NEGÓCIOS
Nº edição: 447 | Copa 2006 | 12.ABR.06 - 10:00 | Atualizado em 17.06 - 12:00
Os lucros do planeta bola
O bilionário mercado que gira ao redor da redonda oficial feita pela Adidas
Teamgeist, eis o nome de sua senhoria. A “Espírito de Equipe”, na tradução para o português, é a bola da Adidas para a Copa de 2006. Pesa 444 gramas. Leva 14 gomos de couro sintético, e não os tradicionais 32, desenvolvidos em 1970. É a primeira da história a não ser costurada – suas partes são coladas. A bola – certamente o mais visto dos personagens entre 9 de junho e 9 de julho, na Alemanha – é um pequeno planeta bilionário, cercado de satélites alimentados por ela. A Adidas, a dona da redonda, teve faturamento de 6 bilhões de euros em 2005. Para 2006, com a venda das bolas e das camisas das seleções, estima-se alcançar o recorde de 10 bilhões de euros. Cerca de 12 mil unidades já foram enviadas às federações de futebol dos 32 países classificados para o Mundial - outras 6 milhões sairão das lojas de artigos esportivos. No Brasil, a Teamgeist oficial custa R$ 399.
“Trabalhamos com força total”, diz Masami Sakamoto, diretor da fabrica japonesa Molten, cuja filial da Tailândia foi designada pela Adidas para a fabricação da pelota. Ali, quase mil trabalhadores confeccionam cinco milhões de bolas anuais, aí incluindo as de basquete e voleibol. Em ano de Copa, a atenção aos fabricantes aumenta e com ela olhar vigilante típico do planeta globalizado e socialmente injusto: mais de 80% delas são feitas na região nordeste do Paquistão, em condições nem sempre adequadas. Este ano, transferiu-se a produção da bola oficial também para a Tailândia. A preocupação com denúncias antigas de trabalho infantil e descuido com o meio ambiente, gerou uma operação de guerra. Cientistas desenvolveram uma cola quimicamente menos agressiva aos pulmões dos operários. Novas instalações puseram as linhas de montagem na categoria ISO 14001. Afastou-se o trabalho das casas pobres, como costumava acontecer, de modo a seguir as regras do chamado Acordo de Atlanta, que impôs aos fabricantes esportivos limites muito rígidos na contratação de profissionais. “Mesmo assim os salários pagos, de menos de US$ 50 ao mês, não são suficientes para garantir educação às crianças”, diz Barbara Schimmelpfennig, porta-voz da ONG Gepa.
80% das peças são feitas no Paquistão
R$ 399 é o preço da bola oficial no Brasil
12 mil unidades foram enviadas aos 32 países do Mundial
6 milhões de bolas Adidas serão vendidas em 2006
NEGÓCIOS DA COPA
Nos embalos de John Travolta
O que você lerá a seguir é a sério, não se trata de brincadeira: o ator John Travolta deve pilotar o jato que levará a equipe da Austrália à Alemanha para a Copa do Mundo. O Tony Manero dos Embalos de Sábado à Noite é garoto-propaganda da Qantas, a companhia de aviação australiana. Além disso, tem brevê há anos. Trata-se de uma jogada de marketing para promover a empresa e os Socceroos, o apelido da equipe da terra dos cangurus. Brasil e Austrália jogam no dia 18 de junho em Munique.
MONOPÓLIO POLÊMICO
Há uma grita contra o Comitê Organizador da Copa. O grupo Bertelsmann, terceiro maior grupo de entretenimento do planeta, tem o monopólio da venda de publicações a respeito do Mundial nas proximidades dos 12 estádios. Nem mesmo os jornais locais poderão vender revistas encartadas naquilo que se convencionou chamar de “área de proteção”.
US$ 16,5 bilhões é o faturamento anual do grupo Bertelsmann
AS QUATROS MARCAS MAIS LEMBRADAS NO BRASIL
Pesquisa realizada pela empresa QualiBest, especializada em controle de opinião pública, listou as grifes mais lembradas em tempo de Copa do Mundo. Foram realizadas 2.996 entrevistas pela internet, em todo o País. Os resultados:
83%
77%
57%
48%
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