NEGÓCIOS

Nº edição: 689 | Empreendedor do ano 2010 | 15.DEZ.10 - 22:00 | Atualizado em 22.05 - 04:30

Edson Bueno

Nascido em uma família pobre no interior paulista, o médico fundador da Amil tornou-se o líder no mercado brasileiro de saúde ao comprar a concorrente Medial Saúde e ao tornar-se o maior acionista individual da Diagnósticos da América

Por Cláudio Gradilone

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Vídeo: confira entrevista exclusiva com Edson Bueno

Sentado à mesa de almoço no jardim de inverno de seu apartamento em um dos edifícios mais caros de São Paulo, o médico Edson Godoy Bueno confere as cotações das ações da Amil em seu smartphone e exibe, orgulhoso, o gráfico que mostra uma valorização abrupta a partir de agosto. “Olha só como a ação subiu, mostra que os investidores gostaram do negócio”, diz ele. 

 
O negócio a que Bueno se refere foi uma transação fechada no início daquele mês, em que ele vendeu sua empresa de medicina diagnóstica MD1, líder no Rio de Janeiro, para a Diagnósticos da América (Dasa), maior empresa do setor no Brasil, por meio de uma troca de ações. 
 
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Com isso, tornou-se o maior acionista individual da Dasa, com 26% do capital. Não foi a única grande transação fechada por Bueno neste ano. Ele concluiu em junho a compra da concorrente Medial Saúde, da qual detinha 52% desde o final de 2009. 
 
A aquisição custou R$ 1,17 bilhão e transformou a Amil na maior empresa do setor de saúde privada no País. As duas transações e a melhora dos resultados – o faturamento avançou 62% em relação a 2009 – fizeram as ações da holding Amilpar subir cerca de 35% entre janeiro e novembro, muito acima dos 4% do Índice Bovespa. 
 
“2010 foi um ano fantástico”, diz ele.  A transação entre a MD1 e a Dasa garantiu um ganho duplo à Amil e fez Bueno ser escolhido o EMPREENDEDOR DO ANO NOS SERVIÇOS. 
 
Ao tornar sua empresa um cliente preferencial da Dasa, ele pôde passar a controlar mais de perto os custos dos exames clínicos. “Esses gastos representam cerca de 25% dos custos totais das empresas de saúde, e qualquer ponto percentual de economia faz muita diferença nos resultados”, diz Iago Whately, analista da corretora Fator. 
 
A associação com a Amil também permite à Dasa acelerar sua expansão. Construir um laboratório custa caro, e torná-lo conhecido é demorado. Ao contar com os clientes da Amil, a Dasa corre muito menos riscos em sua expansão.
 
A transação também mostrou ser a prescrição adequada para a saúde financeira de Bueno. Ele encerra o ano não só permanecendo com o controle absoluto da Amil, com 63% da empresa com 5,2 milhões de clientes, como também tornou-se o maior acionista individual da Dasa, com 26% das ações. 
 
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Tacadas certeiras: a abertura de capital da Amil na BM&FBovespa (foto maior)
forneceu os recursos para a aquisição da Medial e para a transação com a Dasa
 
Também coloca seu nome no seleto grupo dos bilionários: juntas, as duas participações somam R$ 4,56 bilhões, segundo as cotações do dia 1º de dezembro de 2010. Nada mal para quem nasceu em uma família de baixa renda no interior de São Paulo e, contra todas as expectativas (incluindo as próprias), formou-se médico no início dos anos 60.
 
Bueno é o primeiro a divulgar sua trajetória improvável – produziu um documentário de oito minutos em vídeo sobre a própria vida, que faz questão de exibir na ampla televisão do escritório do apartamento. 
 
Ele foi mau aluno na escola pública (repetiu quatro vezes a primeira série). O que mudou sua vida na pequena Guarantã, cidade de seis mil habitantes a cerca de 300 quilômetros de São Paulo, foi ter conhecido Moacir Junqueira, único médico da cidade. 
 
O menino decidiu que seria médico e estudaria na escola em que Junqueira se formou, a Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro. Foi lá que ele começou sua trajetória empresarial, quando comprou uma clínica médica falida em Duque de Caxias, subúrbio do Rio. 
 
