MERCADO DIGITAL

Nº edição: 675 | Mercado Digital | 10.SET.10 - 21:00 | Atualizado em 23.05 - 07:16

O paraíso dos mainframes

Todos pensavam que esses grandes computadores estavam à beira da extinção. No Brasil, eles ainda têm vida longa e são extremamente rentáveis para empresas como a IBM

Por Bruno Galo

 mainframe_site.jpg
Vídeo: saiba por que os mainframes ainda estão em pleno uso no Brasil

Grandes caixas do tempo “jurássico” da informática, os mainframes – computadores com alta capacidade de processamento – têm 46 anos de vida e poderiam ser peças de museu. Mas esses “dinossauros” encontraram um local onde estão longe da extinção. 

No Brasil, eles representam 30% do mercado de servidores, que movimentou US$ 1 bilhão, em 2009. A porcentagem se mantém há dez anos. “É a maior participação no mundo”, afirma Alexandre Vargas, analista da consultoria IDC. Em países como os EUA, a China, Alemanha e o Canadá, a proporção é entre 10% e 15%. 
 
124.jpg
Paulo Perini > Chefe de mainframes IBM "Os mainframes evoluíram muito em
termos tecnológicos e se tornaram mais baratos e econômicos"
 
E cai mais a cada ano. No mundo, estima-se que dez mil máquinas estão em uso, 85% produzidos pela IBM, que é sinônimo do “Big Iron”, apelido que ganhou pelo tamanho e pela estrutura metálica. Por isso, a IBM vem sendo investigada na Europa, acusada de monopólio.
 
São números que escondem uma realidade pouco conhecida. Apesar de não serem populares como o tocador iPod, da Apple, o software para PCs Windows, da Microsoft, ou o buscador do Google, os mainframes são muito lucrativos. A IBM vende US$ 3,4 bilhões por ano, em média, desses equipamentos, de acordo com estimativas do mercado. 
 
É menos de 4% do faturamento da companhia. Uma quantia irrisória em relação à receita total de quase US$ 100 bilhões. Mas as vendas de software e serviços associados aos mainframes respondem por 20% do faturamento e 40% do lucro operacional da IBM, segundo o analista Toni Sacconaghi, da Sanford C. Bernstein Research. 
 
A margem deste produto é de 70% contra 46% da IBM. É fácil entender, portanto, o que levou a empresa a pesquisar durante três anos, recrutar cinco mil funcionários e investir US$ 1,5 bilhão no zEnterprise, seu novo mainframe.  O modelo mais simples custa a bagatela de US$ 1 milhão. “É nosso maior lançamento em duas décadas”, diz Paulo Perini, chefe de mainframes da IBM no Brasil. 
 
125.jpg
Laércio Albino Cezar, vice-presidente Bradesco - "O mainframe é a opção mais adequada
para nossa necessidade de processar grandes volumes de dados"
 
O que explica a sobrevida dessas máquinas, principalmente no Brasil? A primeira resposta é mercadológica. O Brasil viveu uma reserva de mercado para informática entre 1984 e 1991. 
 
Assim, muitas empresas apostaram nessas grandes máquinas. Afinal, um microcomputador era caro e sua disponibilidade escassa. Hoje, é difícil e caro voltar atrás. 
 
“As corporações que queriam abandonar os mainframes já o fizeram”, afirma Idival Júnior, vice-presidente da CA, empresa americana de software, que faturou US$ 4,3 bilhões. Em 2009, 65% da sua receita veio de sistemas para mainframes. 
 
O outro motivo é tecnológico. As máquinas de hoje ficaram menores, consomem menos energia e estão mais baratas. Além disso, são capazes de operar sem parar 24 horas por dia. 
 
É isso que explica por que bancos, empresas de telefonia e instituições públicas estão entre os setores que usam o “Big Iron” no Brasil e no mundo. Observe o caso do Bradesco. 
 
123.jpg
O coração do banco está em um imenso centro de dados equipado com 16 mainframes que processam uma média de 215 milhões de transações diárias. Se falharem, os prejuízos podem ser gigantescos. 
 
