NEGÓCIOS

Nº edição: 674 | Negócios | 03.SET.10 - 21:00 | Atualizado em 23.05 - 07:14

Marcação cerrada

A Adidas pretende abrir uma fábrica na Zona Franca de Manaus. Seus concorrentes, porém, acusam a empresa de usar a linha de produção para maquiar artigos trazidos da China

Por Rosenildo Gomes Ferreira

A alemã Adidas, uma das maiores marcas de materiais esportivos do mundo, vive um dos melhores momentos de sua história. No acumulado janeiro-junho, suas vendas globais atingiram 5,5 bilhões de euros, um crescimento de 11% sobre igual período de 2009. 

Na América Latina, então, o salto foi de 36%. Boa parte desses números, é verdade, foi inflada pela Copa do Mundo da África. E a subsidiária da empresa no Brasil conseguiu aproveitar o momento para obter sinal verde da matriz para construir uma fábrica de calçados no País. 
 
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Messias, diretor: "A burocracia e a lentidão dos portos atrasam nosso crescimento no Brasil"
 
A ideia é produzir tênis, aqueles que geralmente são trazidos da China, na Zona Franca de Manaus. “O projeto apresentado pela Adidas prevê desembolso de R$ 15 milhões para a fabricação de 3,2 milhões de pares por ano e a contratação de 800 pessoas”, conta José Marcelo de Lima Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado do Amazonas. 
 
Só que, ao contrário do que se imaginava, o investimento não foi visto com bons olhos pelo mercado. Teme-se que a Adidas use a isenção de tributos para trazer os tênis desmontados, deixando para fazer aqui apenas a junção do cabedal (parte superior) ao solado. 
 
Uma operação semelhante à de empresas instaladas no México e que são conhecidas como maquiadoras, aquelas que recebem os produtos prontos e adicionam a etiqueta “Made in Mexico” para entrar nos Estados Unidos aproveitando o tratado de livre comércio. 
 
“A conta não fecha”, diz Heitor Klein, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. “Para uma produção nesse patamar seriam necessários cerca de sete mil trabalhadores”, estima. 
 
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Milton Cardoso, presidente da Vulcabras/Azaleia, faz coro. “Um empreendimento desse porte exigiria investimentos de pelos menos R$ 350 milhões”, calcula. A direção da Adidas se mantém alheia à polêmica e reafirma seu compromisso com o País. “Em seis anos, nós ampliamos de 5% para 50% o índice de nacionalização de nosso portfólio”, diz Rodrigo Messias, diretor de marketing da Adidas do Brasil.
 
A ambição da Adidas também está esbarrando na demora dos técnicos do Ministério do Desenvolvimento em definir um regime de Processo Produ-tivo Básico para o setor calçadista. O trabalho não tem prazo para ser concluído. A fábrica no Brasil é vista como uma das principais armas para que a subsidiária da Adidas cumpra a meta de dobrar de tamanho até 2015. 
 
Em 2010, estima-se que a comercialização de roupas, calçados e acessórios deva render R$ 1 bilhão aos cofres da companhia. “Metade do que vendemos no Brasil é importado. A burocracia e os problemas logísticos nos portos estão atrasando o nosso crescimento”, lamenta Messias. 
 
O restante é fabricado por firmas locais como a Paquetá. A planta de Manaus também possibilitaria que a Adidas escapasse da sobretaxa de dumping, de US$ 13,85 por par de tênis importado, que vai vigor até 2015. Nessa conta deve ser adicionada a alíquota de 35% do imposto de importação. 
 
Outro movimento que será feito pela direção da Adidas é a ampliação dos canais de comercialização. Hoje, os alemães estão presentes em seis mil pontos de venda. A meta é aumentar a rede própria, composta por 37 lojas: 16 conceito, 15 outlets e seis Originals, a divisão de estilo retrô da marca. 
 
A ideia é abrir mais 15 unidades, de todos os formatos, até 2015. A internet é outra plataforma que será explorada. Na Europa essa ferramenta já responde por 20% das vendas de Adidas e de sua controlada Reebok. 
 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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  • em 07/02/2012 13:12:33

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    • em 07/02/2012 09:09:00

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      • em 07/02/2012 05:13:59

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        • em 07/02/2012 01:17:09

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