NEGÓCIOS
Nº edição: 674 | Negócios | 03.SET.10 - 21:00 | Atualizado em 18.12 - 17:26
O construtor da Copa
Marcelo Odebrecht, CEO da maior empreiteira do País, vai erguer a maioria dos estádios do Mundial de 2014 e fez sua aposta mais ousada ao assumir o compromisso de levantar a futura arena do Corinthians, a pedido do presidente Lula
Por Eliane Sobral
Quem convive com o discreto empresário baiano Marcelo Odebrecht, presidente da maior construtora do País, garante que ele foi bom de bola na adolescência, quando sonhava em vestir a camisa do Vitória, o time do seu coração. Hoje, longe das quatro linhas e à frente de um grupo de R$ 40 bilhões, ele pode ostentar o título de “rei da Copa de 2014”.

Na arquibancada: Marcelo Odebrecht, bom de bola na adolescência, virou o rei dos estádios
Dos sete estádios que já abriram concorrência, quatro serão construídos ou reformados pela Odebrecht, em obras que superam a cifra de R$ 1,5 bilhão. Na Bahia, a empresa fará o novo Fonte Nova. Em Pernambuco, a Arena do Capiberibe. No Rio de Janeiro, a reforma do Maracanã.
Mas nada disso foi tão surpreendente como a anúncio de que a empreiteira fará também o novo estádio do Corinthians, em Itaquera, na zona leste de São Paulo, que poderá até ser o palco da abertura do Mundial.
Isso porque, em vez de atuar apenas como construtora, a empresa capitaneada por Marcelo Odebrecht será também investidora do projeto, colocando R$ 350 milhões na obra. É um novo modelo de negócios, em que a empreiteira banca o custo do empreendimento e, em seguida, comercializa o direito de uso de uma marca no estádio.

Lula, o chanceler corintiano: Andrés Sanchez, presidente do Corinthians,
recorreu a Lula para garantir o negócio com a Odebrecht
Marcelo Odebrecht está ciente de que, nesse novo modelo, a empresa correrá mais riscos. Para obter o retorno do investimento, a construtora terá que encontrar um patrocinador disposto a pagar R$ 30 milhões por ano pelo direito de batizar a arena.
Além disso, o custo do estádio do Corinthians é bastante inferior ao dos outros projetos que vêm sendo tocados pela Odebrecht – em Itaquera, o custo médio de cada um dos 48 mil assentos, será de R$ 7,2 mil, enquanto, na Fonte Nova, já está em mais de R$ 10 mil.
Finalmente, há riscos inerentes à própria obra, como o de construir um estádio sobre dois dutos da Petrobras que passam abaixo do terreno do Corinthians. “Todos esses problemas podem ser equacionados”, garantiu à DINHEIRO Carlos Armando Paschoal, superintendente da empresa em São Paulo.

A intenção inicial era reformar o Pacaembu, mas o projeto não decolou porque o estádio, além de tombado, teria que contar com recursos públicos. Duas semanas atrás, Rosenberg demonstrava a amigos próximos estar impaciente com a Odebrecht.
Na sexta-feira 27, no entanto, ele próprio se disse surpreendido com a reviravolta do caso e disse a um amigo que, de uma hora para outra, a construtora aceitara todas as condições do Corinthians.

Entre esses dois momentos, houve um fator crucial: a ligação de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, por sua vez, recorreu ao presidente do conselho da empreiteira, Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, fazendo um apelo para que o anúncio do estádio do Timão fosse feito às vésperas do centenário do clube – uma festa em que Lula foi o grande protagonista.
Para uma empresa que é sócia da Petrobras na petroquímica e responsável por algumas das maiores obras do País, como as usinas do rio Madeira e de Belo Monte, na Amazônia, o bom relacionamento político faz parte do negócio.
Além do mais, as obras da Copa de 2014 vão muito além dos estádios. As estimativas oficiais indicam que o País terá de investir R$ 17 bilhões, numa projeção modesta, em obras de infraestrutura e mobilidade urbana. A reforma e ampliação de 13 aeroportos estão orçadas em R$ 5,15 bilhões.
Apenas a expansão do metrô de São Paulo custará R$ 766 milhões. E a Odebrecht está ou estará na maioria desses canteiros de obra. “O estádio talvez não seja um bom negócio para a Odebrecht. Eu diria que é um negócio apenas razoável”, disse à DINHEIRO Luis Paulo Rosenberg. “Há várias obras de infraestrutura no entorno do novo estádio que terão de ser tocadas. E como a Odebrecht já estará lá, melhor para ela”, complementa.

O ganho direto da construtora com o projeto do Corinthians não é tão claro. A venda de naming rights, o direito de uso da marca na arena, funciona bem nos Estados Unidos e na Europa, mas não muito bem no Brasil.
O estádio do Bayern de Munique, com sua forma de pneu, ficou mundialmente conhecido por sediar jogos da Copa da Alemanha. E é chamado por todo o mundo de Allianz Arena, pois a seguradora alemã paga 6 milhões de euros anuais pelo direito de estampar seu nome no estádio por 30 anos.
O Arsenal, da Inglaterra, receberá US$ 400 milhões da companhia aérea Emirates, que comprou o direito de estampar a marca no seu estádio por 15 anos. No Brasil, porém, a história é outra. O único exemplo de naming rights por aqui foi o da empresa de eletroeletrônicos Kyocera que, em 2005 batizou o estádio do Atlético Paranaense de Arena Kyocera.
O nome nunca pegou porque as emissoras de rádio e tevê que detêm os direitos de transmissão não citam nomes de empresas privadas – além disso, a empresa cometeu o erro estratégico de concentrar a maior parte de suas verbas de marketing no futebol. Há ainda um fator cultural.
O brasileiro gosta de apelidar os estádios nacionais. Na Bahia, terra da família Odebrecht, ninguém sai de casa para ir ao Estádio Manoel Barradas. Todo mundo vai ao “Barradão”. O mesmo acontece no Rio, onde a torcida diz que vai ao Maraca, e não ao estádio Mario Filho.
Daí a imaginar que a torcida corintiana vai batizar seu tão sonhado estádio de Fielzão – ou “Lulão”, como já defendem alguns diretores do Corinthians, que concederam a Lula o título de presidente de honra do Timão – é um pulo. É por isso que já se comenta, nos arredores do Parque São Jorge, que uma empresa estatal poderia vir a batizar a arena, que também contará com financiamento integral do BNDES e isenção fiscal.