“É a opção mais adequada para nossa necessidade de processar grandes volumes de dados”, diz Laércio Albino Cezar, vice-presidente do Bradesco, responsável por um orçamento de R$ 3 bilhões em TI.
 
A alta demanda por mainframes no País tem gerado outro problema: a falta de mão de obra especializada. Hoje, o mercado tem carência de dois mil profissionais, diz diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Cobol, Gilberto Faes Jr. 
 
Os programadores mais experientes chegam a ganhar R$ 20 mil. Mesmo assim, o Serpro, empresa de tecnologia do governo federal, tem dificuldade para encontrar profissionais, conta Celso Xavier Filho, gerente da instituição. Aos 46 anos, o mainframe tem um novo desafio a superar.
 

ASSUNTOS RELACIONADOS

Multimídia

Mercado analisa inflação no Brasil e vendas de imóveis novos nos EUA

Nesta quarta-feira (23), sai o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de maio. Nos Estados Unidos, destaque para a venda imóveis novos.

Executivos fora do escritório

O que fazem os ceos e diretores quando tiram o terno e a gravata e quais são seus hobbies para enfrentar o estresse no trabalho.

Samsung faz sua aposta para ser a Apple das tevês

A série 8000, lançada oficialmente na sexta-feira (18) no Brasil, é o investimento da marca para ser o aparelho top de linha. DINHEIRO testou a versão ES8000 Led de 46 polegadas.

Economia - Um vice-presidente com voz própria e personalidade forte

Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

- - Fatos em Destaque

- - Fatos em Destaque


  • em 07/02/2012 15:29:23

    ap.txt;5;10

    Denuncie esse comentário

    • em 07/02/2012 11:20:29

      ap.txt;5;10

      Denuncie esse comentário

      • em 07/02/2012 07:23:42

        ap.txt;5;10

        Denuncie esse comentário

        • em 07/02/2012 03:26:40

          ap.txt;5;10

          Denuncie esse comentário

          • em 06/02/2012 23:34:06

            ap.txt;5;10

            Denuncie esse comentário

            • Niltonpc

              em 21/10/2011 10:56:59

              Tem gente que acha que o google não usa mainframe, vai me dizer que o Bradesco também não usa? Os caras tem só um sala de mainframe debaixo da terra a prova de terremoto, detalhe no Brasil!!! Sei que hj o negocio do momento é orientação a objeto e tal, aproveitem e vão pra esse lado, sobra mais!!!

              Denuncie esse comentário

              • Abel Martins

                em 20/09/2011 15:52:45

                Sou coboleiro e acho que só fogo amigo vai matar o Cobol; não matará o mainframe em si pois ele pode ser um servidor de dados ou aplicação como qq outra plataforma; com z/OS ou Linux, não há nenhuma restrição; é uma questão de custo; ex.: há muitos mainframes que são servidores de dados do SAP.

                Denuncie esse comentário

                • Ailton Borba Garcia

                  em 12/03/2011 16:47:07

                  Mainframe em grandes empresas não serão substituídos com facilidade,

                  Denuncie esse comentário

                  • cleber eduardo

                    em 20/01/2011 16:42:52

                    querem aprender mainframe, tem um site que fala só disso.. http://www.mainframes.com.br

                    Denuncie esse comentário

                    • Eder Carvalho

                      em 24/09/2010 21:33:46

                      Amigo, quando você vai sacar um dinheiro, tirar um extrato, ou passar seu cartão numa loja, agradeça ao Mainframe. E as máquinas do Google estão espalhadas pelo mundo inteiro e para concentrar tanto volume de dados num lugar pequeno, só com o Mainframe mesmo...

                      Denuncie esse comentário

                      • Carlos Eugenio de Sa Freire

                        em 18/09/2010 09:46:26

                        Quem conhece de fato arquitetura e tecnologia de hardware e software sabe que cada família de produtos tem caracteristicas positivas e negativas, que devem ser avaliadas confrontando estas mesmas caracteristicas com a solução a ser proposta. O mainframe é imbátivel em uso comercial I/O Bound.