De onde veio o capital inicial? “Comprei como pobre compra as coisas, fazendo dívida”, diz ele. O começo foi modesto. A Casa de Saúde São José funcionava em uma casa adaptada. “Eram só 250 metros quadrados, hoje o apartamento em que eu moro tem 750”, diz ele, exibindo orgulhosamente os quadros de Marc Chagall, Fernando Botero, Portinari, Di Cavalcanti e Anita Malfatti que adornam as paredes.
 
Ao assumir a São José, Bueno descobriu problemas crônicos de gestão financeira. “Os fornecedores cobravam caro e os clientes não pagavam, por isso a clínica vivia no vermelho.” Ele lancetou os custos, purgou as despesas e injetou anabolizantes no número de atendimentos, e os resultados saíram da terapia intensiva. 
 
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Operar com sinergia: a compra da Medial Saúde vai facilitar a venda de planos
odontológicos, que têm maior potencial de crescimento, especialmente na classe C
 
Foi o embrião da Amil. Também foi a escola que ensinou Bueno a tratar a saúde financeira das empresas que adquiria. “Tem de controlar os custos”, diz ele. Essa prescrição foi seguida à risca com a Medial. A empresa vinha tendo problemas para fechar as contas. 
 
Depois de levantar R$ 742 milhões com a abertura de capital em setembro de 2006, a empresa sofria com o aumento dos gastos. As causas do descontrole foram a gripe AH1N1 e a crise de 2008. Ambas fizeram os clientes anteciparem tratamentos, o que fez os números piorarem e tornou os donos da Medial mais dispostos a ouvir Bueno. Ao fechar o negócio, ele tornou-se o maior empresário de saúde do Brasil.
 
Uma vez assumido o controle, Bueno aplicou a mesma profilaxia aprendida na clínica de Duque de Caxias. “Nós procuramos sinergia entre as duas redes próprias, a da Medial e a da Amil”, diz ele. Como resultado, algumas clínicas fundiram-se e dois hospitais – “pequenos”, garante o médico – foram fechados.
 
“Conseguimos economizar R$ 2 milhões por mês”, diz ele. Os custos entraram em uma dieta rígida. “Cerca de 200 mil conveniados não eram rentáveis, então seus planos foram descontinuados”, diz ele. 
 
Além disso, a Amil reajustou em 18,5% os preços e disciplinou os procedimentos da rede própria. “Se o paciente tem um problema simples, uma radiografia é o suficiente para o médico fazer seu diagnóstico, não é preciso fazer uma tomografia computadorizada”, diz ele. 
 
Com isso, o faturamento nos nove primeiros meses de 2010 subiu de R$ 3,5 bilhões para R$ 5,7 bilhões, e a geração de caixa avançou 58,3%, para R$ 434 milhões. O aumento na dosagem de controle não passou despercebido. 
 
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Controle de custos: a parceria com a Dasa, dona do Delboni Auriemo e do Lavoisier,
estabilizaos preços dos exames clínicos, que respondem por 25% dos custos dos planos de saúde
 
Uma pesquisa da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Associação Paulista de Medicina, divulgada em dezembro, coloca a Amil em segundo lugar entre as empresas que mais interferem no trabalho dos médicos.
 
Mesmo com tantas aquisições em 2010, Bueno manteve o fôlego. Em meados de dezembro, o Hospital das Clínicas de Niterói, controlado por ele, fechou um acordo para comprar o Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, por R$ 180 milhões.
 
O Samaritano, com 93 leitos, fatura R$ 210 milhões por ano. Bueno tem dois outros alvos. Um deles é o mercado de Minas Gerais. O outro são os planos odontológicos. 
 
Ele reconhece que tomou “um susto” em 2009 quando viu que o Bradesco havia comprado a empresa de planos odontológicos OdontoPrev. Essa oportunidade não era para ser perdida. “Os planos odontológicos são os que têm mais potencial de crescimento por causa do aumento da renda, especialmente para a classe C”, diz ele. 
 
Também têm a vantagem de ser menos regulamentados do que os planos de saúde. A unificação da Amil e da Medial, concluída no terceiro trimestre, vai permitir um aumento das vendas cruzadas. “Isso garantirá o nosso crescimento pelos próximos dez anos.” 
 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • anderson martins

    em 13/04/2012 08:44:12

    um homem de visão e sonhos que construiu a maior empresa de saûde da américa latina. a unica empresa de saúde Brasileira reconhecida em harvard em qualidade e inovação. uma empresa a frente do seu tempo..

