NEGÓCIOS

Nº edição: 564 | 23.JUL.08 - 10:00 | Atualizado em 23.05 - 07:21

Barco Tupiniquim

O designer Márcio Schaefer criou embarcações próprias para os mares brasileiros. e esse foi o segredo de seu sucesso

Por MÁRCIA VAISMAN

ABORDO DE SEU BARCO DE 50 PÉS (o equivalente a 15 metros), Márcio Schaefer saiu de Palhoça, em Santa Catarina, na semana passada, e passou alguns dias em Angra dos Reis de férias. Hoje, ele se dá ao luxo de fazer isso sempre que pode. Afinal, depois de 15 anos de “muito suor”, como ele mesmo diz, Schaefer comemora o feito de ter transformado seus barcos em objetos de desejo dos brasileiros. A técnica, ele trouxe do Exterior. Mas o design e estilo são produtos genuinamente nacionais – e aí reside a vantagem sobre os concorrentes. “Schaefer tropicalizou as embarcações, proporcionando mais ventilação às cabines e desenhou um casco capaz de navegar com estabilidade e de forma macia nas águas brasileiras, que são mais agitadas”, afirma Márcio Dottori, um dos mais respeitados consultores nessa área no País. E Schaefer está milionário com isso. Em 2007, seu faturamento chegou perto dos R$ 163 milhões (segundo estimativas do mercado), graças à produção de 200 barcos. Sua fábrica atual opera com capacidade máxima. Tanto que investiu R$ 12 milhões para a construção de mais uma unidade, de dez mil metros quadrados, à beira do rio Biguaçu, e um centro de design. Dessa forma, ele espera crescer 20% em produtividade.

Seu grande salto ocorreu em 2002, quando começou a produzir barcos para um público mais endinheirado. Na opinião de Dottori, a guinada do estaleiro Schaefer-Yachts veio com o lançamento da Phantom 360, de 36 pés. “Como o dólar nessa época girava em torno de R$ 3,00, o produto nacional começou a ser visto com mais interesse e o Schaefer se aproveitou desse momento.” Depois disso, ele criou o Phantom 29, o maior sucesso da empresa. Com produção mensal de dez unidades, o modelo tem encomendas até o fim do ano. “Ele apresenta conforto, estabilidade, dá para dormir e não é tão caro”, afirma Dottori. Detalhe: não é caro para quem tem dinheiro, porque um mimo desses não sai por menos de R$ 270 mil, cerca de 50% a mais do que seus concorrentes nacionais. Com capacidade para pernoite de quatro pessoas, tem um deque amplo que comporta oito passageiros. Por isso, caiu no gosto dos aficionados por embarcação. Em seis anos, foram 750 barcos produzidos que, na prática, transformaram-se na maior publicidade para o empresário. “Barco ao mar é barco bom”, reitera Dottori.

O sucesso dos barcos da Schaefer criou condições para que o estaleiro fugisse dos bancos na hora de levantar linhas de crédito. Na hora de desenvolver o projeto do 500 Fly, embarcação com duplo comando, capota de lona conversível e três camarotes, os próprios clientes financiaram a iniciativa. Para ter capital de giro, ele lançou no primeiro semestre a lancha de 26 pés com preço de R$ 140 mil. A carteira de encomendas já soma 20 unidades por mês. “É para consumidores de menor poder aquisitivo. Com ela, driblo a sazonalidade do negócio, pois a demanda se concentra no verão”, diz Schaefer.

Apesar dos preços elevados, a venda de barcos é um mercado em expansão. Segundo dados da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar), existem 151 estaleiros formais em atividade no País e a produção média é de 3,3 mil barcos por ano, com frota total de 53 mil barcos acima de 14 pés, em fibra de vidro. Isso equivale a um barco para cada 3,5 mil habitantes. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa relação cai para um barco para cada 23 pessoas. De olho nesse cenário, o empresário admite que a brasilidade do produto é seu melhor negócio. “Viemos para brigar com os grandes com a vantagem de estarmos adaptados ao nosso público”, diz Schaefer.


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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • em 07/02/2012 13:07:05

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    • em 07/02/2012 09:03:39

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      • em 07/02/2012 05:08:23

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        • em 07/02/2012 01:11:42

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