NEGÓCIOS
Nº edição: 447 | 12.ABR.06 - 10:00 | Atualizado em 13.06 - 13:47
Gigante bilíngüe da Telecom
Alcatel e Lucent se unem para enfrentar os chineses
Que motivo seria forte o bastante para colocar franceses e americanos na mesma mesa? A
briga com os chineses, claro. Para enfrentar a concorrência da ZTE e da Huwaei, a fornecedora francesa de equipamentos de telecomunicações Alcatel comprou a americana Lucent, formando uma companhia líder mundial no fornecimento de soluções de telecom, com um faturamento anual de US$ 25 bilhões. O negócio foi anunciado na semana passada, mas as conversas sobre uma fusão vêm desde 2001. Agora, as empresas só dependem da aprovação dos órgãos reguladores da França e dos Estados Unidos para concluir a união. E, apesar do objetivo comum e de uma previsão de economias de US$ 1,7 bilhão em três anos, fazer franceses e americanos falarem a mesma língua será um grande desafio.
A Alcatel, que desembolsará US$ 13,4 bilhões na operação, será a acionista majoritária da nova companhia, com 60% das ações. A Lucent ficará com os outros 40%. O objetivo da compra, segundo comunicado da empresa francesa, é ampliar a participação de mercado e a carteira de produtos. Juntas, elas terão uma capitalização de mercado de US$ 36 bilhões, mais poder para negociar com as empresas de telefonia e uma base de pesquisa e desenvolvimento mais forte. A nova empresa terá sede em Paris e será comandada pela diretora-executiva da Lucent, Patricia Russo. Esta pode ser uma atitude apaziguadora entre franceses e americanos. Nada apaziguador foi o anúncio de que 8,8 mil funcionários perderão seus empregos.
Por aqui, as conseqüências da fusão ainda não estão claras. Mas, como no resto do mundo, o portifólio de clientes e produtos deverá ser complementar. A Alcatel faturou R$ 931 milhões e a Lucent fechou, nos últimos nove anos, mais de US$ 4 bilhões em contratos com os principais provedores de serviços e operadoras de redes fixas e móveis.
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