NEGÓCIOS

Nº edição: 684 | Auditorias | 12.NOV.10 - 21:00 | Atualizado em 22.05 - 11:03

Por que a Deloitte erra tanto

A empresa de auditoria do PanAmericano deixou escapar um rombo de R$ 2,5 bilhões. E foi apenas um entre vários erros da empresa

Por Cláudio Gradilone

O economista aposentado Enrique Garcia tomou um empréstimo consignado, garantido por sua aposentadoria, no Banco PanAmericano, que já foi pago. Pouco mais de um ano depois, o microempresário Fábio Casagrande financiou a compra de seu Ford Ka com a ajuda do banco. 

Eles não se conhecem, mas têm uma coisa em comum: os pagamentos de Garcia foram usados para quitar as dívidas de Casagrande. Os empréstimos concedidos pelo PanAmericano eram empacotados em grandes carteiras, posteriormente vendidas várias vezes para bancos diferentes. O dinheiro dos novos créditos pagava os juros dos antigos. 

 
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Sob vigilância: logo da Deloitte, por trás das grades de proteção,
na sede paulista. Segundo o Banco Central, a falha foi dos auditores
 
O objetivo da fraude era engordar os ativos e os lucros do banco, e turbinar a remuneração dos executivos. Foi essa pirâmide financeira fraudulenta que gerou o rombo de R$ 2,5 bilhões no banco de Silvio Santos, em um processo construído pelo menos há quatro anos – e, por incrível que pareça, a Deloitte, responsável pela auditoria dos balanços, não enxergou nada. 
 
“As auditorias, a interna e a externa, não perceberam o que estava acontecendo”, diz Celso Antunes da Costa, novo diretor-superintendente do Panamericano que tomou posse na terça-feira 9. Em teoria, as empresas de auditoria são pagas para garantir a confiabilidade das informações publicadas pelas empresas. 
 
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Celso Antunes da Costa, novo chefe do banco: "Não há mais clima para continuarmos com a Deloitte"
 
Na prática, a Deloitte chancelou o balanço do PanAmericano referente ao segundo semestre de 2010 sem ressalvas, o que certamente prejudicou clientes, aconistas e colocou em risco a própria economia. Como um rombo desse tamanho passou despercebido? “Pode ser que alguém do banco ou da auditoria tenha indicado que havia diferenças de valores, mas, se isso ocorreu, a apuração não avançou”, diz Costa, que já colocou na agenda a busca de outra auditoria. “Não há clima para continuarmos com a Deloitte.”
 
O erro de R$ 2,5 bilhões da auditoria no PanAmericano é mais uma derrapada em uma lista de casos parecidos. A Deloitte estava encarregada de auditar as contas da Parmalat, que quebrou em 2003 deixando um buraco de US$ 1,8 bilhão. Também era a responsável pelas contas da empresa de lentes de contato Bausch & Lomb, cujos executivos da subsidiária brasileira desviaram US$ 25 milhões (na época, a Deloitte negou que auditava as contas da empresa). 
 
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Mais recentemente, a Deloitte também olhava os números da Aracruz, empresa de celulose que perdeu R$ 1,95 bilhão em operações com derivativos cambiais em 2008. A Deloitte tinha de garantir que as informações prestadas pelo banco fossem consistentes, mas não foi a única empresa a esquadrinhar os números do PanAmericano. 
 
A venda de 36% do seu capital total e 49,99% das suas ações ordinárias para a Caixa Econômica Federal teve a assessoria do banco Fator e da auditoria KPMG, que também não perceberam nada de errado nos números. Durante a negociação, o Fator encontrou divergências em dívidas trabalhistas e tributárias, que reduziram a avaliação do PanAmericano em R$ 100 milhões, mas essas diferenças são normais em vendas de empresas, diz Venilton Tadini, diretor de banco de investimentos do Fator. 
 
