Por onde quer que se ande nos Estados Unidos são raras as ocasiões em que não surge alguém com um iPad, tablet da Apple. Tão raras quanto a neve que caiu em Las Vegas neste inverno.
Nos hotéis, nas ruas, dentro dos aviões e até nos cassinos, o iPad parece onipresente. Até o presidente da fabricante de chips Intel, Paul Otellini, foi visto brincando com um.
“O mercado de tablets é muito promissor”, disse ele à DINHEIRO. Por isso, não é de surpreender que mesmo ausente da Consumer Electronics Show (CES), maior feira de eletrônicos de consumo do mundo, que aconteceu em Las Vegas, na semana passada, a Apple tenha roubado a cena.
Era impossível não perceber sua influência sobre as rivais ao andar pelos imensos corredores do evento. O grande número de tablets lançados em resposta ao iPad foi apenas a ponta do iceberg de uma tendência muito maior.
Boa parte das maiores empresas de tecnologia do mundo parece ter se unido em segredo para tentar derrubar a Apple. Dos tablets aos smartphones, passando pelos computadores tudo-em-um e notebooks, tudo lembrava a empresa de Steve Jobs.
Mas as flechas atiradas pela concorrência contra a Apple até agora não acertaram o alvo. Na semana passada, a empresa atingiu o valor de mercado de US$ 300 bilhões, tornando-se a segunda companhia mais valiosa do mundo, atrás apenas da petrolífera Exxon Mobil e US$ 60 bilhões à frente da Microsoft, sua rival no setor.
Mesmo assim, os exércitos tecnológicos se mobilizaram contra Steve Jobs na CES 2011. Microsoft, Motorola, Samsung, LG, Lenovo, Acer e Asus apostaram em produtos para concorrer contra a Apple.
A empresa de Bill Gates, por exemplo, anunciou que está desenvolvendo uma nova versão do seu sistema operacional que roda sob tecnologia da ARM. Aliar-se à ARM, apontam analistas, é a forma mais eficiente para entrar para valer no mercado de tablets.
Ainda assim, há muitos céticos desta estratégia. “Até a Microsoft entender o que está acontecendo, todos já possuirão um iPad”, disse Keith Goddard, da empresa de investimento Capital Advisors, à agência Bloomberg. “Esse trem já deixou a estação.”
Outros fabricantes lançaram um batalhão de tablets. A grande maioria dos novos modelos contava com a nova versão do sistema operacional Android, do Google, especialmente desenhado para a plataforma de tablets.
Foi o caso da Motorola, que mostrou o Xoom. A taiwanesa Asus apostou em múltiplos modelos, alguns com um teclado físico que desliza por trás da tela. Já a chinesa Lenovo apresentou o IdeaPad U1, notebook com a tela destacável que vira o tablet LePad. Mas teve muito mais: RIM, Samsung, Toshiba, Acer e LG também mostraram rivais do iPad.
Embora o iPhone não seja o líder de mercado nos Estados Unidos, ele ainda é o smartphone a ser superado. A LG, por exemplo, apresentou dois rivais do celular da Apple: o Optimus 2X e o Optimus Black.
A Motorola entrou na batalha com o Atrix, que, segundo Sanjay Jha, CEO da companhia, “vai mudar a forma como trabalhamos e nos divertimos”. Longe dos dispositivos móveis portáteis, Samsung e Lenovo também apostaram em equipamentos ultrafinos para disputar o mercado do MacBook Air e do iMac.
E até um rival do tocador de música digital iPod Touch foi mostrado pela Samsung. Assim como o iPad, Steve Jobs está se tornando onipresente. Mas será que seus rivais vão conseguir atingir a Apple?