ESTILO

Nº edição: 673 | Entrevista | 27.AGO.10 - 21:00 | Atualizado em 13.06 - 16:55

10 perguntas para Dominic Symington

O Brasil está na rota dos maiores vinicultores do mundo.

Por Letícia Moreli

É o que aponta Dominic Symington, um dos proprietários da Symington Family Estates, vinícola fundada há 350 anos em Portugal, que produz o vinho do Porto Graham's. O empresário também é membro da Primum Familiae Vini (PFV), associação de 11 famílias de produtores da França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, que desembarcam no País, em novembro, para divulgar seus vinhos e promover um jantar em prol da Childhood Brasil – braço da World Childhood Foundation, entidade criada pela rainha Silvia, da Suécia. Symington falou à DINHEIRO:

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DINHEIRO – Como nasceu a Symington Family Estates?
 
DOMINIC SYMINGTON – Sou a 13a geração da família. Andrew James Symington migrou da Escócia para Portugal, em 1882, casou-se com Beatrice Atkinson, filha de vinicultores luso-britânicos, e entrou para o negócio dos vinhos. 
 
 
DINHEIRO – O que é a Primum Familiae Vini?
 
SYMINGTON – Somos os melhores produtores europeus, empresas 100% familiares, sem acionistas e onde todos trabalham: da produção à comercialização. Juntos desde 1992, faturamos € 600 milhões ao ano.
 
 
DINHEIRO – A PFV vai organizar um jantar beneficente no Brasil. Como será?
 
SYMINGTON – Sim, todo ano fazemos uma ação promocional para divulgar nossos produtos e arrecadamos fundos para entidades de apoio à criança. Este ano programamos um jantar de gala no Hotel Unique, em São Paulo, no dia 11 de novembro (o convite custará R$ 2.500 e inclui jantar e degustação de vinhos). A renda arrecadada será inteiramente revertida à Childhood Brasil. 
 
 
DINHEIRO  – Por que escolheram o Brasil para esse evento?
 
SYMINGTON – Já passamos por quase todos os países europeus, EUA, Canadá, China e esta é a primeira vez na América Latina. Consideramos o momento econômico do País, que vive fase de estabilização. A base da economia está em crescimento, a classe média alcançou maior poder de compra e o consumidor brasileiro está procurando vinhos de qualidade. 
 
 
DINHEIRO – O Brasil é um mercado promissor?
 
SYMINGTON – Comparado com a Europa, onde cada indivíduo consome uma média de 40 litros por ano de vinho, no Brasil se consome muito pouco: 1,5 litro. Por isso apostamos no potencial do mercado. Vendemos só 2% de nossa produção aqui. 
 
 
DINHEIRO – Qual a grande diferença entre os vinhos artesanais e os industrializados?
 
SYMINGTON – Há uma palavra no mundo dos vinhos que nos define: “terroir”. Nossos vinhos refletem a região onde são produzidos, somos uma referência de nossas regiões. 
 
 
DINHEIRO – Qual a receita para uma empresa familiar resistir aos grandes conglomerados? 
 
SYMINGTON – A receita é trabalho, dedicação e compromisso com a família. Produzimos 18 milhões de litros ao ano e estamos em 82 países. Não vejo diferença em trabalhar para uma empresa familiar ou outra qualquer. A palavra-chave é consenso.
 
 
DINHEIRO – O que o sr. pensa sobre a tendência do “gosto médio” – padronização do sabor, visando um mercado maior?
 
SYMINGTON – Não entramos no mérito. Nosso vinho é tido pela especificidade e tipicidade. Estamos numa fatia superior do mercado.
 
 
DINHEIRO – O que a Symington destaca em seus rótulos: a região e o produtor ou o tipo da uva?
 
SYMINGTON – Essa é uma diferença clássica entre Velho Mundo e Novo Mundo: a comunicação. Nossa empresa já coloca as uvas nos rótulos dos vinhos. Também temos interesse em entrar neste mercado mais comercial.
 
 
DINHEIRO – Como está o mercado do vinho do Porto no Brasil?
 
SYMINGTON – O vinho do Porto ainda tem como maiores consumidores os franceses, holandeses e ingleses. No Brasil, o consumo ainda é inferior ao tinto. Em dez anos este país será um mercado-chave para a nossa empresa.
 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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