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Ele afirma que seria impossível encontrar o rombo nos ativos “Não tivemos acesso completo aos dados, não podíamos ver quem eram os compradores das carteiras de crédito.” O executivo diz que nem o Fator nem a KPMG puderam ir fundo na pesquisa. “Não fomos autorizados a consultar a Deloitte, pois o banco temia ter de divulgar ao mercado que estava procurando um sócio”, diz ele. “Se o negócio não fechasse, o PanAmericano quebrava, pois a confiança do mercado ficaria arranhada.” 
 
Isso já ocorreu. A recepcionista Janaína dos Santos tomou um empréstimo no Panamericano há dois meses para financiar a compra de um carro.  “Não dá para confiar em um banco que tem fraude”, diz. Procurada, a Deloitte divulgou uma nota em que diz ser “uma empresa presente no Brasil desde 1911, que atende a cinco mil clientes e com quatro mil profisionais pautados pela mais estrita ética, transparência e profissionalismo”. Ah, bom.
 

 


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  • MM

    em 26/11/2011 13:20:11

    A maior fraude de todas foi seu comentário. Pseudo-intelectual/engajado com o mercado. Vc é daqueles que quer "pagar" que sabe, mas não sabe porra nenhuma, e ainda quer criticar. Típico. ZUADO. Grato.

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    • Dutra

      em 25/11/2011 01:08:57

      Muita bobagem na reportagem, muita bobagem nos comentários... Claro que os procedimentos da Deloitte não foram suficientes, mas querer comparar Parmalat com Panamericano e ainda citar a perda da Aracruz é desconhecimento do jornalista... Este jornalista sim é um fraude por escrever o que não sabe!

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      • João Aquino Bezera

        em 11/04/2011 17:54:14

        Deloitte=fraude é um absurdo que os funcionários desta empresa sejam obrigados a terem que prestar depoimentos falsos sobre a procedência desta auditoria. Enquanto muitos lutam pela tranparência no país, ainda somos obrigados a conviver com um empresa de auditoria que esconde dados.

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        • ADM

          em 03/04/2011 22:03:14

          kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... O dia em que auditoria interna da Deloitte descobrir as faucatruas na area de facilities da DTT, pode contratar que agora vai.

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          • EX DTT

            em 17/02/2011 15:23:39

            Se isso aconteceu com esse cliente, onde ninguém revisou quase papel de trabalho nenhum (inclusive o ciclo que envolve empréstimos), quem garante que isso não aconteceu nesse caso? Quem é DTT e defendeu aqui sabe do que estou falando. Ninguém quer que falem mal da sua empresa, só quem é de dentro.

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            • EX DTT

              em 17/02/2011 15:20:32

              Praticam taxas baixas, baixam o nível das demais e ganham concorrências por apelarem pro preço. Fiz parte de um job para um grande banco e assinei um monte de papel como revisor sem ter lido nada, por exigência do gerente, pois não tinhamos mais horas para debitar, pq os honorários eram baixos.

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              • EX DTT

                em 17/02/2011 15:18:26

                Eu trabalhei na DTT, pedi para sair e hoje trabalho na concorrência. A DTT é um projeto de Big4. Eles querem crescer a qualquer custo e isso significa sacrificar a qualidade e o staff em nome de uma base grande de clientes. Pesquisa de risco? Zero! Se associam a qualquer cliente, só pelo dinheiro.

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                • Cintia Silva

                  em 05/01/2011 01:22:37

                  O que está em jogo , a idade ou a competência da pessoa? Por isso que dá nisso, se um dos sócios é arrogante, imaginam o resto então

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                  • Cintia Silva

                    em 05/01/2011 01:20:26

                    Fiz um teste na deloitte, fiquei 5 horas passei no teste, depois me chamaram p/ conversar com o gerente, passei c/ o gerente, depois fui fazer a entrevista com o sócio, e o mesmo teve a capacidade de me dizer que não me contratria por causa da idade. Agora fico eu a me perguntar? que empresa que é ?

