DINHEIRO EM NÚMEROS
Nº edição: 515 | Esporte | 08.AGO.07 - 10:00 | Atualizado em 13.06 - 16:13
Era só um pote de ouro?
Prefeitura enfrenta a difícil missão de tornar rentáveis estádios e outros equipamentos construídos para o PAN 2007
Por ROSENILDO GOMES FERREIRA
Acendeu o sinal amarelo no projeto do governo do Rio de Janeiro de repassar ao setor privado a administração das instalações esportivas construídas para os Jogos Pan- Americanos de 2007. Na terçafeira 31, fracassou o leilão de arrendamento da Arena Multiuso, localizada na área do Autódromo de Jacarepaguá.
Nenhuma das 27 empresas que retiraram o edital aceitou pagar os R$ 129,4 milhões pedidos pela prefeitura.
O valor refere-se ao custo de construção do complexo, que reúne uma arena poliesportiva, o Parque Aquático Maria Lenk e o velódromo. A amortização poderia ser feita em 40 anos.
Esse é um dos mais vistosos empreendimentos erguidos para o PAN 2007, nos quais foi gasta a maior fatia de um orçamento estimado em R$ 4 bilhões. Apesar dos percalços – a licitação do estádio João Havelange (o Engenhão), ocorrida na quarta-feira 1o, só despertou o interesse do Botafogo, que pretende usar o espaço como base para seus jogos –, a prefeitura e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) seguem confiantes. Eles sustentam a tese de que essa e outras arenas renderão dividendos a médio e longo prazos para a economia carioca. “Os jogos aumentarão em US$ 1 bilhão as nossas receitas anuais com o turismo”, calcula Rubem Medina, presidente da Riotur.
R$ 4 bilhões foi o montante investido para a realização dos jogos
Atualmente, a cidade arrecada US$ 4 bilhões com visitantes de outras cidades e países. Segundo Medina, o incremento será possível graças à divulgação da cidade no Exterior, proporcionados pelo PAN e o concerto de rock Live Earth, que atraíram a atenção da mídia global. Além disso, ele defende o reforço no calendário de eventos esportivos, estratégia que contará com o apoio do COB. Até agora, já estão garantidas duas novas competições: o mundial de judô, em setembro próximo, e o mundial de futsal, marcado para 2008. A idéia é unir as empresas voltadas para o setor turístico, a prefeitura e o COB na hora de “vender” o Rio de Janeiro como local para abrigar megaeventos esportivos e culturais. “A ação integrada permite a elaboração de um pacote completo, unindo hospedagem, gastronomia e infra-estrutura esportiva e cultural”, explica Medina. Para Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, as obras feitas para o PAN 2007 também ajudarão a ampliar o cacife da cidade na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Nuzman ressalta, contudo, que esse sonho depende da melhoria de setores sensíveis, como transportes, por exemplo.




















