ESTILO

Nº edição: 673 | Estilo | 27.AGO.10 - 21:00 | Atualizado em 27.08 - 21:07

Kenzo e suas faces no Brasil

Multifacetado, o estilista quer parcerias brasileiras na moda, na decoração e nas artes

Por Priscilla Portugal

Na palestra que deu em São Paulo na semana passada, o estilista japonês Kenzo Takada não deixou nenhuma dúvida: está namorando o Brasil. Ou melhor, paquerando. “Eu adoraria expor minhas pinturas aqui e quero promover um intercâmbio entre estilistas brasileiros e japoneses”, disse ele,  na sede da Associação Brasileira da Indústria Têxtil. 

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O estilista, que também é pintor, entre dois autorretratos - num deles, a máscara é retirada,
revelando a face do artista. Kenzo pretende expor os quadros no Brasil

Kenzo – que fez uma importante trajetória no mundo da moda, criou sua grife em 1970 e revolucionou o mundo ocidental com suas peças de formas amplas e cores vivas – tem passado os últimos anos diversificando sua estratégia de negócios. A marca que leva seu nome foi vendida para a holding LVMH em 1993 e, desde 1999, ele está afastado dela. 
 
“Parei quando completei 60 anos, pensando em me aposentar”, conta. “Mas, após seis anos descansando, resolvi que tudo o que mais queria era voltar a trabalhar.” Descansando é modo de dizer, pois, nesse meio tempo, ele não cansou de se reinventar. Estudou computação, francês, retomou a pintura e fez aulas de tango e flamenco. “Aprendi até a dança típica de Bali.”
 
Entre um hobby e outro, ele já desenhou para marcas como a Baccarat, produtora de cristais, e a Limoges, de porcelana. Já fiou uma parceria com artesãs de tinturaria da cidade de Yokohama para desenvolver lenços e echarpes, expôs seus quadros na Studio 55 Gallery, em Paris, e está criando a decoração interna e o uniforme dos funcionários do hotel Sofitel das Ilhas Maurício, ainda em construção. 
 
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Decoração: a marca Gokan Kobo, criada por Kenzo em 2005, poderá "amadurecer" no Brasil, segundo o estilista  
 
Em 2005, também criou uma grife de objetos de decoração, a Gokan Kobo, que comercializava de móveis a porcelanas, passando por cristais e talheres. “Eu me dediquei muito à criação e nem tanto à comercialização”, explica. Kenzo diz que está buscando parcerias para seguir adiante com a grife e que uma das razões de sua vinda ao Brasil é amadurecê-la por aqui.
 
Outros motivos são os projetos multidisciplinares que tem tocado e a oficialização pela Texbrasil (programa de exportação da moda brasileira) do título de representante da moda brasileira no Japão. Para fortalecer a parceria, uma de suas iniciativas é realizar um programa de intercâmbio de experiências entre ele e jovens talentos da moda brasileira e da japonesa. 
 
Ele também estuda outras formas de se inserir no mercado nacional, mas afirma que isso não se dará com a chegada de uma butique nem com o licenciamento de marcas. “Estou em busca de novos negócios, de parcerias em diversas áreas. Se encontrar lojas que têm o perfil que desejo, posso comercializar alguns de meus produtos aqui. 
 
Se me deparar com artesanato qualificado, posso aproveitar em minhas criações e quero realizar trocas com esses novos talentos.” Para concretizar esses planos, Kenzo se reuniu com empresários de São Paulo, Brasília e Santa Catarina. 
 
“O Brasil é um mercado atraente, com potencial crescimento, não está saturado e ainda oferece essa possibilidade de atrelar o nome dele a uma imagem positiva, com essa associação aos jovens estilistas”, analisa Ivan Pinto, professor de gestão de marcas da ESPM. 
 
“O risco de investir prioritariamente no Brasil – ao lado apenas do Japão e da França – como ele está fazendo é grande. Ele precisa estar amparado por muitos estudos e estou curioso para ver como vai enfrentar o desafio de se posicionar no nosso mercado. 
 
Mas também não podemos deixar de lado a intuição do artista, que costuma funcionar mesmo quando pesquisas apontam o contrário”, conclui. E, analisando a trajetória de Kenzo Takada, não dá para duvidar que a sua seja afiada.
 

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Crédito: Roberto Castro/Ag. Istoé

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