NEGÓCIOS
Nº edição: 674 | Negócios | 03.SET.10 - 21:00 | Atualizado em 07.09 - 12:11
A nova chance da Nextel
Empresa precisa vencer leilão da faixa de frequência da tecnologia 3G para não ficar atrás de seus concorrentes no mercado brasileiro
Por Ralphe Manzoni Jr.
No começo do ano, Sérgio Chaia, presidente da empresa de telefonia Nextel, estabeleceu cinco metas pessoais. Uma delas é a de que ele não pode ficar mais de 10% dos dias de 2010 de mau humor, o que significam 36 dias. Até o final de agosto, caminhava para cumprir o seu objetivo.
Afinal, havia alterado seu estado de espírito em menos de uma semana. Mas isso pode mudar rapidamente, caso a empresa que dirige há mais de três anos não ganhe o leilão das faixas de frequência da banda H, a última chance para obter licença para operar a tecnologia móvel 3G no Brasil, prevista para acontecer até o final de 2010. Para a Nextel, vencer essa batalha é fundamental para o seu futuro no País. “É claro que temos um plano B, mas é importante vencer”, afirmou Chaia à DINHEIRO.
"É claro que temos um plano B, mas é importante vencer o leilão da tecnologia 3G"
Sérgio Chaia, Presidente da Nextel do Brasil
Com mais de três milhões de clientes, crescimento de 40% nos últimos quatro anos e a maior receita média por usuários do setor de telefonia brasileiro (US$ 60), os números da Nextel mostram uma empresa saudável e em crescimento acelerado.
Seus clientes são considerados o filé mignon do segmento de telecomunicações – empresas e consumidores com alto poder aquisitivo. Na sua base, não existe celular pré-pago, como na dos rivais, responsável por baixa rentabilidade. Mas a companhia está amarrada a uma tecnologia caracterizada pelo barulhinho do rádio que, embora seja eficiente para a comunicação de voz, tem velocidades baixas para acesso a internet pelo celular.
Daí a necessidade de construir uma rede com tecnologia 3G, a exemplo do que já fez no Peru e Chile. No México, ela acaba de ganhar a licença. Na Argentina, a companhia também tem planos de operar uma rede de alta velocidade. “O nicho da Nextel é o de voz”, diz Bruno Baptistão Neto, analista da consultoria Frost & Sullivan. “Se ela quer se expandir, precisa entrar no mercado de dados e 3G. É uma questão de sobrevivência.”
Esse é um mercado que tem crescido exponencialmente no Brasil nos últimos tempos. Em dezembro de 2009, havia 6,9 celulares e modems com tecnologia 3G em operação no País. Em apenas sete meses, esse número dobrou, chegando a 14,6 milhões em julho deste ano. Mesmo assim, isso representa apenas 7,5% do total de aparelhos móveis em uso no Brasil.
Esse é um indicativo de que, mesmo chegando atrasada, a Nextel – ou quem vencer o leilão das frequências da banda H – vai encontrar um mercado longe da saturação e crescendo a taxas aceleradas. “A Nextel deve buscar uma estratégia diferenciada em 3G”, afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. “Ela não deve competir diretamente com as atuais empresas de telefonia.”
O mercado estima que o leilão da banda H deve contar com no mínimo dois e no máximo quatro participantes. Os principais rivais da Nextel devem ser a unidade portuguesa da Vodafone, a japonesa NTT DoCoMo e a GVT, que é controlada pela francesa Vivendi. Em nota enviada à DINHEIRO, a GVT negou que vai participar do leilão promovido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
“O foco da empresa é na banda larga de ultravelocidades, oferta de conteúdos sobre a internet, preparação para entrar no mercado de tevê paga e na expansão territorial”, diz a nota. O mercado avalia que pode ser um blefe, uma estratégia para surpreender as outras empresas.
Em 2007, quando foram vendidas as primeiras licenças de 3G, a Anatel arrecadou R$ 5,34 bilhões, um ágio de 86,67%. Neste novo leilão, a estimativa é de que o vencedor tenha de gastar bilhões de reais. A Nextel diz que nunca esteve tão preparada para vencer. Do contrário, o budista Sérgio Chaia pode ter de repensar suas metas pessoais.
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