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                    • Cintia Silva

                      em 05/01/2011 01:18:44

                      Fiz um teste na deloitte, fiquei 5 horas passei no teste, depois me chamaram p/ conversar com o gerente, passei c/ o gerente, depois fui fazer a entrevista com o sócio, e o mesmo teve a capacidade de me dizer que não me contratria por causa da idade. Agora fico eu a me perguntar? que empresa que é ?

                      Denuncie esse comentário

                      • ANDRE HENRIQUE

                        em 28/11/2010 21:02:27

                        Ao ler isso, reportagem sensacionalista e maldosa eu me pergunto, como pode a revista acusar tão veementemente a DTT, que interesses há por trás?Eu li outras revistas e sites, o que apresentam conteudo bom são da Revista EXAME dessa semana e o site da globo G1 com materias claras e explicativas.

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                        • Lela

                          em 26/11/2010 13:56:25

                          kkkkkkkkkkk... esses comentários foram feitos pelos funcionários da DTT... só pode!!! Estão morrendo de medo de perder seu emprego.

                          Denuncie esse comentário

                          • Carlos

                            em 22/11/2010 12:21:51

                            Quem está precisando de auditoria é a Isto É. Como pode uma reportagem ser tão mal escrita, com erros de português e de conceito sobre o trabalho de auditoria como esta? Ninguém revisa isso? Não editor na revista?

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                            • EX ARTHUR ANDERSEN

                              em 21/11/2010 18:31:16

                              Quando a Arthur Andersen Quebrou, a Deloitte Brasil incorporou a antiga Arthur Andersen, que sempre foi a empresa de melhor qualidade técnica no mercado e muito séria. Todo o conhecimento e qualidade da Arthur Andersen melhorou muito a Deloitte no Brasil. É Injusto condenar a Deloitte.

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                              • ANONIMO

                                em 20/11/2010 19:40:47

                                Absurdo, gosto de informações. O que a gente lê nessa revista ISTOÈ é de pessimo mal gosto. Fica notorio que o redator está interessado com o sensaciolismo destruidor. Outras meios de informações estão com informações mais precisa sobre o caso. ISTO É LIXO.

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                                • CARLOS

                                  em 20/11/2010 19:38:12

                                  GENTE, ESSA REVISTA É PESSIMA, NUNCA VI TAMANHA FALTA DE RESPONSABILIDADE. INFORMAÇÕES SENSACIONALISTA E MALDOSAS.QUAL É O INTERESSE DESSA REVISTA COM ESSE CASO?

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                                  • CARLOS

                                    em 20/11/2010 19:38:10

                                    GENTE, ESSA REVISTA É PESSIMA, NUNCA VI TAMANHA FALTA DE RESPONSABILIDADE. INFORMAÇÕES SENSACIONALISTA E MALDOSAS.QUAL É O INTERESSE DESSA REVISTA COM ESSE CASO?

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                                    • Anonimo

                                      em 20/11/2010 13:22:21

                                      Sou cliente da DTT e eles ja ajudaram minha CIA a detectar uma fraude de mais de 300milhões, essa empresa é muito competente e sempre atuou na minha empresa com profissionais muito capacitados, tanto que nosso controller hoje é um ex DTT.

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                                      • Auditor (continuação)

                                        em 20/11/2010 13:16:27

                                        ...mesmo com a circularização feita a resposta da mesma não iria indicar se a contabilidade do banco baixou ou não as carteiras, é lamentável ler certas opiniões... Enfim... Estudem, para amanhã não cometerem grandes absurdos... quanta bobagem, Deus Pai...rsrsrs

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                                        • Auditor

                                          em 20/11/2010 13:14:00

                                          Reportagem péssima, mas vamos aos fatos - Fraude com a participação da alta administração é praticamente impossivel de ser detectada. Os que se acham AUDITORES e estão falando em circularização, acredito que devam estar em início de carreira e não tem mais conhecimentos tecnicos...

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