ESTILO

Nº edição: 597 | 18.MAR.09 - 10:00 | Atualizado em 11.05 - 04:22

Estilistas sem roupa

Eles já fizeram sucesso nas passarelas e hoje vivem dos perfumes. O novo pretendente a entrar nesse grupo é o brasileiro Ocimar Versolato. Conseguirá?

Por CARLOS SAMBRANA

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O ESTILISTA PAUL POIRET (1879-1943) praticamente inventou um nicho de mercado ao inaugurar o casamento entre a moda e a perfumaria. Depois de 1910, quando ele lançou sua fragrância - a primeira de uma maison da alta-costura, - a relação entre o mundo fashion e a indústria da perfumaria nunca mais foi a mesma. As grifes passaram a lançar suas coleções e os perfumes passaram a pegar carona em seus sucessos. "As pessoas compram a fragrância para acessar a marca", diz Carlos Ferreirinha, diretor da MCF Consultoria & Conhecimento. Para se ter uma ideia da magnitude dessa união, dos 17,93 bilhões de euros faturados em 2008 pelo grupo Louis Vuitton Moët Henessy (LVMH), dono de marcas como Dior e Kenzo, 2,8 bilhões de euros vieram da divisão de perfumes e cosméticos.

Mas um grupo de estilistas está mudando esse conceito de que a moda é imprescindível para o desempenho de vendas de um perfume. São estilistas que fizeram sucesso nas passarelas, mas, de certa forma, deixaram a tesoura e o dedal de lado, para se concentrar na perfumaria. Entre eles, os destaques ficam com o espanhol Pacco Rabanne e com o francês Thierry Mugler. O novo candidato a entrar nesse rol é o brasileiro Ocimar Versolato.

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Depois de três anos afastado do mundo da moda, apesar de ele dizer que "ainda desenha para clientes especiais", Versolato voltou aos holofotes. Ele acaba de inaugurar, em Marília, interior de São Paulo, a primeira de uma série de lojas de perfumaria com o seu nome. O começo pelo interior se deve ao custo de propaganda e marketing na região, muito mais barato do que nas capitais. O estilista, entretanto, afirma que inaugurará uma loja em um dos principais shoppings de São Paulo e, até 2010, pretende abrir um ponto em Milão ou Paris. "Ainda estamos definindo isso", explica. "O que é certo é que teremos 20 lojas até o fim de 2009", diz Versolato, que se associou à empresa DNA Cosméticos, de Itapetininga, interior de São Paulo, na empreitada. Versolato entra com a direção artística e todo o conceito da marca e a DNA bancará o projeto que, segundo ele, consumirá investimentos de R$ 6 milhões. As lojas serão franqueadas e demandarão de R$ 160 mil a R$ 210 mil. "Nisso, estão inclusos a franquia, a ambientação do ponto e o estoque", explica Versolato. A ideia do estilista é vender produtos como perfumes, cremes e maquiagem para as classes C +, B e A. Afinal, a fragrância mais cara não passará de R$ 180. "Esse projeto tem grandes chances de ter problemas. Não dá para conquistar todas as classes com a mesma marca", diz Julio Moreira, professor da pós-graduação da ESPM. "Será mais fácil ele conquistar as classes C e B que ainda não conhecem muito a marca, pois o público que busca produtos diferenciados olhará para a grife com desconfiança."

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Isso se deve, em grande parte, aos vários arranhões sofridos pela grife nos últimos anos. Versolato foi o primeiro brasileiro a entrar no panteão dos estilistas de Paris quando assumiu o comando artístico da francesa Lanvin, na década de 90, mas durou pouco no cargo. Ainda na França, acumulou dívidas com sua própria grife. Em 2005, contudo, renasceu como fênix e causou estardalhaço ao inaugurar sete lojas com o seu nome, nos endereços mais nobres do Brasil, em parceria com a empresária Sandra Habib, num investimento estimado em R$ 40 milhões. A aventura, porém, foi curta e, em menos de seis meses, todos os seus pontos estavam fechados. "Para mim, isso é passado e tudo está sendo resolvido na Justiça", diz ele, que está processando os ex-sócios. É, porém, um passado que pode comprometer o futuro do seu negócio.

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A imagem é crucial principalmente porque hoje esses estilistas não expõem suas criações nas passarelas. A rigor, vivem do passado de sucesso. Paco Rabanne, por exemplo, é lembrado por ter instituído metais em roupas nos desfiles. "Ele fez a última coleção na virada do milênio e hoje sua marca existe nos perfumes", diz Gloria Rodrigues, diretora de marketing do grupo Puig, o dono da grife. O francês Thierry Mugler, que ainda tem roupas, mas pouco, segue a mesma linha. "Os perfumes representam 90% do faturamento da grife", diz Viviane Soares, diretora da Clarins, empresa que fabrica os perfumes do designer. Cabe a Versolato provar que, a despeito das críticas e do passado, esse novo negócio foi costurado com sabedoria.


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  • Esthefane da Cunha Reinoso

    em 09/09/2010 18:16:43

    amo todos os estilistas amo moda entao amo Paul Poiret ♥

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