MERCADO DIGITAL

Nº edição: 645 | Mercado Digital | 12.FEV.10 - 20:29 | Atualizado em 23.05 - 07:25

Uma fronteira inédita para a Portugal Telecom

Por que o grupo português comprou a brasileira GPTI e faz sua primeira incursão no mercado de tecnologia

Por Rodrigo Caetano

Se dom João VI precisou de um Napoleão em seu encalço para transferir a corte para o Brasil, a Portugal Telecom (PT) vê a saída para a crise financeira que assola seus país de origem no mercado brasileiro. Na segunda-feira 8, a companhia anunciou a compra da GPTI, especializada em serviços de tecnologia da informação.

O negócio deixa ainda mais evidente uma estratégia que deve ser intensificada neste ano: aumentar os negócios fora de Portugal. O objetivo é ter ao menos dois terços de sua receita oriundos do Exterior. Hoje, a proporção é de 50%. Nos nove primeiros de 2009, o faturamento da empresa alcançou 4,9 bilhões de euros.


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A aquisição da GPTI envolveu apenas troca de ações e fortalece a operação da Dedic, braço de serviços de call center da PT no Brasil, que vai absorver a nova controlada. A nova empresa tem uma receita combinada de R$ 570 milhões e 22 mil funcionários. Ela também assume a quarta posição no ranking entre as operações de call center no Brasil, atrás da Contax, Atento e Tivit. “Era o que faltava para completar nossa atuação no Brasil”, declarou Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom.

O negócio, de fato, abre um novo horizonte para as operações da empresa. No País, a PT divide o controle da Vivo com a Telefônica, negócio que garante quase a metade de seu faturamento. Ao adquirir uma empresa de tecnologia, ela consegue trilhar o mesmo caminho de outras operadoras estrangeiras, como a BT (British Telecom), que oferecem serviços de gerenciamento de infraestrutura tecnológica, como redes de dados e data centers. “A aproximação entre os mercados de tecnologia da informação e telecomunicações é uma tendência no mundo todo”, explica João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da consultoria IDC, especializada neste mercado.

Para a Dedic, a compra da GPTI a iguala aos seus concorrentes, que já ofereciam aos clientes serviços de tecnologia. Em 2008, a empresa líder do mercado, a Contax, pertencente à Oi, criou a Todo, especializada em serviços de tecnologia. A Tivit, terceira maior força, também atua dessa forma há algum tempo. A companhia é resultado da união de duas empresas de tecnologia (Proceda e Optiglobe) com a Telefutura, da área de telemarketing.

Segundo o consultor especialista em call center Kendi Sakamoto, as empresas do setor precisam buscar alternativas para não perder rentabilidade e diminuir o risco do negócio. A saída, em sua opinião, é ampliar os serviços e fazer as chamadas vendas cruzadas dentro da própria base de clientes.  O presidente da Dedic, Paulo Neto Leite, afirma que a companhia vai buscar reforçar a presença nas empresas já atendidas, especialmente entre os clientes agregados após a aquisição. “Queremos firmar contratos mais longos e abrangentes”, diz.

A GPTI, com seus 2,5 mil funcionários, tem 19 anos de experiência, mas apenas dois com este nome. Ela é resultado da cisão dos sócios da antiga G&P, Raul Gennari e Fábio Pereira. A empresa atuava também em outro setores, como educação. Em 2008, Pereira comprou a metade pertencente a Gennari e profissionalizou a gestão da companhia, focando a atuação no setor de tecnologia da informação.

Com a aquisição pela PT, o fundador da GPTI passa a integrar o conselho da Dedic e a deter 12,5% do capital da empresa de call center — participação que pode variar entre 5% e 20%, conforme os resultados alcançados até 2011.

A dívida fiscal da companhia adquirida, de acordo com a Portugal Telecom, atualmente é de R$ 80 milhões. Para Daniel Domeneghetti,  sócio-fundador da consultoria E-Consulting, que atua no mercado de tecnologia, a Dedic vai enfrentar um grande desafio a partir de agora: integrar as operações.

“O ganho só vem com as sinergias. Manter duas operações separadas não adianta”, afirma Zeinal Bava, da PT, que espera ainda levar os serviços da nova operação para Portugal. Isso pode até acontecer, mas, no momento, os comandantes portugueses querem mesmo é voltar para casa com suas caravelas cheias de ouro brasileiro.

 


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  • GqSPkooFCT

    em 28/07/2011 02:42:43

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