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OS ATENTADOS FREARAM A ECONOMIA GLOBAL?
É o mais insistente mito colado ao 11 de setembro de 2001. O mundo hoje é muito parecido com aquele de 10 de setembro de 2001. Naquele dia, véspera dos ataques da Al Qaeda, o índice Dow Jones fechou em 9.605,51 pontos. Tão logo o mercado abriu, em 17 de setembro, foram necessários apenas 40 dias para atingir novamente esse patamar. O volume de exportações mensais dos Estados Unidos era de US$ 60 bilhões em 2001 – atualmente está na casa dos US$ 75 bilhões. Logo depois da queda das torres, o bolo de comércio internacional caiu de US$ 8 trilhões para US$ 7,8 trilhões. Com a retomada do funcionamento de Wall Street, o ritmo de crescimento voltou ao normal, e hoje circulam US$ 12 trilhões pelo planeta. Muito se apostou também, por meio de rigorosos estudos de reputadas empresas de consultoria, que o turismo despencaria. Não despencou. Em 2001, 688 milhões de pessoas deixaram os Estados Unidos rumo ao exterior. No ano passado, foram 808 milhões – um aumento de 18% em quatro anos, muito semelhante à expansão mundial, Brasil incluído. A confiança econômica foi retomada tão rapidamente que até mesmo a indústria de construção civil destinada a erguer arranha-céus mostrou-se robusta: desde o 11 de setembro, 14 novos projetos maiores que o World Trade Center já deixaram a prancheta eletrônica de arquitetos e engenheiros. Brian Wesbury, analista da Comissão Econômica do Congresso Americano, resumiu a rápida recuperação com uma frase: “O capitalismo é mais que edifícios e aviões.”
A GUERRA CONTRA O
TERROR NÃO TEM FIM?
É o plano de George W. Bush. Gasta-se muito mais com segurança e com o Exército, hoje, nos Estados Unidos, que antes do 11 de setembro. O orçamento militar americano cresceu 30 vezes entre 2001 e 2006. Em 2001, os US$ 325 bilhões gastos com defesa eram equivalentes ao gasto bélico somado dos 14 primeiros países no ranking da corrida armamentista. Hoje, o desembolso do Pentágono é US$ 116 bilhões superior a esse time dos 14. “É investimento vão, por não aumentar a produtividade, e portanto em nada ajuda no crescimento do PIB”, diz Carlos Eduardo Soares Gonçalves, professor de macroeconomia da Faculdade de Engenharia, Administração e Contabilidade da USP. “Nós, economistas, chamamos esse tipo de movimento de perda líquida.” Em outras palavras: o incremento da verba militar nada significa para o crescimento econômico do planeta, estimado pelo FMI em 4,3%, e tampouco dos Estados Unidos, de 3,5%. O mundo cresce, apesar do terrorismo e da insana luta contra o inimigo muçulmano.
OS GASTOS MILITARES FIZERAM
O MUNDO UM LUGAR MAIS SEGURO?
Não, à exceção dos Estados Unidos. A guerra contra o terror no Afeganistão e no Iraque pode ser contada em lápides: de 12 de setembro de 2001 a 31 de dezembro de 2005, 18.944 pessoas morreram ao redor do planeta em atos de terrorismo – apenas oito dessas mortes ocorreram em solo americano.
OS CUSTOS DOS
SEGUROS DISPARARAM?
Sem dúvida. As apólices explodiram, com alguns prêmios custando até 300% a mais em relação aos níveis anteriores a 2001. Foi criado um tipo de seguro que aumenta o custo de fazer negócios quanto mais próximos estiverem as companhias dos centros de poder político e financeiro. Ele perdura até hoje. Os ataques de 11 de setembro mudaram a relação entre risco e recompensa na economia mundial. O problema: apesar dos riscos mais altos, inclusive de suspensão de contratos e prejuízos, as recompensas têm sido mais baixas devido à elevação dos custos de segurança. Essa talvez seja a mais visível herança daquela terça-feira histórica.
A INDÚSTRIA CULTURAL REAGIU COM RAPIDEZ
AOS ATAQUES AO WORLD TRADE CENTER?
Definitivamente, não. Apenas no ano passado, quatro anos depois, surgiram nos EUA produções de cinema, TV e teatro inspiradas no 11 de setembro. O primeiro grande filme de Hollywood dedicado à tragédia, “As Torres Gêmeas”, dirigido por Oliver Stone, foi lançado somente em agosto deste ano – cinco anos depois do evento. Arrecadou US$ 26 milhões nos primeiros cinco dias de exibição, cifra pequena para os padrões atuais do mercado. O longa de Stone rompe um tabu, pelo qual o universo artístico se recusava a tocar no assunto, com raras exceções, como uma coletânea de canções compostas pelo roqueiro Bruce Springsteen, o documentário histriônico de Michael Moore, “Fahrenheit 11 de setembro”, panfleto a tratar Bush como pascácio, e o drama “Vôo 93”, de Paul Greengrass, a respeito da aeronave que supostamente seguiria para a Casa Branca no dia dos atentados.
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