NEGÓCIOS
Nº edição: 447 | 12.ABR.06 - 10:00 | Atualizado em 21.02 - 15:43
Volvo muda tudo
Marca sueca vendeu apenas 380 carros no Brasil em 2005. Conheça seu plano para sair desse marasmo em apenas dois anos
Por Christian Carvalho
John Peart, presidente para América Latina e Caribe do Premier Automotive Group (PAG), a divisão de cuida das marcas de luxo da Ford, mostra desapontamento ao estender seu cartão de visitas, numa manhã quente de março. “Não gosto desse cartão. É meio apagado, sem cor”, diz o homem responsável pelas grifes Aston Martin, Jaguar, Land Rover e Volvo. Peart está se referindo às letras cinza-sem-graça impressas sobre fundo branco. Contudo, se tudo sair como o planejado, ele terá um cartão mais bonito em breve. Peart está à frente de um megaprojeto que pretende tirar uma de suas marcas, a Volvo, do marasmo que ela vive no País. O plano: mais que dobrar as vendas dos carrões suecos de 380 unidades/ano para 1 mil até o final de 2007 — o que pode resultar, segundo o executivo, num avanço de 60% do faturamento já nos primeiros doze meses.
A mudança radical passará pelo lançamento nacional de dois esculturais modelos Volvo, o C30 e o C70. Mas a peça de resistência será a intervenção cirúrgica no calcanhar de Aquiles da marca no Brasil — a sua parca rede de concessionárias. Comercializando carros no País desde 1991, a Volvo Automóveis terminou 2005 com sete revendas exclusivas (quatro em São Paulo e mais Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba). “Teremos um total de treze lojas até o final de 2007, chegando também a Porto Alegre, Florianópolis, Brasília e Nordeste”, afirma Marcos Saade, diretor de vendas e marketing da Volvo Automóveis Brasil. Essas lojas tomarão um banho de sofisticação, ganhando piso de madeira, iluminação suave, paredes de vidro e um ritual na hora de entregar o carro ao cliente.
Pelo caminho da reestruturação, porém, ficou a Vocal Motors, responsável pela introdução dos carros Volvo no Brasil quando a marca ainda não pertencia à Ford. No começo de março, a Vocal, um dos negócios da família Feffer (Grupo Suzano), vendeu suas quatro concessionárias de automóveis Volvo — todas em SP — à Itavema, um dos maiores conglomerados do setor. “A decisão faz parte do planejamento de concentrar foco e recursos no segmento de caminhões e ônibus, no qual atuamos desde 1980 e somos líderes na América Latina”, informou Marcos Burani, diretor-superintendente do Grupo Vocal.
Volvo e Vocal negam que tenha ocorrido o descredenciamento da segunda. “Não existe caça às bruxas”, afirma Peart. “A decisão de deixar o negócio foi tomada pela Vocal”. Seja como for, a saída da Vocal fará bem à Volvo, diz o executivo de outra montadora. “Foi um erro colocar os carros nas mãos de um grupo especializado em caminhões e ônibus. São negócios completamente diferentes”, avalia ele. “Isso fez com que a venda de carros Volvo fosse tratada como só mais um negócio dentro de uma estrutura gigantesca (as empresas dos Feffer).”
A Volvo global volta suas atenção ao Brasil por um motivo simples: o mercado de carros de luxo está saturado nos seus redutos tradicionais. Em 2005, as vendas da marca caíram 11% nos EUA, 5% na Inglaterra e 8% na Alemanha. Mas subiram 39% na Irlanda, 30% na África do Sul e 83% na China. Peart quer colocar o Brasil nessa rota. Ele brinca: “A Land Rover produziu 190 mil carros no ano passado e vendeu 2 mil no Brasil. A Volvo fabricou 450 mil unidades e comercializou só 380 aqui. Meu chefe na matriz vive me pedindo para explicar essa conta”.
Para não ter de se explicar demais, Peart trará, a partir de 2007, a nova jóia da coroa sueca — o arrojado modelo C30. Desenhado para concorrer com o novo Audi A3 e o BMW Série 1, o primeiro hatchback da Volvo custará em torno de R$ 130 mil. E é só o começo. “A meta é lançar um produto novo a cada nove meses nos próximos três anos”, conta Peart, já pensando numa autorização da matriz para pôr uma corzinha em seu cartão de visitas.
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