                        Denuncie esse comentário

                        • Douglas Evangelista

                          em 17/09/2010 19:48:48

                          A matéria mostra ainda a força do mainframe, e a grande capacidade que ele possui. Mesmo com o abandono na década de 90 ele volta com muita força atualmente. O profissional que conhece Mainframe hoje se torna diferenciado no mercado.

                          Denuncie esse comentário

                          • Carlos Eduardo Nunes

                            em 17/09/2010 17:15:55

                            Completando. Análise Estruturada, Escencial ou OOAD, não é exclusividade desta ou daquela plataforma.

                            Denuncie esse comentário

                            • Carlos Eduardo Nunes

                              em 17/09/2010 17:13:29

                              Prezados, no que tange à carreira, a diferença entra mainframe e as outras plataformas só atinge o programador que, aliás, não ganha R$ 20 mil em lugar algum. Para o analista de sistemas, seja em desenvolvimento ou sustentação todo o mercado está a sua disposição. É apenas uma questão de atualização

                              Denuncie esse comentário

                              • Leonardo Rosenthal

                                em 17/09/2010 16:15:25

                                Aos que nos chamam de velhos e ultrapassados, gostaria de esclarecer o motivo dos ataques: Nós, dinossauros de mainframe sabemos desenvolver aplicações, não usamos o 'clicar arrastar e colar', nós 'PROGRAMAMOS DE VERDADE'. COBOL, CSP, REXX, GENNER/OLL, NATURAL... DB2, ADABAS, ORACLE, VSAM ETC...

                                Denuncie esse comentário

                                • Ronaldo Munhoz

                                  em 17/09/2010 13:38:20

                                  Achei boa a matéria por mostrar que estes "dinossauros" ainda estão por aí. Mas sou obrigado a dizer que vejo muitos destes equipamentos sendo utilizados na virtualização de outras plataformas. E não estou falando de Brasil, isso acontece no exterior... pois trabalho com clientes estrangeiros.

                                  Denuncie esse comentário

                                  • Nixon Cab

                                    em 16/09/2010 21:02:56

                                    Gerencio uma equipe de 50 pessoas e adotamos o que há de mais moderno em termos de mainframe e tecnologias para esse equipamento e confirmo as informaçoes citadas na reportagem. A visao de que as empresas estao saindo do mainframe e miope.

                                    Denuncie esse comentário

                                    • JALIN RABEI

                                      em 15/09/2010 23:53:31

                                      Citei o GOOGLE pela quantidade de informações que trafegram pelo Data Center deles (indexar 24 bilhões de páginas e proporcionar 3000 pesquisar por segundo... faz em COBOL???). Quem quiser conhecer mais, segue o link (http://en.wikipedia.org/wiki/Google_platform).

                                      Denuncie esse comentário

                                      • JALIN RABEI

                                        em 15/09/2010 23:30:36

                                        E, para não perder o foco: esses salários não existem. Talvez para gestores. Ou para os "cafetões", como já foi citado.

                                        Denuncie esse comentário

                                        • JALIN RABEI

                                          em 15/09/2010 23:29:03

                                          Perdoem o "velhos vagabundos". Faço justiça a quem trabalha sério: tenho asco à quem não tem criatividade e, quando queremos mudar algo para melhor diz: "trabalho 20 anos dessa forma. Pra que mudar?" Os tempos são outros. Esses são os vagabundos. E o mercado é refém desses. Alguém se enquadra?

                                          Denuncie esse comentário

                                          Por favor, preencha todos os campos abaixo para deixar seu comentário.
                                          A Istoé Dinheiro pode utilizar este comentário para divulgação na revista impressa.

                                            Isto é compartilhar

                                            Divida sua leitura com seus amigos

                                            Blogs e Colunas

                                            ver todos
                                            publicidade

                                            Edições especiais

                                            • Editora 3

                                            índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

                                            © Copyright 1996-2011 Editora Três
                                            É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
                                            Fechar [X]