NEGÓCIOS

Nº edição: 414 | 17.AGO.05 - 10:00 | Atualizado em 23.05 - 10:33

O que a Gradiente viu na Philco

Eugênio Staub paga R$ 100 milhões pela fabricante de televisores em uma nova tentativa de disputar a liderança desse mercado no País

Por Por joaquim castanheira e manoel fernandes

Em conversas com amigos nos últimos dias, o empresário Eugênio Staub tem contado uma história para convencê-los de que fez um bom negócio ao comprar na semana passada a concorrente Philco, até então parte do patrimônio da família Setúbal, controladora do Banco Itaú, da Duratex e da Itautec. Dono da Gradiente, Staub revelou que, 24 horas após fechar o acordo, já tinha na porta um potencial comprador para a nova empresa. Ele não revelou o nome, mas a suspeita mais provável recai sobre a fabricante chinesa TCL que há meses ronda o mercado brasileiro atrás de oportunidades. “A companhia não está à venda”, disse Staub ao candidato a comprador. O valor pago pela Philco não foi revelado oficialmente, mas calcula-se que a Gradiente desembolsará algo entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões, o equivalente a cinco vezes o lucro da empresa do Grupo Itaúsa. Nos dias seguintes, especialistas se perguntavam por que Staub teria feito essa aposta. Para a maioria deles, o empresário estaria unindo duas marcas fortes para entregá-las a um comprador estrangeiro. Staub comentou com executivos de sua empresa que essa hipótese é descabida. Segundo ele, seu principal desejo é criar uma blindagem contra o desembarque dos chineses, os únicos fabricantes mundiais sem unidades de produção no País. Nesse caso, o principal foco de preocupação seria a TCL, que vendeu no ano passado 16,7 milhões de aparelhos em todo o mundo, o dobro do mercado brasileiro que comercializou em 2004 cerca de 8 milhões de unidades – o pico desse setor aconteceu em 1996 quando foram vendidos 9 milhões de televisores.

Em suas conversas particulares, Staub lista diversos motivos que o levaram a assinar o acordo com os Setúbal. Um deles é concretizar um antigo plano de disputar a liderança nas vendas de televisores no País. Trata-se de sua terceira tentativa. Na primeira, no final da década de 80, ele adquiriu a marca Telefunken e se lançou ao mercado. Deu em nada. Há pouco mais de dois anos, arriscou-se de novo, desta vez assinando com a próprio nome Gradiente. Os resultados não foram os esperados. Os consumidores enxergam a Gradiente como
uma empresa especializada em áudio, não em imagem, justamente o principal atributo  da marca Philco. Em função dessa lógica seria mais barato pagar R$ 100 milhões do que gastar por cinco anos até alcançar os líderes Philips, LG e Semp Toshiba.

Os números do mercado são um enigma. Juntas, Philco e Gradiente teriam uma participação entre 13% e 18%. Seu faturamento bruto soma R$ 1,7 bilhão. Com a união, a Gradiente seria a terceira marca do setor atrás dos 22% da Philips e dos 19% da coreana LG. “São duas marcas complementares”, afirma um concorrente. Staub tem afirmado que manterá as duas marcas estampadas nos televisores de sua fabricação, uma estratégia semelhante à utilizada pela Brasmotor, dona da Brastemp e Consul, no setor de refrigeradores. Há dúvidas a esse respeito também. Na sua história, a Gradiente adquiriu mais de uma grife do segmento de som e imagem e logo desapareceu com eles. Foi o destino de Polyvox, Garrard e Telefunken.

A Philco estava à venda há vários meses após uma reestruturação feita na Itautec sob o comando da consultoria McKinsey. Os consultores recomendaram ao presidente da Itautec, Paulo Setúbal, a saída do setor de eletroeletrônicos. O Grupo Itaúsa comprou a Philco da montadora Ford em 1987 e em lugar de pagar pela companhia recebeu um cheque de US$ 10 milhões do vendedor porque o patrimônio líquido da empresa era negativo. A companhia foi reestruturada e até a semana passada possuía 650 empregados e uma única na fábrica na Zona Franca de Manaus. A Philco, por exemplo, foi a pioneira em lançar uma TV pela qual é possível navegar na internet com a ajuda de softwares da Microsoft. A equipe de engenheiros da empresa é reconhecida no mercado pela sua capacidade de inovação. Agora, todos serão parte da nova aposta de Staub


Multimídia

Samsung faz sua aposta para ser a Apple das tevês

A série 8000, lançada oficialmente na sexta-feira (18) no Brasil, é o investimento da marca para ser o aparelho top de linha. DINHEIRO testou a versão ES8000 Led de 46 polegadas.

Executivos fora do escritório

O que fazem os ceos e diretores quando tiram o terno e a gravata e quais são seus hobbies para enfrentar o estresse no trabalho.

Mercado analisa inflação no Brasil e vendas de imóveis novos nos EUA

Nesta quarta-feira (23), sai o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de maio. Nos Estados Unidos, destaque para a venda imóveis novos.

Economia - Um vice-presidente com voz própria e personalidade forte

Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

- - Fatos em Destaque

- - Fatos em Destaque


  • em 07/02/2012 15:03:39

    ap.txt;5;10

    Denuncie esse comentário

    • em 07/02/2012 10:54:47

      ap.txt;5;10

      Denuncie esse comentário

      • em 07/02/2012 06:58:36

        ap.txt;5;10

        Denuncie esse comentário

        • em 07/02/2012 03:02:15

          ap.txt;5;10

          Denuncie esse comentário

          • em 06/02/2012 23:09:52

            ap.txt;5;10

            Denuncie esse comentário

            Por favor, preencha todos os campos abaixo para deixar seu comentário.
            A Istoé Dinheiro pode utilizar este comentário para divulgação na revista impressa.

              Isto é compartilhar

              Divida sua leitura com seus amigos

              Colunas

              ver todos
              publicidade

              Edições especiais

              • Editora 3

              índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

              © Copyright 1996-2011 Editora Três
              É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
              Fechar [X]