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    • Caissa Oliveira

      em 27/03/2012 21:45:22

      Dr Edson Bueno cheio da grana e o PL nada!!! Os funcionário que fazem a empresa crescer, cada vez mais estão insatisfeitos, pensaram que ia melhorar... e piora cada vez mais, o ambiente de trabalho é péssimo, tirando as amizades!

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      • Paulo Eudes de Souza

        em 21/03/2012 08:00:40

        Enquanto um pobre médico (Edison Bueno) fica rico vários assossiados da Amil e Medial, sofrem com o péssimo atendimento eu sua rede.

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        • Romão Luiz Parolin

          em 19/10/2011 20:30:20

          continuando..quando a pessoa atinge certa idade deixa de ser não rentável, pois usa + laboratórios, médicos, hospitais. Assim para eliminá-los criam-se dificuldades e, paralelamente, aumentos anuais abusivos do "plano de saúde", ou seja, não conseguem pagar e o pobre do assalariado é obrigado a sair

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          • Romão Luiz Parolin

            em 19/10/2011 20:11:24

            Lamentável esse tal esse tal de Edson Bueno - vamos assim dizer, entrevista com tamanha vulgaridade de riqueza (apto. 750m2, quadros Portinari, etc..) riqueza fruto em detrimento do pobre do assalariado q acreditou no seu "plano de saúde".. Os 200mil cancelados..Sujeito inescrupuloso!

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            • fabio

              em 12/09/2011 17:47:41

              os comentarios enciumados e negativos só podem ser de mádicos, o classe complicada, só porque um colega esta bilionario o ciuma corta o raciocinio.

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              • Steve Bulloch

                em 15/03/2011 22:45:44

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                  • Steve Bulloch

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                    • Steve Bulloch

                      em 15/03/2011 15:07:33

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                      • Celia P. Fernandes

                        em 12/03/2011 21:47:56

                        Acho que ele devia mudar de ramo. E o juramento médico... Só quem tem plano médico e que depende destas empresas sabe que a última coisa que ele quer é melhorar a qualidade de vida do ser humano, talvez apenas a do bolso dele. Por favor, mude para o ramo. Aço e construção também dá lucro.

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                        • luiz Rodolpho de Vasconcelos da Motta Machado

                          em 11/02/2011 17:05:42

                          Aproximadamente 20 anos ou mais sei o que AMIL significa,e posso garantir são palavras como RESPONSABILIDADE, DETERMINACÃO e RESPEITO que permeiam esta empresa.O que aprendi com meu pai um verdadeiro profissional que tambem aprendeu muito com este grande lider,agradecemos a Deus por esta vida.

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                          • Antonio Carlos

                            em 11/02/2011 14:01:56

                            Sou Funcionário a quase DEZ (10) anos da DIX saúde unidade Santo Andre, posso disser que é uma otima Empresa, porém estão nos DEMETINDO EM MASSA .

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                            • maria aparecida alves teixeira

                              em 04/02/2011 21:17:50

                              fuI funcionária da AMIL e posso dizer de boca cheia , foi a melhor empresa que já trabalhei ate os dias de hoje .Porque seu governante realmente se emporta com seu cliente , aprendi muito com a AMIL. so tenho a agradecer!!!!!

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                              • Paulo Henrique

                                em 03/01/2011 11:11:37

                                Sou ex-funcionário do grupo Amil e hoje empresário, tenho maior orgulho de ter passado por lá, aprendi muito com a filosofia do grupo, eles são fantásticos em tudo que fazem, pioneiros, ousados, visionários. O Dr. Edson é uma pessoa incrível, inteligente e creio que ele vai voar mais alto ainda.

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                                • Galdino Campos Correia Dias

                                  em 20/12/2010 12:41:48

                                  Foi meu primeiro patrão,aprendi muito com a amil,se sou alguem hoje agradeço muito a ele.parabens.

                                  Denuncie esse comentário

                                  • CARLOS ALBERTO PADIM

                                    em 19/12/2010 21:31:13

                                    Terrivel, o fato de ser a segunda empresa que mais interfere no trabalho dos medicos. Essa empresa estã focada demais nos lucros, em detrimento dos doentes.. Eu nao compraria um plano da Amil.

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                                    • Leandro Silva

                                      em 17/12/2010 11:31:15

                                      Na minha Opinião a receita do sucesso do Dr. Edson está no reconhecimento e valor dado aos funcionários. Sou funcionário e fã desse filho de Deus. Nós da Amil temos orgulho deste homem!

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