NEGÓCIOS
Nº edição: 646 | Negócios | 19.FEV.10 - 13:52 | Atualizado em 11.05 - 04:51
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O lendário Abbey Road, o estúdio dos Beatles, é colocado à venda pela gravadora EMI e evidencia de forma dramática a crise que varre o setor
Por Tom cardoso
A crise na indústria fonográfica parece não ter fim. O mercado de discos, que encolhe a cada ano, sem conseguir diminuir o impacto da pirataria digital, agora assiste ao fim do mais cultuado e rentável estúdio musical de sua história. O Abbey Road, estúdio londrino onde os Beatles gravaram a maior parte de seus álbuns, acaba de ser posto à venda pela EMI.

A clássica capa do disco Abbey Road, de 1969: estúdio vai ajudar EMI a pagar dívida de US$ 165 milhões
O objetivo da gravadora é fazer caixa. Desde que foi adquirida pela Terra Firma Capital Partners, em 2007, por 2,4 bilhões de libras (cerca de 7 bilhões de dólares) a EMI vem enfrentando seguidos problemas financeiros – a crise, inclusive, fez com que grupos de primeira linha, como Radiohead e Rolling Stones, deixassem a companhia.
A EMI, que tem até junho para pagar os empréstimos do Citigroup Inc., correspondentes a mais de US$ 165 milhões, não é a única empresa do segmento a passar o pires. Outras corporações, como Sony-BMG, Universal e Warner, também estão em dificuldades pelo mesmo motivo: a expressiva queda na venda de CDs – só no ano passado, cerca de 17 milhões de pessoas deixaram de comprar discos nos Estados Unidos, segundo estudo do NDP Group, que pesquisa a indústria do entretenimento.
O estúdio colocado à venda pela EMI não era apenas o mais charmoso e importante da música pop. Durante muitos anos, a EMI alugou, por um bom dinheiro, o casarão georgiano, localizado no bairro St. John’s Wood, para centenas de outros grupos em busca de sofisticação e, principalmente, de glamour.
Todos queriam gravar na “casa dos Beatles”, que serviu de cenário para a clássica foto da capa do álbum “Abbey Road” (nome da rua em frente ao estúdio), lançado pelo grupo inglês em 1969. Até mesmo o grupo brasileiro Skank conseguiu convencer os diretores da Sony Music, sua gravadora, a mixar o disco Siderado no Abbey Road. Na época, a Sony pagou 30 mil dólares à EMI para realizar o sonho dos mineiros.
Segundo especialistas, a venda do Abbey Road pode render dezenas de milhões de dólares aos cofres da EMI. Dizem que o ex-beatle Paul McCartney já teria mostrado interesse em comprar o estúdio. Pelo menos desta vez ele não precisará competir com Michael Jackson, que, em 1985, comprou, por US$ 47,5 milhões, os direitos sobre as músicas dos Beatles.
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