O empreendimento também resolveu um dos principais problemas em torno da Copa de 2014. Antes da entrada da Odebrecht no projeto Itaquera, São Paulo, a maior metrópole do País, corria o risco de ficar de fora do Mundial. E como não há interesse político nem econômico para que isso ocorra, diversas autoridades, além do presidente Lula, abraçaram o projeto.
O governador paulista Alberto Goldman, assim como o prefeito Gilberto Kassab, prometeram acelerar os investimentos do trecho leste do Rodoanel, que passaria a dois quilômetros do estádio, bem como as obras de expansão do metrô. “Não deixaremos passar essas oportunidades”, diz Paschoal, o superintendente da construtora.
Além disso, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, poderá convencer a Fifa a bancar parte das obras – como fez em estádios da África do Sul. Ao fim e ao cabo, haverá sim um risco para a Odebrecht, mas as circunstâncias podem conspirar a seu favor.
Colaboraram Rosenildo Gomes Ferreira e Rodolfo Borges
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- comentários (12)
- Sua opinião
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Ricardo Araujo
em 08/09/2010 21:08:40
Rosenildo, gostaria de retificar alguns números informados na matéria, ja que na entrevista que concedi a vc os mesmos foram diferentes. O valor de naming obtido pelo Arsenal foi de U$ 180 milhões por 15 anos de contrato e não de US$ 400 milhões (obtido nos EUA).
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Claudirceu Batista Marra
em 08/09/2010 11:27:41
O governo deveria tratar o assunto COPA 2014 com isonomia entre estados e clubes. A solução deveria ser um estádio para a cidade de Sâo Paulo e não, para um clube. A localização não atende às questões de mobilidade. NUNCA OUVI NOTICIAS SOBRE PROJETOS SÉRIOS. Que tal seria a área atual do CEAGESP?
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Miro de Alcantara
em 07/09/2010 19:45:54
Que tal associar o apelido ao da empresa? Tipo, "FIELZÃO BRAHMA"
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oslaim brito
em 07/09/2010 11:27:29
São Paulo pela grandeza que é poderia erguer um Maracasnã duas vezes, alguns governantes estão perdendo a oportunidade de ficar na historia.
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luis antonio dias fernandes
em 06/09/2010 21:31:17
o importante é que o lulão será o maior ponto turístico de s. paulo
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Marcos
em 06/09/2010 10:05:56
O LULA pode estar cavando a própria COVA. E esse estádio (o VERGONHÃO) gerará uma desigualdade sem tamanho entre os clubes no Brasil. É uma VERGONHA. É NOJENTO. O Corinthians jamais honrou suas dívidas com a prefeitura. E ganhará1 bilhão de presente em seu centenário. Que p. é essa???
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Marcos
em 06/09/2010 10:03:09
É uma VERGONHA sem TAMANHO políticos pensarem mais em suas negociatas e paixões futebolísticas que na imagem do Brasil e em seus cidadãos. Estamos sendo humilhados por essa corja. E seremos humilhados pela imprensa mundial. Serão muitas matérias denunciando nossa corrupção e falta de estrutura.
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leonardo
em 05/09/2010 22:19:15
É uma verdadeira vergonha o que vem ocorrendo nas contruções dos estadios para copa. O governo está contruindo estádios por todo país sem analisar sua função pós copa. Os únicos projetos que estão realmente sendo bancados por dinheiro privado, são a Arena da Baixada e o Beira-Rio.
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joyffe silva
em 05/09/2010 20:14:01
Uma vergonha!!!!! O planalto já pagou este estádio através da petrobrás, o resto é jogo de cena. Que in http://www.alertatotal.net/2010/01/aparelhamento-petista-nos-negocios.html http://acertodecontas.blog.br/atualidades/petrobras-contrata-servico-de-r-14-bi-sem-licitacao/
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Aldemir de Souza
em 04/09/2010 16:50:10
Sou corintiano e sempre sonhei com um estádio próprio. Mas não dessa forma. A Copa do Mundo e a Oimpiada são dois eventos importantes e que deveriam honrar os brasileiros. Hoje, está se transformando em uma forma de usar recursos públicos em benefício próprio e não dos brasileiros
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Daniel Sena
em 04/09/2010 12:03:53
Ta na hora de deixar o estadio do Corinthians de lado e analizar friamente os outros estadios, pensem bem, quem vai lotar os estadios depois da copa em cidades que não tem nenhum time com torcida?? Isso só é uma duvida.
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José Carlos Corrêa
em 03/09/2010 23:59:20
Reportagem? Não só ataques levianos e sem fundamentos a duas conceituadas instituições. O grande fato é que falar do Corinthians negativamente é manchete. Será que este ataque ocorreria se fosse a favor do clube das meninas "dô" jardim leonor?
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