabéns. A tese de ser possivel humanizar o mercado financeiro e sensacional. Como posso obter maiores informações sobre o projeto para tentar fazer nas Minas Gerais? Nosso email é methamorfose@methamorsoe.com.br Atenciosamente José Luiz A. Carneiro

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      • Jose Luiz Amaral Carneiro

        em 04/04/2012 16:55:29

        Alessandra meus parabéns. A tese de ser possivel humanizar o mercado financeiro e sensacional. Como posso obter maiores informações sobre o projeto para tentar fazer nas Minas Gerais? Nosso email é methamorfose@methamorsoe.com.br Atenciosamente José Luiz A. Carneiro

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        • em 07/02/2012 12:45:02

          ap.txt;5;10

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          • em 07/02/2012 08:44:02

            ap.txt;5;10

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            • em 07/02/2012 04:47:40

              ap.txt;5;10

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              • em 07/02/2012 00:51:32

                ap.txt;5;10

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                • Paulo Leandro Leal

                  em 16/01/2012 23:38:33

                  A iniciativa é boa. Os juros ainda são altos, mas acredito que o aumento do volume de dinheiro emprestado vai reduzir estes juros para patamares melhores, portanto o sucesso desta iniciativa vai depender do seu crescimento. Parabéns!

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                  • Lara

                    em 17/11/2011 15:17:39

                    Fala sério em Marcos, já que vc entende tanto assim do negócio, pq vc mesmo não montou algo desse tipo?? Criticar é fácil, mas na realidade é totalmente diferente. Primeiro, busca saber como montar e o que precisam para funcionar uma idéia dessa e dpois volta a falar....

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                    • Gilberto Saugen

                      em 05/11/2011 07:18:21

                      A taxa cobrada não é de banco social, mas também não é de banco comercial. Há possibilidade de essa taxa ser reduzida? Se fosse, haveria muitos mais tomadores de empréstimos.

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                      • Paulo de

                        em 20/10/2011 10:52:35

                        Alessandra, parabéns! Contratar-te-ei assim que eu montar meu banco! Abçs

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                        • ngjQVagytZ

                          em 21/04/2011 04:33:28

                          I'm impressed! You've managed the almost impossilbe.

                          Denuncie esse comentário

                          • Amigo Oculto

                            em 20/04/2011 19:31:16

                            Alessandra, sugiro ligar para o número (21) 2172-8888 e pedir orientações quanto ao Programa de Microcrédito do BNDES. Poderia ser um importante funding com custo bastante reduzido para o Banco Pérola. Parabéns pela iniciativa.

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                            • Henrique Antunes

                              em 13/04/2011 14:04:18

                              4% para inicio não está tão caro, é claro que a medida em que este número (45 clientes) for aumentando, será totalmente viavel a redução desta taxa, desejo sucesso, e um crescimento sustentável para vocês...

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                              • Eraldo Nazario

                                em 07/04/2011 17:58:44

                                Esse tipo de negócio deveria ser incentivado pelo BNDES de forma mais ampla... a gigante Petrobras, será que ele não tem dinheiro? Alexandra eu lhe desejo muito sucesso e cuidado com o grandes do mercado finenceiro...

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                                • Raimundo Setúbal

                                  em 25/03/2011 17:40:56

                                  Parabéns Alessandra, pela iniciativa, e pela visão de negócio. Muito bem, persista! Quanto a comentários;no Brasil, muitos querem ser "pedra" e poucos querem ser "vidraça". A critica sem uma boa proposta alternativa é vazia. alguns não fazem idéia de soluções, mas tem a critica na ponta da lingua

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                                  • Jeffersson

                                    em 10/03/2011 11:43:14

                                    Os que criticam a taxa de 4% para manter a instituição devem ser funcionarios publicos que estão acostumados com as benesses da "viuva" que provem todos sem necessidade de retorno. Já existe prog . gov. como o "Bolsa Parasita" q a FGV demonstrou em nada contribuir para mudar a situação de pobreza

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                                    • Iris Rezende Machado

                                      em 02/03/2011 14:59:39

                                      Aos que criticam a taxa de juros de 4% aa ( o que gera uma receita de R$ 9.600,00 ao mes, levando-se em consideracao a administracao de ativos no valor de R$ 240.000,00 ), por favor me digam qual a formula magica para administrar uma empresa com 4 funcionarios + despesas fixas com um valor inferior?

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                                      • Luis dos Anzois Furtado

                                        em 02/03/2011 01:32:56

                                        Além de muito gostosa e charmosa, vc é extremamente inteligente, parabéns pelo empreendimento..

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                                        • flavio maza

                                          em 28/02/2011 21:47:40

                                          Agiotagem é cobrar 13,5% no cheque especial e as cooperativas de crédito de 2% tem que ser feito um aporte inicial para ter direito a empréstimo. Esta instituição dá apoio através de visitas orientativas, e isto tem custo, ou vocês que reclamam trabalham por amor a arte? Parabéns grande ideia.

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