NEGÓCIOS
Nº edição: 447 | 12.ABR.06 - 10:00 | Atualizado em 21.02 - 15:43
Diadora entra na passarela
Conhecida pelos tênis esportivos, a grife italiana quer mostrar que também pode ser fashion
Por ROSENILDO GOMES FERREIRA
A italiana Diadora conseguiu sobreviver e até fazer um relativo sucesso no segmento de tênis de performance, dominado pela Adidas e a Nike. Por muitos anos, a tática de guerrilha – baseada no patrocínio de times de futebol emergentes e de alguns atletas de expressão como Zico, Guga e Francesco Totti – foi suficiente para garantir sua permanência no jogo. Não mais. Com as receitas estagnadas na faixa dos US$ 360 milhões era preciso virar o jogo. E Enrico Mambelli, que assumiu a presidência da empresa no final de 2004, optou por seguir os passos das rivais e caminhar em direção ao mundo fashion. A tarefa foi confiada ao designer Max Verre, que trabalhou para Yves Saint Laurent e Gucci. É ele quem assina a recém-lançada linha d.LUX. São calçados de cores fortes (marrom, dourado, prata e vermelho), confortáveis e bonitos o bastante para serem usados nas baladas noturnas. O destaque são os modelos poule e cross, feitos com pele de tubarão. Preço: 600 euros cada. E é com excentricidades deste tipo que Mambelli espera sacudir a Diadora. O executivo sabe que terá pela frente uma batalha árdua. Afinal, a grife está entrando atrasada em uma arena dominada por Nike, Adidas e Puma. Esta última, aliás, conseguiu sair do ostracismo em 1997, ao se transformar em um objeto do desejo de consumidores exigentes em matéria de qualidade e que fazem questão de andar na moda. Mas isso não assusta o presidente da Diadora: “Somos a maior companhia italiana de artigos esportivos. E o nosso país é conhecido pela excelência no design, no estilo e na criatividade”, disse Mambelli à DINHEIRO.
Exótico: Feito de pele de tubarão, o calçado custa 600 euros.
O Brasil tem um lugar de destaque na trilha percorrida pela Diadora. A linha d.LUX chega ao País em agosto. Levando-se em conta o sucesso das roupas com apelo fashion, a expectativa é positiva. A participação desses itens cresce a cada mês e já representa 13% das vendas totais. A meta é ampliar esta fatia para 20%. “Os calçados d.LUX vão nos ajudar a cumprir este objetivo” aposta Luis Maia, responsável pelo marketing da Diadora no Brasil. Em 2005, o faturamento da marca atingiu R$ 65 milhões. Para dar conta da tarefa a matriz autorizou Maia a elevar em 20%, para US$ 4 milhões, o orçamento de divulgação. Ele quer aproveitar o bom momento para abrir uma loja-conceito na badalada rua Oscar Freire, em São Paulo, seguindo os passos de Nike, Adidas e Puma. Só falta o OK do chefão Mambelli.
US$ 360 milhões é a receita mundial da Diadora. O Brasil colabora com
R$ 65 milhões
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