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Nº edição: 674 | Mercado Digital | 03.SET.10 - 21:00 | Atualizado em 13.06 - 16:30

Sotaque francês na CPM Braxis

A francesa Capgemini paga R$ 517 milhões por 55% da maior empresa brasileira de serviços de tecnologia. Entenda o que isso significa para o mercado

Por Ralphe Manzoni Jr.

 
Clique e ouça um resumo da reportagem "Sotaque francês na CPM Braxis"
 
 
Eram duas horas da manhã da quinta-feira 2, quando Jair Ribeiro, presidente do comitê executivo da CPM Braxis, maior empresa brasileira de serviços de tecnologia com faturamento de quase R$ 1 bilhão, começou a assinar o contrato que transferia 55% do controle da companhia para a francesa Capgemini por R$ 517 milhões. 
 
Na França, Paul Hermelin, presidente mundial do grupo francês com receita de 8,4 bilhões de euros, repetia o ritual. Três horas depois, a transação estava concluída. Não houve estouro de champanhes. Não que os dois executivos não quisessem. Antes de celebrar, era preciso comunicar rapidamente o negócio aos mercados dos dois países. “Vou ao Brasil daqui a duas semanas e quero comemorar com caipirinha, pois o vinho brasileiro é muito leve”, disse com exclusividade à DINHEIRO Hermelin, após uma cansativa negociação que durou quatro meses.
 
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Jair Ribeiro > Presidente da CPM BRAXIS: O negócio coloca empresa brasileira entre
as dez maiores do mundo em serviços de tecnologia
 
O primeiro encontro entre Ribeiro e Hermelin aconteceu em maio, em Chicago, nos EUA. “Foi uma reunião morna, o Paul tinha ideias preconcebidas do Brasil”, lembra Ribeiro. Os dois se conheceram por intermédio de David Shpilberg, vice-presidente do comitê executivo da CPM Braxis. 
 
Em 1999, Shpilberg trabalhava na Ernst&Young Global IT, que foi comprada pela Capgemini. A impressão negativa se desfez quando Hermelin visitou o Brasil em julho. A partir daí, as conversas se aceleraram e uma delegação com 15 diretores da companhia passou uma semana no País, conhecendo a CPM Braxis. O negócio passou a ser uma questão de tempo. “Os advogados estão sem dormir há semanas. Até horas antes de assinar o contrato, mudamos as cláusulas”, diz Ribeiro.  
 
Com a transação, os antigos controladores da CPM Braxis – Bradesco, Braxis, fundos de private equity e funcionários – venderam pouco mais de 30% da empresa por R$ 230 milhões. A Capgemini fez um aumento de capital de R$ 287 milhões. Essa engenharia deu 55% da empresa brasileira aos franceses (confira gráfico ao lado). Entre o terceiro e o quinto ano, a Capgemini pode comprar as ações remanescentes. “Temos tradição de ficar com 100% dos negócios”, disse Hermelin.
 
A Capgemini, maior empresa de serviços de tecnologia da Europa e a sétima do mundo, presta serviços de terceirização de tecnologia, consultoria e desenvolvimento de software. Ela tem presença em 35 países e uma carteira de seis mil clientes. Agora, passa a ter 103 mil funcionários, com os 5,5 mil empregados da CPM Braxis.
 
O time de executivos brasileiros permanece na companhia, que continuará a ser comandada por José Luiz Rossi. “Todos esperavam que fôssemos fazer uma aquisição na China”, diz o presidente da Capgemini. “Mas o mercado brasileiro de serviços de tecnologia cresce duas vezes mais rápido que o chinês.” 
 
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A estimativa é de que o mercado local aumente 8,5% em 2010, chegando a uma receita de R$ 20,9 bilhões, de acordo com a consultoria IDC. A transação dá musculatura para a CPM Braxis competir contra os gigantes internacionais de serviços de tecnologia que atuam no Brasil, como IBM, HP, Accenture e Unisys. Ela também se diferencia da Tivit – comprada pelo fundo de investimento Apax – e da Stefanini. 
 
“A CPM Braxis fica uma milha à frente dessas empresas nacionais”, diz Álvaro Leal, analista da consultoria IT Data. O objetivo, agora, é oferecer serviços para empresas globais, com o apoio da estrutura internacional da Capgemini. Em três anos, os executivos locais querem dobrar o faturamento da empresa. Se conseguirem, Hermelin promete vir ao Brasil novamente para tomar mais caipirinhas.
 

Colaborou Bruno Galo 

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  • Gérson Schmitt

    em 08/09/2010 12:33:46

    Entre outras, pelo menos duas conclusoes de interesse setorial podem ser tiradas desta operação: o reconhecimento do valor e do knowhow brasileiro em TI cada vez mais desperta o capital internacional; o frágil modelo setorial com 94% de PME e apenas 1%, deve exportar empregos, empresas e não SW.

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