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online | Poupança | 25.AGO.10 - 11:43 | Atualizado em 25.08 - 12:22

Com dinheiro no bolso, brasileiro poupa cada vez mais

A chamada nova classe média brasileira poupou mais do que as classes A e B, pela primeira vez, no ano passado

Por Flávia Gianini

 

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Com o aumento do poder de compra, o brasileiro também passou a poupar mais. Segundo o Banco Central, a poupança teve em julho uma captação líquida de R$ 6,837 bilhões de reais. Foi o melhor resultado para um mês de julho desde o início da série histórica, em 1995.
 
Mas o movimento de alta não é recente. De janeiro a julho deste ano a captação líquida da poupança foi de R$ 19,079 bilhões. No mesmo período do ano passado, essa modalidade de investimento captou R$ 9,119 bilhões. O recorde anterior de captação para os sete primeiros meses do ano foi de R$ 12,2 bilhões em 2007, antes da crise financeira.

No ano passado, pela primeira vez, a chamada nova classe média brasileira destinou maior volume de recursos à poupança, aplicações e investimentos que as classes A e B. De acordo com uma pesquisa da Cetelem, a financeira do grupo BNP Paribas no Brasil, a classe C poupou 55% a mais que os membros das classes A e B. Em termos nominais, cada membro da classe C conseguiu poupar, em média, R$ 633 no período, contra R$ 407 dos mais ricos. Entre 2008 e 2009, a classe C passou de 45% para 49% da população entre 2008 e 2009.

De um modo geral, no entanto, as pessoas vêm poupando mais. Segundo a pesquisa da Cetelem, no universo que inclui todas as classes, os recursos destinados a aplicações, poupança e investimentos em 2009 alcançaram, em média, R$ 535,31, o que equivale a R$ 220 a mais do que em 2008. Em comparação com 2008, a região Nordeste foi a que mais ampliou investimentos em 2009, para uma média de R$ 637.
 
Os bancos já perceberam esta mudança. Na Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, entre março de 2007 e março de 2010, verificou-se um crescimento de 54% no número de clientes tidos como classe C.

O professor e educador financeiro Mauro Calil avalia que a nova poupança da classe C começa a ter um peso significativo na capacidade total de poupança do país, apesar dela ainda ser pequena. “Não deixa de ser uma poupança para um consumo mais pensado, mais planejado, o que já é positivo, que pode ser liquidada em um consumo no futuro”, aponta.

Prova disso, é que os produtos mais procurados nos bancos são aqueles que permitem maior consumo. Segundo informações da Caixa, o maior crescimento foi na procura por cartões de crédito (crescimento de 137%). Já a abertura de conta corrente cresceu 86%. No Banco do Brasil os produtos mais procurados são o crédito direto ao consumidor (CDC) e outras modalidades de empréstimos.

No Santander, os mais procurados são os empréstimos, principalmente para resolver problemas financeiros. De acordo com o banco, o mercado de correntistas de menor renda tem crescido cerca de 2,5% ao ano. Já a base ativa de clientes do Santander com esse perfil tem crescido 8% ao ano.

A pesquisa da Cetelem indica, no entanto, que a tendência de poupar deve continuar, já que 76% dos entrevistados pela empresa afirmaram que pretendem aumentar as economias nos próximos 12 meses, em detrimento do consumo de bens e serviços. Ainda é pouco, mas já é um avanço para quem, até bem pouco tempo atrás, com a pouca renda que dispunha e em meio a altos índices de inflação, não sabia o que era planejamento.
 

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